O que parecia ser um investimento capaz de gerar renda passiva durante décadas acabou se transformando em um dos maiores arrependimentos financeiros da vida do criador do canal Figueiró Investe. Depois de aplicar aproximadamente R$ 150 mil na construção de uma microusina de energia solar, o investidor viu o projeto praticamente parar de funcionar após mudanças regulatórias relacionadas à chamada inversão de fluxo, iniciando uma disputa que já se arrasta há cerca de dois anos.
Em vídeo publicado em seu canal, ele relata que a expectativa era obter um retorno próximo de 2% ao mês, rendimento muito superior ao que conseguia em sua carteira de investimentos na época. Hoje, porém, a realidade é outra: placas desconectadas, equipamentos perdendo valor, despesas mensais de manutenção e um processo judicial sem previsão de conclusão.
“Não é uma história de investimento feliz; pelo contrário, é uma história bem triste onde acabei perdendo bastante dinheiro”, desabafa o investidor durante o vídeo.
A promessa de uma renda acima da média
Segundo o relato, a decisão começou logo após a venda de um apartamento em 2024.
Com recursos disponíveis para investir, ele procurava alternativas que oferecessem rendimento superior ao obtido em aplicações financeiras tradicionais. Foi nesse momento que um amigo apresentou a proposta de construir uma microusina solar composta por 89 módulos fotovoltaicos.
Os cálculos apresentados eram bastante atrativos.
O investimento inicial de aproximadamente R$ 150 mil prometia gerar cerca de R$ 3 mil por mês, equivalente a uma rentabilidade próxima de 2% mensais.
“Para quem conhece um pouquinho de investimento sabe que é bem interessante”, comenta o criador do canal ao recordar o entusiasmo da época.
Movido pela expectativa de aproveitar uma oportunidade considerada rara, ele admite que deixou de fazer análises mais profundas sobre riscos regulatórios e técnicos envolvidos no empreendimento.

O que é a inversão de fluxo
O maior problema surgiu poucas semanas depois do início do projeto.
Segundo o investidor, uma nova regulamentação passou a permitir que concessionárias limitassem projetos de geração distribuída quando identificassem situações de inversão de fluxo.
Esse fenômeno acontece quando uma usina produz mais energia do que a rede local consegue consumir naquele momento, fazendo com que o excedente retorne para a infraestrutura da distribuidora.
De acordo com ele, as concessionárias argumentam que esse retorno pode comprometer a estabilidade da rede elétrica em determinadas regiões. Já o investidor contesta essa interpretação.
“Já foi comprovado que não é. Mas acabou sendo uma brecha. Se eu estou produzindo minha própria energia, a concessionária não tem do que cobrar, então não é interessante para ela”, afirma.
Segundo ele, a concessionária apresentou estudos técnicos que considera equivocados para limitar drasticamente a potência autorizada da usina.
Inicialmente, a instalação recebeu autorização para operar com menos de 10% da capacidade prevista. Mesmo após revisões do projeto, a ampliação da potência autorizada ficou muito abaixo do esperado.
Equipamentos parados e prejuízo crescente
A consequência foi imediata.
Grande parte da estrutura instalada permanece sem utilização plena, enquanto os equipamentos sofrem desgaste natural causado pelo tempo.
Além do investimento inicial, o proprietário continua arcando com despesas recorrentes para manter a estrutura em funcionamento mínimo.
Ele afirma que paga mensalmente taxa de disponibilidade da energia elétrica, internet necessária para monitoramento remoto e serviços periódicos de limpeza do terreno e corte do mato para evitar danos às placas e o aparecimento de animais peçonhentos.
Segundo o investidor, abandonar completamente o local também não é uma opção.
Revenda hoje representaria perda enorme
Mesmo vendendo os equipamentos, o prejuízo continuaria elevado.
Durante o vídeo, o criador do canal revela que realizou recentemente uma cotação para vender as placas solares e os inversores.
O resultado foi desanimador.
“Fiz um orçamento inclusive outro dia; vendendo as placas e o inversor, não dava R$ 60 mil.”
Isso significa que o patrimônio investido sofreu uma desvalorização expressiva antes mesmo de gerar o retorno esperado.
Impacto foi além do dinheiro
O investidor afirma que o prejuízo financeiro acabou afetando também sua saúde emocional e sua rotina familiar.
Segundo ele, o projeto deixou de representar independência financeira para se tornar uma preocupação constante.
“Já chorei bastante, mexeu bastante com a minha questão mental e com a minha família. O dinheiro a gente conquista de novo, mas a nossa paz e a sensação de impotência não têm dinheiro que pague.”
Enquanto aguarda uma decisão judicial, ele continua visitando regularmente o terreno para realizar manutenção básica da estrutura.
Em um dos trechos do vídeo, mostra as placas cercadas por vegetação alta e comenta que passa parte dos finais de semana cuidando de um investimento que praticamente não produz retorno.
Os erros que ele diz ter cometido
Ao compartilhar sua experiência, o investidor afirma que não pretende apenas relatar o prejuízo, mas alertar outras pessoas que estejam considerando investimentos semelhantes.
Segundo ele, um dos maiores erros foi confiar excessivamente na relação de amizade com pessoas envolvidas no projeto, deixando contratos e garantias em segundo plano.
Outro ponto citado foi a falta de conhecimento técnico sobre o setor elétrico.
Ele reconhece que não dominava as regras de geração distribuída nem compreendia completamente os riscos regulatórios existentes.
Também admite ter cometido um erro clássico do mercado financeiro: concentrar praticamente todo o capital disponível em um único investimento.
Na avaliação dele, qualquer proposta que apresente rentabilidade muito acima da média merece uma investigação cuidadosa antes da tomada de decisão.
Processo judicial continua sem desfecho
O caso segue sendo discutido judicialmente e, até o momento, a microusina continua operando de forma limitada.
Enquanto aguarda uma definição, os equipamentos permanecem parcialmente desligados para cumprir as restrições impostas pela concessionária.
Em vídeo publicado em seu canal oficial (veja abaixo), o criador do Figueiró Investe detalha toda a cronologia do investimento, mostra imagens atuais da usina, explica como ocorreu o bloqueio relacionado à inversão de fluxo e compartilha os documentos e argumentos que embasam a disputa judicial.
Ao encerrar o relato, ele deixa um conselho que considera a principal lição de toda essa experiência.
“A pessoa sábia aprende com os erros dos outros; a inteligente aprende com os próprios erros. Use esse exemplo para entender que tem coisa que a gente tem que pensar muito bem antes de fazer.”
Créditos: As informações foram apresentadas pelo criador do canal Figueiró Investe em vídeo publicado em seu canal oficial.
