O fenômeno El Niño entrou em uma nova fase de intensificação e passou a preocupar meteorologistas em todo o mundo. As atualizações mais recentes da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) indicam que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial continuará aumentando nos próximos meses, elevando para 81% a probabilidade de o fenômeno atingir a categoria de El Niño muito forte entre outubro e dezembro de 2026. O cenário reforça a expectativa de mudanças importantes nos padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta, incluindo o Brasil.
A evolução do fenômeno foi detalhada pelo meteorologista Leandro Puchalski, que analisou os dados mais recentes divulgados pela NOAA e explicou que o Pacífico já apresenta características típicas de um evento forte.
“Temos nesse começo de agosto um El Niño de intensidade forte”, afirma o meteorologista. Segundo ele, o momento agora é de acompanhar a evolução do aquecimento oceânico, que ainda deverá ganhar intensidade até o último trimestre do ano.
O que é o El Niño e como ele é monitorado
O El Niño faz parte do fenômeno climático conhecido como Oscilação Sul-El Niño (ENSO) e ocorre quando as águas superficiais da região central e leste do Oceano Pacífico Equatorial permanecem acima da temperatura média durante vários meses.
O principal indicador utilizado pelos meteorologistas é a chamada região Niño 3.4, onde a NOAA acompanha continuamente a anomalia da temperatura da superfície do mar.
Quando esse aquecimento permanece acima de determinados limites por um período prolongado, o fenômeno passa a influenciar a circulação atmosférica global, alterando regimes de chuva, temperatura, ventos e até a formação de ciclones em diferentes continentes.
Segundo a NOAA, o El Niño continuará se fortalecendo ao longo de 2026 e deverá permanecer ativo durante o início de 2027.
Meteorologista compara evolução do fenômeno à escalada de uma montanha
Durante a análise, Leandro Puchalski utilizou uma comparação simples para explicar ao público como o fenômeno deverá evoluir.
“Imagine que estamos subindo uma grande montanha chamada El Niño. Agora estamos na subida. Quando chegarmos ao topo, entre outubro e dezembro, ele deverá atingir sua maior intensidade.”
A analogia ilustra o comportamento esperado pelos modelos climáticos, que apontam aumento gradual do aquecimento do Pacífico até o fim da primavera e o início do verão no Hemisfério Sul.
De acordo com a atualização mais recente da NOAA, existe 81% de probabilidade de o fenômeno alcançar a categoria de El Niño muito forte, permanecendo entre os eventos mais intensos já registrados desde meados do século passado.
O que significa um El Niño muito forte
Embora o termo “Super El Niño” seja amplamente utilizado pela imprensa e pelo público, a classificação oficial empregada por órgãos meteorológicos costuma utilizar expressões como forte ou muito forte, baseadas na intensidade da anomalia de temperatura do Oceano Pacífico.
Eventos dessa magnitude costumam alterar significativamente os padrões climáticos globais.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a NOAA, episódios muito intensos podem provocar secas prolongadas em algumas regiões, excesso de chuva em outras, aumento das temperaturas médias globais e impactos importantes sobre agricultura, recursos hídricos e geração de energia.
Quais podem ser os impactos para o Brasil
Embora cada episódio apresente características próprias, o histórico mostra alguns padrões que frequentemente acompanham eventos fortes de El Niño.
No Sul do Brasil, normalmente aumenta a probabilidade de chuvas acima da média, especialmente durante a primavera e o verão.
Já parte do Norte e do Nordeste costuma enfrentar redução das precipitações e maior risco de estiagem.
No Centro-Oeste e em áreas do Sudeste, episódios de calor acima da média também tendem a ocorrer com maior frequência.
Especialistas lembram, entretanto, que o El Niño não determina sozinho o comportamento do clima. Outros sistemas atmosféricos e oceânicos também influenciam as condições meteorológicas observadas no país.
Agricultura, energia e Defesa Civil acompanham os modelos
A intensificação do fenômeno também desperta atenção em setores estratégicos da economia.
Produtores rurais utilizam as previsões sazonais para planejar calendário agrícola, manejo de irrigação e escolha das culturas.
Empresas do setor elétrico acompanham a evolução das chuvas devido aos impactos sobre reservatórios hidrelétricos.
Já órgãos de Defesa Civil monitoram possíveis alterações no risco de enchentes, deslizamentos, secas e ondas de calor.
Segundo especialistas, quanto maior a antecedência das previsões, maiores são as possibilidades de planejamento e redução dos impactos econômicos.
Fenômeno deve continuar influenciando o clima em 2027
As projeções mais recentes indicam que, mesmo após atingir seu pico entre outubro e dezembro, o El Niño não deverá desaparecer imediatamente.
A expectativa é de enfraquecimento gradual ao longo do primeiro semestre de 2027, embora o sistema ainda permaneça ativo durante parte desse período.
Segundo a NOAA, existe 97% de probabilidade de o El Niño persistir pelo menos até o início da primavera do Hemisfério Norte de 2027, mantendo influência sobre o clima global.
Vídeo detalha evolução do fenômeno e interpretação dos modelos
Em vídeo publicado em seu canal oficial, Leandro Puchalski apresenta mapas de temperatura do Oceano Pacífico, explica como os meteorologistas acompanham a evolução do ENSO e mostra por que os modelos climáticos passaram a indicar um cenário de intensificação acelerada do fenômeno.
O especialista reforça que a análise atual tem como foco a evolução física do El Niño e lembra que os efeitos sobre cada região dependem da interação entre diversos sistemas atmosféricos. Ainda assim, diante da alta probabilidade de um evento muito forte nos próximos meses, produtores rurais, empresas do setor elétrico, gestores públicos e moradores de áreas vulneráveis devem acompanhar atentamente as próximas atualizações dos órgãos oficiais de meteorologia.
