Milhões de brasileiros e empresas ainda têm recursos esquecidos em instituições financeiras, segundo atualização divulgada pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (14). O levantamento, com dados contabilizados até maio deste ano, mostra que R$ 6,241 bilhões continuam disponíveis para resgate, mesmo após parte dos recursos ter sido transferida pelo governo para um fundo destinado ao programa Desenrola 2.0.
O sistema oficial do BC permanece aberto para consultas e permite que pessoas físicas, empresas e até herdeiros de pessoas falecidas verifiquem se possuem valores a receber.
Banco Central atualiza saldo de dinheiro esquecido nas instituições financeiras
O Banco Central informou que ainda existem R$ 6.241.619.685,05 em valores esquecidos nas instituições financeiras do país.
Desse montante:
- R$ 4.437.422.917,99 pertencem a 24.080.039 pessoas físicas;
- R$ 1.804.196.767,06 correspondem a recursos de 2.274.851 empresas.
Os números mostram que milhões de brasileiros ainda não realizaram o resgate de recursos deixados em bancos, cooperativas de crédito, administradoras de consórcio e outras instituições financeiras.
O levantamento considera informações registradas até maio e demonstra que, apesar das campanhas realizadas pelo Banco Central para incentivar a consulta, uma parcela significativa do dinheiro continua aguardando solicitação pelos respectivos titulares.
O que são os valores esquecidos?
Os chamados valores esquecidos são recursos que permaneceram disponíveis em instituições financeiras após o encerramento de contas ou contratos.
Entre os exemplos mais comuns estão:
- saldo de contas-correntes ou poupanças encerradas;
- tarifas cobradas indevidamente e posteriormente devolvidas;
- parcelas ou sobras de consórcios encerrados;
- cotas de cooperativas de crédito;
- recursos de contas de pagamento;
- outros créditos registrados pelas instituições financeiras.
Esses valores continuam pertencendo aos seus donos e podem ser consultados gratuitamente por meio do sistema oficial do Banco Central.
Parte dos recursos foi destinada ao Fundo de Garantia de Operações
O volume atualmente disponível é inferior ao registrado anteriormente porque parte dos recursos foi transferida pelo governo federal.
Em março, o Banco Central informava a existência de aproximadamente R$ 10,6 bilhões em valores esquecidos.
Posteriormente, cerca de R$ 5,7 bilhões foram encaminhados ao Fundo de Garantia de Operações (FGO).
Segundo o governo, essa medida teve como objetivo oferecer garantias para operações de crédito vinculadas ao Desenrola 2.0, programa voltado à renegociação de dívidas.
Na prática, parte desse fundo poderá ser utilizada para cobrir eventuais inadimplências nas operações realizadas pelas instituições financeiras participantes.
Ao anunciar a medida, o governo informou que 10% do saldo transferido permaneceria reservado para atender futuros pedidos de resgate feitos pelos verdadeiros titulares dos recursos.
Uso do dinheiro entrou na mira do Tribunal de Contas da União
A utilização desses recursos passou a ser analisada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Os técnicos do órgão avaliam se o emprego do dinheiro para financiar programas federais ocorreu em conformidade com as regras fiscais e orçamentárias.
O principal ponto da análise envolve o fato de que os recursos transferidos ao FGO não passaram diretamente pelo Orçamento da União.
Caso fossem contabilizados como despesas orçamentárias, os valores estariam sujeitos ao limite de crescimento dos gastos públicos, atualmente limitado a um percentual acima da inflação.
Especialistas apontam que essa discussão possui impacto relevante sobre a execução fiscal do governo, especialmente em um período de restrições orçamentárias e necessidade de bloqueios em despesas discricionárias.
Recentemente, o próprio governo informou o bloqueio de R$ 23,7 bilhões no orçamento dos ministérios para cumprir as regras fiscais em vigor.
Como consultar se há dinheiro esquecido em seu nome
O Banco Central reforça que existe apenas um canal oficial para realizar consultas.
O procedimento é simples e gratuito.
Basta acessar o sistema oficial de Valores a Receber e informar os dados solicitados.
Podem realizar consultas:
- pessoas físicas;
- empresas;
- herdeiros;
- inventariantes;
- representantes legais;
- testamentários de pessoas falecidas.
É importante evitar sites desconhecidos ou mensagens recebidas por aplicativos que prometem antecipar consultas ou liberar recursos mediante pagamento, pois o Banco Central não cobra qualquer taxa para esse serviço.
Como solicitar a devolução dos valores
Após identificar que existem recursos disponíveis, o cidadão poderá solicitar o resgate diretamente pelo sistema.
Para isso, normalmente será necessário informar uma chave PIX válida.
Caso o usuário ainda não possua uma chave cadastrada, existem duas possibilidades:
- criar uma chave PIX e retornar ao sistema posteriormente;
- entrar em contato diretamente com a instituição financeira para combinar outra forma de recebimento.
Nos casos envolvendo pessoas falecidas, o procedimento exige documentação específica.
O interessado deverá comprovar sua condição de:
- herdeiro;
- inventariante;
- testamentário;
- representante legal.
Também será necessário preencher um termo de responsabilidade antes do prosseguimento da solicitação.
Após a consulta, o Banco Central orienta que o cidadão siga exatamente os procedimentos indicados pela instituição financeira responsável pelos recursos.
Milhões de brasileiros ainda não resgataram os valores
Mesmo após anos de funcionamento do Sistema de Valores a Receber (SVR), os números mostram que milhões de pessoas ainda possuem dinheiro disponível.
Os dados divulgados pelo Banco Central indicam mais de 24 milhões de pessoas físicas com recursos pendentes.
Além disso, mais de 2,2 milhões de empresas ainda não solicitaram a devolução dos valores registrados em seu nome.
Grande parte desses recursos corresponde a pequenos valores individuais, mas existem casos de quantias significativamente maiores, dependendo do histórico bancário do titular.
Por isso, o Banco Central recomenda que todos realizem consultas periódicas, especialmente após encerramento de contas bancárias, participação em consórcios ou relacionamento com cooperativas de crédito.
Serviço ao leitor: veja como consultar o dinheiro esquecido
Quem deseja verificar se possui valores a receber deve seguir este passo a passo:
- Acesse o sistema oficial do Banco Central para consulta de valores a receber.
- Informe os dados solicitados para identificar se existem recursos disponíveis.
- Caso haja valores, faça login utilizando sua conta Gov.br.
- Informe uma chave PIX para receber o depósito ou siga as orientações fornecidas pela instituição financeira.
- Se os valores forem de uma pessoa falecida, apresente a documentação exigida e preencha o termo de responsabilidade.
O Banco Central destaca que não envia links por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagens, nem solicita pagamento para liberar recursos.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quem pode consultar dinheiro esquecido no Banco Central?
Pessoas físicas, empresas e também herdeiros, inventariantes, representantes legais e testamentários de pessoas falecidas podem realizar a consulta.
Quanto ainda existe de dinheiro esquecido?
Segundo atualização do Banco Central, permanecem disponíveis R$ 6,241 bilhões em instituições financeiras.
É preciso pagar para consultar?
Não. A consulta e a solicitação de devolução são totalmente gratuitas.
Como recebo o dinheiro?
Na maioria dos casos, o pagamento é realizado por meio de uma chave PIX informada pelo titular. Caso não exista chave cadastrada, a instituição financeira orientará outra forma de pagamento.
O dinheiro esquecido tem prazo para ser resgatado?
O sistema continua disponível para consultas e solicitações. O Banco Central recomenda que os titulares verifiquem regularmente se possuem valores a receber.
Onde fazer a consulta oficial?
A consulta deve ser feita exclusivamente no sistema oficial do Banco Central: https://valoresareceber.bcb.gov.br.
