Trabalhadores que recebem salário mínimo ou benefícios atrelados a ele começam a receber o valor reajustado a partir da folha de pagamento de fevereiro. O novo piso nacional, fixado em R$ 1.621, entrou em vigor em 1º de janeiro, mas o pagamento efetivo ocorre no mês seguinte, conforme a prática usual das empresas e da administração pública.
O reajuste foi confirmado em dezembro pelo Ministério do Planejamento e Orçamento e representa um aumento de 6,79%, o equivalente a R$ 103 em relação ao salário mínimo anterior, que era de R$ 1.518.
Reajuste segue regra que combina inflação e crescimento econômico
O cálculo do salário mínimo segue uma política permanente que considera dois fatores principais. O primeiro é a inflação medida pelo INPC, acumulada em 12 meses até novembro do ano anterior. O segundo é o crescimento real da economia, medido pelo Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.
Em 2025, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o INPC acumulou alta de 4,18%nos 12 meses encerrados em novembro. Apenas no mês de novembro, o índice ficou em 0,03%.
Esse indicador é utilizado especificamente para medir a inflação enfrentada pelas famílias de menor renda, sendo referência oficial para o reajuste do piso nacional.
PIB teve crescimento expressivo, mas ganho real foi limitado
Além da inflação, a regra do salário mínimo prevê a incorporação do crescimento do PIB. Em 4 de dezembro, o IBGE revisou os dados do Produto Interno Bruto de 2024 e confirmou uma expansão de 3,4% da economia brasileira.
No entanto, o ganho real do salário mínimo não pode refletir integralmente esse crescimento. Isso ocorre porque o arcabouço fiscal, mecanismo que limita a expansão dos gastos públicos, estabelece que o aumento real do salário mínimo fique dentro de uma faixa entre 0,6% e 2,5% acima da inflação.
Assim, mesmo com um crescimento econômico mais forte, o reajuste real foi limitado para manter o controle das contas públicas.
Valor final foi definido com arredondamento legal
Considerando as regras vigentes, o cálculo técnico apontou que o salário mínimo de 2026 deveria ser de R$ 1.620,99.
Como a legislação determina o arredondamento para valores inteiros, o piso nacional foi oficialmente fixado em R$ 1.621, consolidando um reajuste total de 6,79%.
Esse percentual combina a reposição integral da inflação com um ganho real dentro do limite permitido pelo arcabouço fiscal.
Impacto do novo salário mínimo na economia
Segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o novo salário mínimo deverá injetar cerca de R$ 81,7 bilhões na economia brasileira.
Esse impacto ocorre porque o salário mínimo influencia diretamente:
A renda de trabalhadores formais
Aposentadorias e pensões do INSS
Benefícios assistenciais e sociais
Pisos salariais regionais e negociações coletivas
O aumento da renda tende a estimular o consumo, especialmente em setores como alimentação, comércio e serviços, além de gerar efeitos indiretos na arrecadação tributária.
Salário mínimo influencia benefícios e contratos
Além dos trabalhadores formais, o novo piso nacional serve como referência obrigatória para uma série de pagamentos no país, incluindo:
Aposentadorias e pensões do INSS
Benefício de Prestação Continuada (BPC)
Seguro-desemprego
Abono salarial
Pisos de contratos e acordos trabalhistas
Por isso, qualquer reajuste do salário mínimo tem impacto direto sobre milhões de brasileiros, inclusive aqueles que não estão no mercado de trabalho formal.
Pagamento em fevereiro segue prática tradicional
Embora o novo valor esteja em vigor desde janeiro, o pagamento reajustado ocorre em fevereiro porque os salários são pagos após o mês trabalhado.
Assim, quem trabalhou em janeiro recebe em fevereiro já com o valor corrigido, o que vale tanto para empregados do setor privado quanto para servidores públicos e beneficiários que têm rendimentos atrelados ao piso nacional.
