Uma nova mudança no tempo deve marcar o fim desta semana no Sul do Brasil. A formação de um ciclone extratropical entre Argentina e Uruguai favorecerá a chegada de uma massa de ar frio que promete provocar rajadas de vento de até 70 km/h e reduzir significativamente as temperaturas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Segundo o meteorologista Leandro Puchalski, o período mais intenso do fenômeno deve ocorrer entre quinta e sexta-feira (06 e 07 de agosto), enquanto o amanhecer de sábado (08) tende a registrar as menores temperaturas.
A previsão indica que o ciclone permanecerá sobre o oceano após sua formação, mas atuará como o principal mecanismo responsável por impulsionar o ar polar em direção ao território brasileiro. Com isso, cidades da Região Sul poderão registrar temperaturas inferiores a 10°C, especialmente em áreas de maior altitude e no interior gaúcho.
Ciclone extratropical será o motor da mudança no tempo
De acordo com Leandro Puchalski, o sistema começa a se organizar na região do Rio da Prata, entre Buenos Aires e Montevidéu, antes de avançar em direção ao Oceano Atlântico, próximo ao litoral do Rio Grande do Sul.
Embora muitas pessoas associem o ciclone diretamente ao frio, o meteorologista explica que sua principal função é impulsionar a massa de ar polar.
“Será esse ciclone que vai em direção ao oceano que vai impulsionar uma massa de ar mais frio e, por isso, as temperaturas tendem a diminuir”, afirma o especialista.
Esse comportamento é comum durante o inverno na América do Sul, quando sistemas de baixa pressão favorecem o deslocamento de massas polares para latitudes mais baixas.
Ventos podem atingir até 70 km/h
Além da queda nas temperaturas, outro destaque da previsão é a intensidade do vento.
Segundo Puchalski, as rajadas devem ganhar força entre a tarde de quinta-feira e a sexta-feira, atingindo grande parte da Região Sul.
“Nós vamos ter rajadas que podem variar entre 50 e 70 km/h na maior parte das cidades. Nas áreas mais altas, pontualmente pode ventar um pouco mais, mas isso acaba sendo exceção”, explica.
As regiões mais suscetíveis incluem o Rio Grande do Sul, o oeste e a serra de Santa Catarina, além do sul do Paraná.
Em locais elevados, as rajadas poderão provocar queda de galhos, interrupções pontuais no fornecimento de energia elétrica e dificuldades em rodovias.
Massa de ar polar derruba temperaturas
Após a passagem do ciclone, o avanço da massa de ar frio mudará completamente o cenário meteorológico.
Segundo Leandro Puchalski, o resfriamento começará ainda na sexta-feira, mas será durante a madrugada e o amanhecer de sábado que o frio atingirá seu ponto mais intenso.
“No Rio Grande do Sul deve amanhecer abaixo de 10°C nas primeiras horas do sábado”, destaca.
As menores temperaturas deverão ocorrer principalmente:
- no interior do Rio Grande do Sul;
- na Serra Gaúcha;
- na Serra Catarinense;
- no oeste de Santa Catarina;
- no sul do Paraná.
Em outras áreas de Santa Catarina e Paraná também haverá queda de temperatura, embora menos intensa.
Frio ainda depende da trajetória da massa polar
Apesar da previsão indicar uma mudança significativa no tempo, a intensidade do frio ainda poderá sofrer ajustes.
Segundo Puchalski, isso ocorre porque os modelos meteorológicos continuam refinando a trajetória da massa de ar frio.
“A gente ainda precisa acompanhar um pouco melhor nos próximos dias para entender até onde essa massa de ar frio vai entrar. Isso é fundamental para saber o quanto as temperaturas vão baixar”, explica.
Caso o núcleo mais intenso da massa polar avance um pouco mais para o norte, cidades do Sudeste poderão sentir uma queda mais expressiva nos termômetros.
Chuva e temporais antecedem a chegada do ar frio
Antes da entrada definitiva do ar polar, parte da Região Sul ainda poderá registrar chuva e temporais.
A combinação entre o sistema de baixa pressão e a frente fria favorece instabilidades que antecedem a mudança para um tempo mais seco.
Esse comportamento também é típico durante o inverno, quando frentes frias costumam ser acompanhadas inicialmente por chuva, seguida pela entrada do ar frio.
Após a passagem do sistema, a tendência é de diminuição das precipitações e predomínio de tempo firme.
Inverno favorece grandes contrastes climáticos no Brasil
Enquanto o Sul enfrenta frio intenso, outras regiões continuarão vivendo uma realidade bastante diferente.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), agosto costuma apresentar temperaturas elevadas durante a tarde em grande parte do Centro-Oeste, Sudeste e interior do Nordeste, acompanhadas por baixos índices de umidade relativa do ar.
Essa combinação favorece queimadas, amplia o desconforto respiratório e aumenta a necessidade de hidratação da população.
Ao mesmo tempo, massas de ar polar conseguem alcançar com frequência o Sul do país, produzindo grandes contrastes entre as diferentes regiões brasileiras.
Defesa Civil recomenda atenção aos ventos
Diante da previsão de rajadas de até 70 km/h, órgãos de Defesa Civil normalmente orientam a população a evitar estacionar veículos sob árvores, placas metálicas ou estruturas instáveis.
Também é recomendado recolher objetos soltos em quintais e varandas, acompanhar os avisos meteorológicos oficiais e redobrar os cuidados em rodovias, principalmente durante períodos de chuva e ventania.
Nas regiões onde o frio será mais intenso, especialistas também orientam atenção especial a idosos, crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Vídeo detalha a evolução do ciclone e da massa de ar frio
Em vídeo publicado em seu canal oficial, o meteorologista Leandro Puchalski apresenta mapas atualizados da atmosfera e explica como o ciclone extratropical formado entre Argentina e Uruguai impulsionará uma massa de ar polar em direção ao Sul do Brasil.
Durante a análise, ele detalha as áreas com maior risco de ventania, mostra onde as rajadas poderão atingir até 70 km/h e comenta por que cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná podem registrar temperaturas inferiores a 10°C ao longo do próximo fim de semana.
