Milhões de brasileiros que recebem benefícios sociais do governo federal terão novas exigências em 2026 para manter os pagamentos ativos. Uma nova regra do Cadastro Único (CadÚnico), oficializada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), passou a exigir atualização obrigatória dos dados a cada 24 meses, além de entrevista domiciliar para determinados beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
A medida foi estabelecida pela Portaria MDS nº 1.145/2025, em vigor desde 1º de janeiro de 2026. Segundo o governo federal, o objetivo é aumentar a fiscalização dos programas sociais, combater fraudes e garantir que os recursos sejam destinados às famílias que realmente atendem aos critérios de vulnerabilidade social.
Entre as principais mudanças, está a obrigatoriedade de entrevista domiciliar para famílias unipessoais — aquelas compostas por apenas uma pessoa — que recebem o Bolsa Família ou o BPC.
Além disso, beneficiários que não atualizarem os dados dentro do prazo poderão sofrer bloqueio, suspensão ou até cancelamento do benefício.
O que muda no Cadastro Único em 2026
O Cadastro Único continua sendo a principal ferramenta utilizada pelo governo federal para identificar famílias de baixa renda no Brasil.
Por meio do CadÚnico, milhões de brasileiros têm acesso a programas sociais como:
- Bolsa Família;
- Benefício de Prestação Continuada (BPC);
- Tarifa Social de Energia Elétrica;
- Minha Casa Minha Vida;
- Carteira da Pessoa Idosa;
- isenção de taxa em concursos públicos;
- programas estaduais e municipais de assistência social.
Criado em 2001, o sistema reúne informações socioeconômicas das famílias brasileiras e serve de base para a concessão de benefícios e políticas públicas.
Com a nova regulamentação, o governo endurece as regras de acompanhamento cadastral e reforça a necessidade de atualização frequente das informações.
Atualização do CadÚnico passa a ser obrigatória
Pelas novas regras, as famílias inscritas no Cadastro Único deverão atualizar os dados obrigatoriamente a cada 24 meses.
Antes, a atualização periódica já era recomendada, mas agora passa a funcionar como condição essencial para continuidade dos benefícios sociais.
O governo alerta que informações desatualizadas podem gerar inconsistências no sistema e levar ao bloqueio dos pagamentos.
Precisam ser informadas alterações como:
- nascimento de filhos;
- mudança de endereço;
- troca de escola;
- alteração de renda;
- novo emprego;
- saída ou entrada de moradores na residência;
- mudança no estado civil.
A atualização deve ser feita presencialmente nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) ou em postos municipais de atendimento do Cadastro Único.
Entrevista domiciliar será obrigatória para famílias unipessoais
Uma das principais novidades da Portaria MDS nº 1.145/2025 é a exigência de entrevista domiciliar obrigatória para famílias unipessoais beneficiárias do Bolsa Família e do BPC.
Na prática, isso significa que pessoas que moram sozinhas e recebem benefícios sociais poderão receber visita de agentes responsáveis pela verificação das informações declaradas no CadÚnico.
Segundo o governo, a medida busca reforçar a fiscalização em um grupo que apresentou forte crescimento nos últimos anos.
Especialistas em assistência social apontam que o aumento acelerado de cadastros unipessoais acendeu alerta nas equipes de fiscalização, principalmente por suspeitas de irregularidades em alguns registros.
Com a entrevista domiciliar, o governo pretende confirmar:
- composição familiar;
- situação de moradia;
- renda informada;
- condições de vulnerabilidade social;
- autenticidade das informações cadastrais.
Quem pode se cadastrar no CadÚnico em 2026
As regras de elegibilidade do Cadastro Único também foram atualizadas para 2026.
Podem se cadastrar:
- famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa;
- famílias com renda total de até três salários mínimos.
Com o salário mínimo fixado em R$ 1.621 em 2026, o limite por integrante da família passou a ser de R$ 810,50 mensais.
O governo também prevê exceções para famílias com renda superior que participem de programas específicos vinculados ao Cadastro Único.
Além disso, grupos considerados em situação de maior vulnerabilidade continuam tendo prioridade no sistema, incluindo:
- indígenas;
- quilombolas;
- ribeirinhos;
- pessoas em situação de rua.
Quais documentos são necessários
Para realizar o cadastro ou atualização do CadÚnico, o responsável familiar deve apresentar documentos de todos os moradores da residência.
Os principais documentos exigidos são:
- CPF;
- documento de identidade;
- comprovante de residência;
- certidão de nascimento ou casamento;
- carteira de trabalho, quando houver.
O governo reforça que o CPF passou a ser um dos principais identificadores dentro do sistema.
Governo intensifica pente-fino nos programas sociais
O endurecimento das regras ocorre em meio ao processo de revisão cadastral promovido pelo Governo Federal nos programas sociais.
A estratégia inclui cruzamento de dados, auditorias e visitas domiciliares para identificar inconsistências e possíveis pagamentos irregulares.
O objetivo, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, é direcionar os recursos públicos às famílias que realmente atendem aos critérios de vulnerabilidade social.
Nos últimos anos, o governo ampliou ações de fiscalização no:
- Bolsa Família;
- Benefício de Prestação Continuada (BPC);
- Cadastro Único;
- Auxílio Gás;
- programas estaduais vinculados ao CadÚnico.
O que pode causar bloqueio do benefício
Entre os principais motivos que podem levar ao bloqueio ou suspensão do benefício estão:
- falta de atualização cadastral;
- inconsistência de renda;
- ausência de entrevista domiciliar obrigatória;
- informações divergentes no sistema;
- suspeita de irregularidade;
- descumprimento das regras do programa.
Em muitos casos, a regularização pode ser feita diretamente no CRAS após atualização dos dados.
Como consultar a situação do CadÚnico
Os beneficiários podem acompanhar informações do Cadastro Único pelos canais oficiais do governo federal.
A consulta pode ser feita por meio do:
- Cadastro Único;
- Gov.br;
- CRAS do município;
- postos municipais de atendimento.
No aplicativo do Cadastro Único, é possível verificar:
- situação cadastral;
- prazo de atualização;
- composição familiar;
- programas vinculados;
- pendências cadastrais.
FAQ: perguntas frequentes sobre a nova regra do CadÚnico
O Cadastro Único terá novas regras em 2026?
Sim. O governo federal passou a exigir atualização obrigatória dos dados a cada 24 meses e entrevista domiciliar para alguns beneficiários.
Quem precisará passar por entrevista domiciliar?
Famílias unipessoais que recebem Bolsa Família ou BPC deverão passar por entrevista domiciliar obrigatória.
O que acontece se não atualizar o CadÚnico?
O beneficiário pode ter o pagamento bloqueado, suspenso ou cancelado.
Qual o prazo para atualizar o Cadastro Único?
A atualização deverá ser feita no máximo a cada 24 meses.
Onde atualizar o CadÚnico?
A atualização pode ser realizada presencialmente no CRAS ou em postos municipais do Cadastro Único.
Qual é o limite de renda para entrar no CadÚnico em 2026?
Famílias com renda de até R$ 810,50 por pessoa ou renda total de até três salários mínimos podem se cadastrar.
O BPC também será afetado pelas novas regras?
Sim. Beneficiários do BPC também precisarão cumprir as novas exigências de atualização e entrevista domiciliar, quando aplicável.
