Empresa que começou com uma pequena loja em Santa Catarina hoje movimenta cerca de R$ 50 milhões por dia, paga bilhões em impostos e participa do projeto do prédio residencial mais alto do mundo
Quatro décadas após abrir as portas da primeira loja, a Havan alcançou uma dimensão que a coloca entre as maiores redes varejistas do país. Segundo o fundador da empresa, Luciano Hang, a companhia registra atualmente um faturamento próximo de R$ 50 milhões por dia, reúne mais de 22 mil colaboradores e projeta ultrapassar R$ 20 bilhões em receita anual nos próximos anos.
Os números foram apresentados pelo empresário durante entrevista ao canal Albertone, na qual ele também comentou os investimentos da empresa, a carga tributária, a sucessão familiar e a participação no projeto do Senna Tower, futuro arranha-céu residencial que pretende superar os 550 metros de altura em Balneário Camboriú.
A entrevista oferece um panorama sobre a evolução da companhia fundada em Brusque (SC), em 1986, e ajuda a entender como uma empresa regional se transformou em uma das maiores redes de lojas de departamentos do Brasil em um momento de forte concorrência entre o varejo físico e o comércio eletrônico.
Havan projeta receita acima de R$ 20 bilhões
Segundo Luciano Hang, a empresa encerrou os últimos anos em ritmo acelerado de crescimento.
De acordo com o empresário, a rede registra atualmente um faturamento mensal em torno de R$ 1,5 bilhão, o que representa aproximadamente R$ 18 bilhões por ano. A expectativa é ultrapassar a marca de R$ 20 bilhões em faturamento anual na próxima etapa de expansão.
Os números refletem uma operação nacional construída ao longo de quase quatro décadas, baseada na abertura de grandes lojas de departamentos distribuídas por diversas regiões do país.
“A gente chegou a fazer 25 lojas por ano. Na época lá atrás, a gente investia de R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões por ano fazendo lojas”, afirmou Luciano Hang durante a entrevista.
Segundo ele, cada nova unidade exige investimentos próximos de R$ 100 milhões, considerando aquisição do terreno, construção, equipamentos e estrutura operacional.
Impostos representam um dos maiores custos da operação
Durante a conversa, Hang chamou atenção para o peso da carga tributária sobre as operações da empresa.
Segundo o empresário, a folha salarial da Havan gira em torno de R$ 120 milhões por mês, o equivalente a aproximadamente R$ 1,44 bilhão por ano.
Ainda assim, esse valor é inferior ao montante desembolsado em tributos.
De acordo com os números apresentados por Hang, a empresa pagou cerca de R$ 4 bilhões em impostos no último exercício, projeta recolher aproximadamente R$ 5 bilhões neste ano e estima alcançar R$ 6 bilhões no próximo.
“O imposto é o maior gasto. É maior do que fornecedores, maior do que o lucro. Mas também, se você está pagando imposto, é porque está vendendo”, afirmou.
A carga tributária elevada é frequentemente apontada por entidades empresariais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), entre os fatores que aumentam o chamado “Custo Brasil”, influenciando investimentos, competitividade e expansão de empresas.
O que significa um valuation de R$ 45 bilhões
Outro tema abordado durante a entrevista foi o valor estimado da companhia.
Segundo Luciano Hang, tomando como referência um lucro anual próximo de R$ 3 bilhões e aplicando múltiplos normalmente utilizados pelo mercado financeiro para empresas do setor, a Havan poderia alcançar um valuation estimado em R$ 45 bilhões.
O empresário fez questão de esclarecer que esse número representa uma estimativa de valor econômico da companhia, e não patrimônio disponível em dinheiro.
“Não é que eu tenha esses 45 bilhões. Ela vale aquilo que entrega de resultado multiplicado pelo valuation que está no mercado”, explicou.
No mercado financeiro, valuation é justamente o processo utilizado para estimar quanto uma empresa vale considerando indicadores como lucro, fluxo de caixa, patrimônio, potencial de crescimento e comparações com empresas semelhantes.
Expansão começou com crédito e confiança
Ao relembrar o início da trajetória empresarial, Hang afirmou que não possuía capital suficiente para iniciar o negócio.
Segundo ele, os primeiros investimentos vieram de empréstimos, crédito junto a fornecedores e financiamento bancário obtido gradualmente à medida que conquistava credibilidade.
“Se você esperar ter alguma coisa para começar, você nunca começa”, afirmou.
O empresário atribui boa parte desse processo ao cumprimento rigoroso de compromissos financeiros.
“Nunca atrasei uma duplicata. Jamais”, declarou.
Especialistas em gestão empresarial destacam que histórico positivo de pagamento costuma facilitar o acesso ao crédito, reduzir custos financeiros e ampliar a capacidade de investimento das empresas ao longo do tempo.

O varejo físico continua recebendo investimentos
Embora o comércio eletrônico tenha ampliado significativamente sua participação no varejo brasileiro na última década, grandes redes continuam investindo na expansão de lojas físicas.
Segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), consumidores ainda mantêm elevada participação nas compras presenciais, principalmente em categorias como utilidades domésticas, decoração, eletroeletrônicos e bens de consumo duráveis.
Nesse contexto, a estratégia da Havan combina grandes unidades físicas com operações digitais, buscando integrar diferentes canais de venda.
Senna Tower pretende se tornar o edifício residencial mais alto do mundo
Além das atividades no varejo, Luciano Hang também comentou investimentos imobiliários desenvolvidos em parceria com a FG Empreendimentos, em Balneário Camboriú, litoral norte de Santa Catarina.
Depois do One Tower, atualmente um dos edifícios mais altos do Brasil, o grupo participa do desenvolvimento do Senna Tower, empreendimento que pretende ultrapassar 550 metros de altura.
Caso o projeto seja concluído conforme anunciado pelos desenvolvedores, o edifício deverá se tornar o residencial mais alto do mundo, reforçando o crescimento do mercado imobiliário de alto padrão na cidade catarinense.
“O projeto saiu da FG, que é nossa parceira em alguns negócios e terrenos. Vai ser uma das grandes torres do mundo”, afirmou o empresário.
Balneário Camboriú consolidou-se nos últimos anos como um dos principais polos brasileiros de edifícios superaltos, impulsionado pela valorização imobiliária e pela procura por empreendimentos de luxo.
Sucessão empresarial também entrou na conversa
A continuidade da empresa foi outro assunto abordado durante a entrevista.
Segundo Hang, dois de seus filhos já participam das operações da Havan, enquanto outro optou por empreender na área da saúde, administrando um centro especializado em fisioterapia e reabilitação na cidade de Brusque.
Especialistas em governança corporativa apontam que o planejamento sucessório é um dos principais desafios enfrentados por empresas familiares de grande porte, especialmente quando a organização alcança dimensões nacionais.
Desafios do varejo brasileiro permanecem
Mesmo apresentando resultados expressivos, o setor varejista continua enfrentando desafios relacionados à concorrência internacional, digitalização, mudanças no comportamento do consumidor e custos operacionais.
Além da elevada carga tributária, empresas do segmento convivem com oscilações no consumo das famílias, juros elevados, inflação e necessidade constante de investimentos em tecnologia e logística.
Nesse cenário, manter crescimento, ampliar receitas e continuar expandindo a presença física tornou-se um diferencial competitivo para grandes redes nacionais.
Vídeo detalha os bastidores da expansão da empresa
Durante entrevista publicada no canal Albertone, Luciano Hang apresentou indicadores financeiros da Havan, comentou como a empresa estruturou sua expansão ao longo dos últimos 40 anos, explicou sua visão sobre carga tributária, investimentos e crédito empresarial e detalhou a participação no projeto do Senna Tower. A conversa também aborda sucessão familiar, estratégia de crescimento e os desafios enfrentados por uma das maiores redes varejistas do país.
