PicPay devolve R$ 2,1 milhões a aposentados do INSS após cobrança indevida de seguro em consignados

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou nesta semana que o PicPay devolveu R$ 2,1 milhões a aposentados e pensionistas que contrataram empréstimos consignados com cobrança indevida de seguro prestamista.

Segundo o órgão previdenciário, a devolução envolve 4.340 apólices e foi integralmente concluída em 30 de dezembro do ano passado. Os valores se referem a seguros que foram cobrados sem autorização adequada dos beneficiários, com desconto direto no benefício previdenciário.

O que é o seguro prestamista no consignado

O seguro prestamista é um produto normalmente oferecido por instituições financeiras junto a operações de crédito. Em tese, ele garante a quitação total ou parcial da dívida em situações como morte ou invalidez permanente do contratante.

No entanto, a legislação brasileira proíbe a contratação automática ou condicionada desse tipo de seguro em empréstimos consignados, especialmente quando há desconto direto em folha de pagamento de benefícios do INSS.

Quando a contratação do seguro ocorre sem consentimento claro do consumidor, a prática pode ser caracterizada como cobrança indevida ou venda casada, o que viola normas do Código de Defesa do Consumidor e regras específicas do crédito consignado.

Como foi feita a devolução dos valores

De acordo com o INSS, os valores cobrados indevidamente foram devolvidos de duas formas, conforme a opção de pagamento utilizada pelo segurado no contrato do empréstimo:

  • Crédito direto na conta em que o aposentado ou pensionista recebe o benefício do INSS; ou

  • Depósito em conta PicPay, quando essa foi a forma utilizada para pagamento das parcelas do consignado.

O instituto informou que todos os ressarcimentos previstos no acordo foram efetuados dentro do prazo estabelecido.

Termo de compromisso firmado entre PicPay e INSS

Em comunicado oficial, o INSS destacou que, em dezembro do ano passado, o PicPay assinou um termo de compromisso com o órgão previdenciário.

Nesse acordo, a instituição financeira se comprometeu a:

  • Adequar seus procedimentos nas operações de crédito consignado;

  • Devolver imediatamente valores cobrados de forma indevida;

  • Não vender seguro prestamista ou outros produtos com desconto direto no benefício;

  • Não condicionar a liberação do crédito à contratação de serviços adicionais.

Segundo o INSS, ficou expressamente proibido que o PicPay condicione o empréstimo consignado à compra de:

  • Seguros

  • Títulos de capitalização

  • Planos assistenciais

  • Serviços de natureza semelhante

Essa conduta é considerada venda casada, prática vedada pela legislação.

Atenção do INSS ao crédito consignado

O crédito consignado é amplamente utilizado por aposentados e pensionistas por oferecer taxas de juros mais baixas, já que as parcelas são descontadas diretamente do benefício.

Justamente por esse motivo, o INSS intensificou a fiscalização sobre práticas abusivas, especialmente:

  • Descontos não autorizados

  • Inclusão automática de seguros

  • Cobrança de serviços não solicitados

O caso envolvendo o PicPay se soma a outras ações recentes do órgão para proteger beneficiários contra descontos indevidos.

Fila do INSS e prazos máximos de espera

Além de questões relacionadas a consignados, o INSS enfrenta um problema estrutural: a fila de requerimentos.

A fila do INSS corresponde ao estoque de pedidos de aposentadoria, pensão ou auxílio que aguardam análise administrativa ou perícia médica. Embora a legislação preveja prazos, eles variam conforme o tipo de benefício:

  • Salário-maternidade: até 30 dias

  • Auxílio-doença: até 45 dias

  • Aposentadorias e BPC: até 90 dias

  • Recursos administrativos: podem levar até 365 dias

Na prática, muitos segurados aguardam além desses prazos, o que tem motivado medidas emergenciais por parte do governo.

Medidas do governo para reduzir a fila em 2026

Para enfrentar o gargalo, o governo federal retomou, em 2026, o pagamento de bônus de produtividade para servidores do INSS e médicos peritos.

O modelo prevê:

  • Bônus por cada processo analisado além da meta diária;

  • Pagamento adicional para análise de processos que estejam na fila há mais de 45 dias;

  • Prioridade para perícias médicas e análises de renda.

O objetivo é acelerar a concessão de benefícios represados e reduzir o tempo de espera dos segurados.

O que fazer se seu processo estiver parado há muito tempo

Especialistas em direito previdenciário orientam que o segurado acompanhe regularmente o andamento do pedido pelo Meu INSS.

Em 2026, se o benefício estiver “em análise” por mais de 90 dias sem resposta, o cidadão pode:

  • Registrar reclamação na Ouvidoria do INSS;

  • Abrir manifestação na plataforma Fala.BR;

  • Em casos extremos, ingressar com mandado de segurança, por meio de advogado, para obrigar o INSS a decidir o processo.

Essas medidas não garantem a concessão do benefício, mas podem acelerar a análise.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional graduado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Possui mais de 15 anos de experiência como redator e criador de conteúdo para portais de notícias.Saulo se especializou na produção de artigos sobre temas de grande interesse social, no âmbito da economia, benefícios sociais e direitos trabalhistas.