Por que ter R$ 21.912 na conta faz os bancos ‘perderem’ dinheiro? Entenda o segredo da reserva financeira

Valor simbólico representa seis meses do salário médio do brasileiro e marca o ponto em que o cliente deixa de ser lucrativo para as instituições financeiras; entenda a lógica por trás do 'spread' bancário e do score secreto.

Ter uma reserva financeira de R$ 21.912 pode representar um ponto de virada na vida financeira de muitos brasileiros. A afirmação é do influenciador Thiago Nigro, conhecido como O Primo Rico, que defende que esse montante reduz a dependência do crédito bancário e diminui a rentabilidade que o consumidor gera para as instituições financeiras.

Segundo a análise apresentada em um vídeo publicado no canal O Primo Rico, o valor não foi escolhido por acaso. Ele corresponde a aproximadamente seis meses da renda média do trabalhador brasileiro, estimada em cerca de R$ 3.652, e seria suficiente para formar uma reserva de emergência capaz de impedir que imprevistos levem o consumidor ao cheque especial, ao rotativo do cartão de crédito ou ao empréstimo pessoal.

“O ponto é simples: quando você tem uma reserva, deixa de precisar recorrer ao banco toda vez que acontece um problema. É aí que a lógica muda”, afirma o influenciador Thiago Nigro durante a análise.

O lucro dos bancos está na diferença entre captar e emprestar dinheiro

Para explicar sua tese, Thiago Nigro recorre ao conceito de spread bancário, indicador que representa a diferença entre o custo de captação dos bancos e os juros cobrados nos empréstimos concedidos aos clientes.

Na prática, quando uma pessoa aplica recursos em produtos como CDBs ou outras aplicações de renda fixa, o banco remunera esse dinheiro por uma determinada taxa. Em seguida, utiliza esses recursos para conceder crédito a outros consumidores cobrando juros significativamente maiores.

“O banco vai te pagar cerca de 14% ao ano quando você empresta dinheiro para ele e depois pode cobrar mais de 400% ao ano quando esse dinheiro volta para você em forma de crédito”, explica o influenciador.

Ele cita modalidades conhecidas pelos consumidores brasileiros, como o cheque especial, o crédito pessoal sem garantia e o rotativo do cartão de crédito, que tradicionalmente apresentam algumas das maiores taxas de juros do mercado.

Veja o vídeo na íntegra

Brasil tem um dos spreads bancários mais elevados

Durante a apresentação, o especialista afirma que o Brasil figura entre os países com maior spread bancário do mundo.

Segundo dados mencionados por ele, enquanto diversas economias operam com diferenças relativamente pequenas entre o custo de captação e as taxas de empréstimos, o mercado brasileiro apresenta uma distância muito superior, fator que contribui para elevar a rentabilidade das operações de crédito.

Na avaliação de Thiago Nigro, isso ajuda a explicar por que consumidores frequentemente recebem ofertas de aumento de limite, cartões de crédito e empréstimos pré-aprovados.

Bancos analisam mais do que o score de crédito

Outro ponto abordado no vídeo é a forma como as instituições financeiras avaliam seus clientes.

Além do tradicional score de crédito, utilizado para medir o histórico de pagamento, o influenciador afirma que os bancos trabalham com modelos internos capazes de estimar quanto lucro determinado consumidor poderá gerar ao longo do relacionamento.

Segundo ele, dois clientes com renda semelhante podem receber tratamentos completamente diferentes dependendo do comportamento financeiro apresentado.

“O cliente que vive parcelando, utiliza o rotativo e paga juros todos os meses acaba sendo muito mais lucrativo para o banco do que aquele que paga tudo em dia e ainda mantém dinheiro investido”, afirma.

Quem evita juros tende a ser menos rentável

Durante a análise, Thiago Nigro compara dois perfis bastante comuns.

O primeiro é o consumidor que recebe salário, utiliza praticamente toda a renda, parcela compras e eventualmente entra no crédito rotativo. Já o segundo mantém gastos abaixo da renda mensal e consegue acumular uma reserva financeira.

Segundo o influenciador, embora ambos possam possuir bom histórico de pagamento, o primeiro tende a gerar mais receitas para o banco justamente por utilizar produtos de crédito com maior frequência.

“O banco ganha muito mais quando você precisa dele do que quando você consegue resolver seus problemas usando a própria reserva financeira”, comenta.

Empresas, bancos e governo fazem parte da mesma engrenagem, diz especialista

Outro aspecto levantado no vídeo é que o crédito exerce papel importante em diferentes setores da economia.

Segundo Thiago Nigro, empresas dependem do consumo financiado para ampliar vendas, bancos lucram com a intermediação financeira e operações de crédito, enquanto o governo arrecada tributos incidentes sobre boa parte das transações econômicas.

“As três peças têm interesses diferentes, mas acabam caminhando na mesma direção. Todas dependem de uma economia girando o tempo inteiro”, afirma.

Como construir uma reserva financeira

Na avaliação do influenciador, o primeiro passo para atingir a marca de R$ 21.912 é eliminar dívidas com juros elevados, especialmente aquelas relacionadas ao cartão de crédito e ao cheque especial.

Depois disso, ele recomenda que o trabalhador passe a reservar parte da renda logo após receber o salário, transformando o investimento em uma despesa fixa do orçamento.

Thiago Nigro também orienta que a reserva de emergência seja aplicada em investimentos de baixo risco e alta liquidez, como Tesouro Selic, CDBs atrelados ao CDI e fundos conservadores de renda fixa, permitindo acesso rápido aos recursos quando houver necessidade.

Segundo ele, o dinheiro deve ser utilizado exclusivamente em situações inesperadas, como perda do emprego, problemas de saúde ou despesas urgentes, evitando que seja consumido por gastos não planejados.

Vídeo detalha por que a reserva reduz a dependência do crédito

Em vídeo publicado no canal O Primo Rico, Thiago Nigro explica de forma detalhada como chegou ao valor de R$ 21.912, apresenta exemplos sobre o funcionamento do spread bancário e mostra por que considera a formação de uma reserva financeira um dos principais passos para diminuir a dependência do crédito e fortalecer a saúde financeira das famílias brasileiras.

Embora o valor possa variar conforme a renda e o padrão de vida de cada pessoa, especialistas em educação financeira costumam recomendar a formação de uma reserva equivalente a vários meses das despesas mensais. O objetivo é oferecer proteção diante de imprevistos e reduzir a necessidade de recorrer a linhas de crédito que normalmente possuem juros elevados.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional graduado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Possui mais de 15 anos de experiência como redator e criador de conteúdo para portais de notícias.Saulo se especializou na produção de artigos sobre temas de grande interesse social, no âmbito da economia, benefícios sociais e direitos trabalhistas.