Um ciclone bomba em rápida formação começou a atuar próximo à costa brasileira e deve provocar mudanças significativas no tempo entre o Sul e parte do Sudeste nos próximos dias. A previsão aponta para rajadas intensas de vento, temporais isolados, possibilidade de granizo e risco de interrupções no fornecimento de energia elétrica. Meteorologistas afirmam que o sistema deve se deslocar rapidamente, mas seus efeitos podem permanecer até o início da próxima semana.
Segundo o meteorologista Márcio Bueno, da consultoria Tempo OK, o fenômeno começou a se organizar durante a noite de quarta-feira, 05 de agosto, e ganhou força ao longo da quinta-feira, passando a reunir as características que definem um ciclone bomba. Em entrevista ao programa #NewsNoite, do SBT News, ele explicou que o sistema deve cruzar rapidamente a Região Sul antes de alcançar áreas do Sudeste.
“Ele vai avançar rapidamente pela região Sul. Entre amanhã e sexta-feira, ele já passa pela região Sul e já atinge o Sudeste”, afirmou o especialista durante a entrevista.
Embora o termo “ciclone bomba” costume chamar atenção pelo nome, Márcio Bueno ressaltou que a preocupação principal não está na nomenclatura, mas sim nos impactos provocados pelo vento intenso, pelas tempestades e pelas descargas elétricas que acompanham esse tipo de sistema atmosférico.
O que caracteriza um ciclone bomba?
Apesar do nome dramático, o ciclone bomba é um fenômeno meteorológico bem conhecido pela ciência. Ele ocorre quando um sistema de baixa pressão sofre uma queda muito rápida da pressão atmosférica em um intervalo de aproximadamente 24 horas, processo chamado de ciclogênese explosiva.
Segundo explicações utilizadas por instituições meteorológicas nacionais e internacionais, essa queda acelerada de pressão fortalece os ventos ao redor do ciclone, favorecendo a formação de tempestades severas, mar agitado e mudanças bruscas nas condições climáticas.
Esse tipo de fenômeno costuma ocorrer com maior frequência em regiões oceânicas de latitudes médias, especialmente durante os meses mais frios do ano, quando o contraste entre massas de ar quente e frio se torna mais intenso.
Estados que podem sentir os efeitos do fenômeno
De acordo com a análise apresentada por Márcio Bueno, os impactos ficarão concentrados principalmente na metade sul do país. As regiões Norte e Nordeste não devem sofrer influência direta desse sistema meteorológico.
A previsão indica maior atenção para:
- Rio Grande do Sul;
- Santa Catarina;
- Paraná;
- São Paulo;
- Rio de Janeiro, principalmente a Região Serrana;
- Sul de Minas Gerais;
- Sul de Mato Grosso do Sul.
O meteorologista explica que o avanço será relativamente rápido, mas suficiente para provocar instabilidades significativas durante quatro ou cinco dias, especialmente devido à permanência da umidade deixada pelo sistema após sua passagem.
Ventos fortes podem causar danos à infraestrutura
Mais do que o volume de chuva, o comportamento dos ventos preocupa especialistas.
Segundo Márcio Bueno, tempestades localizadas podem ser acompanhadas por granizo e rajadas capazes de provocar queda de árvores, destelhamentos, danos na rede elétrica e interrupções no fornecimento de energia.
“A gente pode ter algumas tempestades mais localizadas, ocorrência de granizo também e rajadas de vento mais intensas que podem atrapalhar na distribuição de energia elétrica”, explicou.
Na avaliação do meteorologista, esses efeitos costumam gerar reflexos importantes na infraestrutura urbana.
“Isso de fato afeta toda a infraestrutura de uma cidade, e eu acho que esse que é o principal efeito”, acrescentou.
Eventos semelhantes registrados nos últimos anos mostraram que rajadas intensas podem provocar bloqueios em rodovias, prejuízos para produtores rurais e dificuldades operacionais em aeroportos e sistemas de transporte público.
Defesa Civil orienta população a acompanhar alertas oficiais
Durante episódios de tempo severo, a principal recomendação continua sendo acompanhar os avisos emitidos pelos órgãos oficiais de meteorologia e pelas Defesas Civis estaduais e municipais.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) monitoram continuamente sistemas dessa natureza e atualizam os avisos conforme a evolução das condições atmosféricas.
A Defesa Civil também reforça que moradores de áreas sujeitas a alagamentos, enxurradas ou deslizamentos devem permanecer atentos às orientações das autoridades locais.
Especialista faz alerta para quem mora em áreas de risco
Durante a entrevista, Márcio Bueno destacou que a prevenção continua sendo a melhor forma de reduzir riscos durante eventos meteorológicos intensos.
Segundo ele, quem vive em regiões suscetíveis a deslizamentos ou alagamentos deve considerar deixar o imóvel temporariamente caso os órgãos oficiais emitam recomendações nesse sentido.
“Quem morar em área de risco, tentar o máximo sair e ficar em outro local, na casa de parente ou até na casa de amigo, em um local mais protegido”, orientou.
O meteorologista também alertou para o perigo das descargas elétricas e da queda de árvores durante os períodos de tempestade.
Como reduzir os riscos durante a passagem do ciclone
Especialistas em meteorologia e Defesa Civil recomendam algumas medidas simples que ajudam a reduzir acidentes durante episódios de tempo severo.
Entre elas estão evitar permanecer em locais abertos durante tempestades, não procurar abrigo sob árvores, retirar veículos de áreas sujeitas à queda de galhos, manter celulares carregados em caso de interrupção de energia e acompanhar os alertas oficiais enviados por aplicativos, SMS e redes sociais dos órgãos públicos.
Também é aconselhável evitar deslocamentos durante o momento de maior intensidade das tempestades, especialmente em rodovias e regiões com histórico de alagamentos.
Fenômenos semelhantes já atingiram o Brasil nos últimos anos
O litoral da Região Sul já registrou outros episódios de ciclogênese explosiva nos últimos anos. Em alguns casos, os ventos ultrapassaram 100 km/h, provocando destelhamentos, danos à rede elétrica e prejuízos econômicos em diversos municípios.
Meteorologistas ressaltam, entretanto, que cada ciclone possui intensidade, trajetória e impactos diferentes. Por isso, não é possível afirmar que todos produzirão os mesmos efeitos observados em eventos anteriores.
O monitoramento constante realizado pelos centros meteorológicos permite que previsões sejam atualizadas diversas vezes ao dia conforme novos dados de satélite, radares e modelos atmosféricos são incorporados.
Vídeo traz explicações detalhadas sobre a evolução do sistema
Em entrevista ao programa #NewsNoite, do SBT News, o meteorologista Márcio Bueno detalhou a formação do ciclone bomba, explicou quais estados devem ser mais afetados e comentou quais cuidados a população deve adotar durante a passagem do sistema. A participação do especialista traz ainda esclarecimentos sobre o comportamento esperado dos ventos, da chuva e das áreas de maior risco ao longo dos próximos dias.
O que esperar nos próximos dias
A expectativa é que o ciclone avance rapidamente sobre a costa da Região Sul e, posteriormente, influencie parte do Sudeste antes de perder força sobre o oceano.
Mesmo após o deslocamento do centro do sistema, a umidade deixada em sua retaguarda deve manter o tempo instável em diversas áreas até o início da próxima semana. Por isso, meteorologistas recomendam que moradores dos estados sob alerta acompanhem diariamente as atualizações dos órgãos oficiais e evitem exposição desnecessária durante tempestades mais intensas.
