A primeira quinzena do mês de novembro promete manter o padrão de instabilidade atmosférica em trechos estratégicos da Região Sul do Brasil, no sul do Paraguai e no norte da Argentina. O mapa de anomalias pluviométricas aponta que os maiores volumes acumulados de chuva devem se concentrar sobre as faixas a Oeste dos estados sulistas, dando continuidade aos episódios registrados no mês de outubro.
As informações foram detalhadas pelo meteorologista Leandro Puchalski, em análise divulgada em seu canal no YouTube (“Leandro Puchalski – Meteorologista”). Segundo o especialista, embora o período exija atenção continuada dos moradores e produtores rurais do interior, os dados meteorológicos para os primeiros quinze dias do mês não sinalizam tempestades de intensidade fora do padrão global da época.
“Esse conteúdo se propõe a te trazer a anomalia de chuva para a primeira quinzena deste mês de novembro que tá batendo à porta. Quantos milímetros acima ou abaixo do padrão da primeira quinzena de novembro nós deveremos ter pela Região Sul do Brasil”, destaca Leandro Puchalski.
Primeira semana (1º a 8 de novembro): acumulados mais expressivos no Oeste
Nos primeiros oito dias do mês, a distribuição das precipitações mostra uma clara divisão entre o litoral e o interior do continente. De acordo com os modelos computacionais apresentados por Puchalski, as áreas sombreadas em tons de azul nos mapas meteorológicos sinalizam volumes de chuva superiores à média histórica acumulada para o início de novembro.
Os acumulados acima do padrão se destacam nas seguintes regiões:
- Faixa de anomalia moderada (10 a 20 mm acima do padrão): Representada pelo azul mais claro, abrange diversas áreas onde a umidade do ar e o calor favorecem instabilidades pontuais.
- Faixa de anomalia elevada (20 a 40 mm acima do padrão): Representada pelo tom de azul mais escuro, se concentra no oeste do Paraná, oeste de Santa Catarina, noroeste do Rio Grande do Sul, além do sul do Paraguai e norte da Argentina.
- Faixa de normalidade (sem anomalia/áreas em branco): Observada na porção mais ao sul do território gaúcho, onde os volumes pluviométricos devem flutuar rigorosamente dentro da média climatológica da época.
O meteorologista faz questão de esclarecer uma dúvida frequente entre a população em relação ao conceito de anomalia pluviométrica. Segundo Puchalski, os indicativos de chuva acima da média não significam tempestades diárias ininterruptas durante todo o período analisado.
“Aqui é importante deixar claro que eu não tô falando de quais dias, até porque não vai chover o tempo inteiro desses oito primeiros de novembro. É mais sobre volume mesmo, pra gente entender onde é mais e onde é menos”, explica o especialista.
As regiões que registraram elevados índices pluviométricos ao longo do mês de outubro — como o oeste paranaense, o oeste catarinense e o noroeste gaúcho — devem continuar enfrentando um cenário de maior umidade nesta arrancada do mês.
Segunda semana (9 a 15 de novembro): alívio relativo e estabilização de volumes
Para o intervalo entre os dias 9 e 15 de novembro, os mapas de projeção indicam um abrandamento na intensidade e no alcance geográfico dos tons mais escuros de anomalia. Embora o padrão de chuva acima da média persista na porção ocidental dos estados, a extensão dos acumulados mais volumosos passa por uma redução gradativa.
As principais mudanças mapeadas para o segundo trecho da primeira quinzena incluem:
- Redução da mancha de anomalia severa: O tom de azul mais escuro (indicativo de 20 a 40 mm acima do normal) perde força no oeste do Paraná e no oeste de Santa Catarina.
- Avanço pontual no Rio Grande do Sul: O mapa sinaliza um leve deslocamento da faixa de maior acumulado em direção ao oeste do território gaúcho.
- Predomínio de neutralidade no Leste: Extensas áreas do centro para o leste da Região Sul apresentam coloração branca nos modelos, indicando precipitações alinhadas com o padrão climatológico mensal.
Puchalski ressalta que essa oscilação não representa uma mudança drástica no comportamento do tempo, mas sim uma acomodação natural dos sistemas meteorológicos atuantes no Sul do país.
“A gente percebe que assim, não há previsão de algo muito intenso dentro da primeira quinzena de novembro. É uma pequena modificação ali dentro da segunda parte da primeira quinzena, mas a atenção maior deve seguir do centro para o oeste dos estados”, pontua o meteorologista.
Panorama de anomalia pluviométrica na 1ª quinzena de novembro
A tabela a seguir sintetiza a distribuição das chuvas esperadas para as diferentes sub-regiões do Sul do Brasil e territórios vizinhos durante os dois períodos da primeira quinzena:
| Região / Sub-região | Comportamento (1º a 8 de Novembro) | Comportamento (9 a 15 de Novembro) |
|---|---|---|
| Oeste do Paraná | Chuva acima do padrão (+20 a +40 mm) | Leve redução (+10 a +20 mm predominantemente) |
| Oeste de Santa Catarina | Chuva acima do padrão (+20 a +40 mm) | Redução nos tons de azul mais escuro |
| Noroeste e Oeste do RS | Chuva acima do padrão (+20 a +40 mm) | Avanço pontual do tom mais escuro no Oeste |
| Sul do Rio Grande do Sul | Dentro do padrão climatológico (normal) | Dentro do padrão climatológico (normal) |
| Sul do Paraguai / Norte da Argentina | Acumulados elevados (+20 a +40 mm) | Manutenção de instabilidades em níveis moderados |
Influência do El Niño e projeção inicial para a segunda quinzena
A análise da primeira metade do mês se insere em um contexto climático global marcado pela presença do fenômeno El Niño. Historicamente, a atuação do El Niño traz um aumento no volume e na frequência das chuvas sobre o Sul do Brasil, com destaque especial para o trimestre final do ano.
Puchalski relembra que a conjuntura atual exige acompanhamento constante, uma vez que outubro, novembro e dezembro são considerados os meses de maior impacto do fenômeno na região.
“A gente tá sobre a questão do El Niño, então outubro, novembro e dezembro são meses de maior influência. Mas, pelo menos na arrancada, não há previsão de volumes tão acima da média na maioria das áreas”, analisa Puchalski.
Quanto à segunda metade do mês, o especialista adiantou uma tendência inicial baseada nos modelos de longo prazo, embora ressalte que o cenário ainda necessita de confirmações futuras nas análises diárias.
O que esperar da segunda quinzena de novembro?
- Abrangência territorial: A tendência indica que as chuvas devem ficar acima do padrão da época na Região Sul do Brasil como um todo.
- Volume comparativo: Teoricamente, a segunda quinzena de novembro pode apresentar volumes pluviométricos um pouco mais expressivos do que os registrados na primeira quinzena.
- Status do prognóstico: Trata-se de uma teoria e projeção inicial que passará por confirmações nos próximos dias.
Prevenção e comunicação de eventos extremos: o podcast ‘Clima Humano’
Além da análise meteorológica diária, Leandro Puchalski destacou a importância de preparar a população e as autoridades para o enfrentamento de episódios climáticos adversos. O tema foi debatido no podcast Clima Humano, apresentado por Puchalski e pela jornalista Taís Cavaçola.
O episódio conta com a participação do Major Márcio Luiz Alves, profissional com ampla experiência na gestão de crises e que atuou durante diversos anos tanto na Defesa Civil de Santa Catarina quanto na Defesa Civil Nacional.
No bate-papo, o convidado traz relatos e orientações práticas sobre a comunicação de eventos extremos e as ações preventivas às quais os moradores precisam ficar atentos diante de tempestades e alagamentos.
“Ele traz toda a experiência dele, toda a visão dele sobre comunicação de eventos extremos e ação de eventos extremos a que a população precisa ficar atenta. É um bate-papo muito legal no nosso podcast Clima Humano”, convida o meteorologista.
Recomendações e monitoramento de curto prazo
Diante de um quadro que combina a influência do El Niño e a manutenção de acumulados acima da média no interior sulista, a orientação central do meteorologista é que produtores rurais e moradores sigam acompanhando os alertas diários.
Projeções computacionais de curto e médio prazo — cobrindo intervalos de 24, 48 e 72 horas, além do panorama para 10 dias — são os instrumentos que efetivamente alertam sobre tempestades isoladas ou volumes pontuais e intensos.
O acompanhamento diário das previsões locais permanece indispensável para garantir a segurança da população e orientar os trabalhos no campo durante todo o mês de novembro.
El Niño aumenta a preocupação com a chuva no Sul do Brasil
O cenário previsto para novembro ocorre durante a intensificação do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, capaz de modificar padrões de circulação atmosférica e precipitação em diferentes partes do planeta.
Em boletim divulgado em 30 de setembro de 2026, o Inmet e outras instituições federais indicaram uma probabilidade superior a 95% de o fenômeno atingir intensidade muito forte no trimestre de outubro a dezembro. A previsão climática sazonal também apontou maior probabilidade de chuva acima da média na Região Sul, embora os efeitos variem de uma área para outra.
Segundo o Inmet, a combinação entre El Niño e condições atmosféricas favoráveis pode elevar o risco de cheias em áreas do Sul. O órgão também destaca que o excesso de umidade pode dificultar operações agrícolas, prejudicar lavouras sensíveis e comprometer atividades que dependem de períodos prolongados de tempo seco.
Isso não significa que o fenômeno determine, sozinho, a ocorrência de chuvas intensas em uma cidade específica. A distribuição dos volumes depende da interação com frentes frias, áreas de baixa pressão e outros sistemas meteorológicos, razão pela qual as previsões precisam ser atualizadas continuamente.
Fontes oficiais
Inmet — El Niño e previsão climática: o boletim de setembro de 2026 aponta probabilidade superior a 95% de um evento muito forte no trimestre outubro-dezembro e tendência de chuva acima da média no Sul. Consultar o boletim do Inmet.
Inmet — previsão para 26 de outubro a 2 de novembro: a previsão semanal aponta volumes expressivos no Sul, com acumulados localmente superiores a 80 mm e possibilidade de ultrapassar 100 mm em pontos isolados. Esses valores são uma previsão para aquele intervalo, não para toda a primeira quinzena. Consultar a previsão semanal.
