Linhas 11, 12 e 13 paradas, milhares de passageiros afetados e disputa sobre concessões: o que está por trás da greve na CPTM que mudou a rotina de São Paulo

A greve dos ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) provocou mudanças significativas na mobilidade da Grande São Paulo nesta terça-feira, afetando diretamente milhares de passageiros que utilizam diariamente as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. O movimento, organizado pelo sindicato da categoria, ocorre em meio ao debate sobre a concessão desses ramais à iniciativa privada e à preocupação dos trabalhadores com a preservação dos empregos e das condições de trabalho.

A paralisação levou o Governo de São Paulo a colocar em prática um plano emergencial de transporte, reforçar a operação do Metrô e suspender o rodízio municipal de veículos para reduzir os impactos sobre a população. As informações foram detalhadas durante cobertura ao vivo da repórter Larissa Alves, do SBT News, diretamente da estação Barra Funda.

Como está funcionando cada linha da CPTM

A greve não interrompeu completamente toda a malha ferroviária, mas reduziu de forma significativa a circulação em três importantes linhas da CPTM.

Segundo o plano operacional divulgado durante a manhã, a Linha 11-Coral funciona apenas entre Luz/Barra Funda e Guaianases, enquanto o trecho entre Guaianases e Estudantes permanece sem circulação.

Na Linha 12-Safira, os trens operam somente entre Calmon Viana e Engenheiro Goulart, deixando parte dos usuários sem atendimento ferroviário.

Já a Linha 13-Jade, responsável pela ligação com o Aeroporto Internacional de Guarulhos, foi totalmente paralisada.

Como consequência, o serviço Expresso Aeroporto também deixou de operar.

Greve tem como principal alvo as concessões

Segundo representantes dos ferroviários, a paralisação foi motivada pelas concessões das linhas 11, 12 e 13 à iniciativa privada.

Os trabalhadores afirmam que o novo modelo gera insegurança em relação à manutenção dos empregos e às condições futuras de trabalho.

Entre as reivindicações apresentadas pelo sindicato estão a suspensão da concessão das linhas, a preservação dos postos de trabalho dos funcionários da CPTM e a interrupção de projetos de privatização de outros serviços públicos em discussão na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Na avaliação da categoria, a greve representa uma forma de pressionar por novas negociações com o governo estadual.

Paralisação ocorre após sequência de falhas operacionais

O movimento também acontece poucos dias depois de problemas registrados em linhas concedidas à iniciativa privada.

Nas últimas semanas, episódios envolvendo interrupções na circulação de trens, falhas operacionais e um incêndio em composição chamaram a atenção dos passageiros e aumentaram o debate sobre o modelo de concessão adotado no sistema ferroviário paulista.

Durante a cobertura do SBT News, foi lembrado que essas ocorrências elevaram a pressão sobre a operação e motivaram investigações conduzidas pelos órgãos competentes.

O Ministério Público de São Paulo analisa representações relacionadas aos episódios para verificar eventuais responsabilidades.

Plano emergencial tenta reduzir impactos

Para diminuir os transtornos causados pela paralisação, o Governo de São Paulo ativou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (PAESE).

Segundo as informações divulgadas, 128 ônibus foram disponibilizados para atender os trechos afetados pelas interrupções ferroviárias.

Além disso, o Metrô reforçou a operação em diversas linhas.

As linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata iniciaram a operação mais cedo, enquanto a Linha 3-Vermelha recebeu mais composições para absorver parte da demanda da Zona Leste.

Também foi anunciada a suspensão do rodízio municipal de veículos durante o dia para facilitar o deslocamento por automóveis particulares, aplicativos e táxis.

Justiça determinou operação mínima

Antes do início da greve, o Governo de São Paulo obteve decisão judicial estabelecendo percentuais mínimos de funcionamento.

A liminar determina que o sindicato mantenha 80% dos funcionários nos horários de pico e 60% nos demais períodos.

Caso a determinação não seja cumprida, foi fixada multa diária de R$ 400 mil ao sindicato.

Mesmo com a decisão, parte significativa dos serviços permaneceu comprometida ao longo da manhã.

Transporte ferroviário é fundamental para a Região Metropolitana

A CPTM integra um dos maiores sistemas ferroviários urbanos da América Latina.

Diariamente, centenas de milhares de passageiros utilizam seus ramais para deslocamentos entre municípios da Região Metropolitana e a capital paulista.

As linhas 11, 12 e 13 atendem regiões populosas da Zona Leste de São Paulo, municípios do Alto Tietê e a ligação ferroviária com o Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Por esse motivo, qualquer paralisação costuma produzir reflexos imediatos no trânsito, na operação dos ônibus e no funcionamento do Metrô.

Passageiros devem acompanhar atualizações

Como a greve foi anunciada por tempo indeterminado, a operação poderá sofrer alterações ao longo do dia conforme avancem as negociações entre sindicato, Governo do Estado e representantes das concessionárias.

A CPTM e os demais órgãos de transporte orientam os passageiros a acompanhar os canais oficiais antes de iniciar o deslocamento, verificando possíveis mudanças na circulação dos trens, disponibilidade de ônibus do PAESE e funcionamento das integrações.

Quem utiliza diariamente as linhas afetadas também deve considerar rotas alternativas enquanto persistirem as restrições operacionais.

Cobertura ao vivo mostra situação nas estações

Durante transmissão ao vivo do SBT News, a repórter Larissa Alves acompanhou a movimentação na estação Barra Funda e explicou como a greve alterou a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. A reportagem mostrou o impacto sobre passageiros, detalhou o plano emergencial adotado pelo Governo de São Paulo, apresentou as reivindicações dos ferroviários e trouxe informações sobre a decisão judicial que determinou a manutenção de parte da operação enquanto prosseguem as negociações entre as partes.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional graduado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB) no ano de 2020.Com mais de 15 anos de experiência como redator web, especializou-se na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse público, incluindo grandes investimentos macroeconômicos, economia, negócios no esporte e o impacto de megaprojetos no PIB nacional. Sua dedicação à precisão e relevância tornou seu trabalho uma referência nesses segmentos, ajudando milhares de leitores a se manterem bem informados.