Após a liquidação extrajudicial do Will Bank decretada pelo Banco Central, uma onda de mensagens alarmistas passou a circular nas redes sociais sugerindo que outros bancos digitais poderiam “fechar”, incluindo o Nubank — maior fintech do país em número de clientes. Apesar da viralização, especialistas consultados afirmam que não há qualquer base técnica que sustente esses boatos.
Para analistas do setor financeiro, a comparação entre as duas instituições é imprecisa tanto do ponto de vista financeiro, quanto regulatório e operacional.
Em comunicado publicado em sua comunidade oficial, o Nubank classificou como falsas as informações que apontavam risco de falência ou encerramento das atividades, e reforçou que opera normalmente, com liquidez e capitalização acima dos parâmetros exigidos pelo regulador brasileiro.
Por que o Will Bank foi liquidado
O Will Bank foi liquidado não por um problema bancário clássico (como inadimplência em larga escala ou fuga de depósitos), mas por um contexto específico envolvendo o conglomerado financeiro ao qual pertencia.
A fintech integrava o grupo Master, que entrou em colapso após investigações da Polícia Federal, forte crise de liquidez e suspeitas de má gestão. Durante meses, o Banco Central tentou preservar partes da operação e chegou a aplicar um Regime Especial de Administração Temporária (Raet), medida utilizada quando ainda há chance de recuperação ou venda da instituição.
No entanto, a situação se agravou ao ponto de o Will Bank deixar de honrar compromissos com a Mastercard, impedindo o processamento de pagamentos e comprometendo o funcionamento dos cartões. Sem compradores e com alto risco para os credores, o Banco Central decretou liquidação extrajudicial, interrompendo todas as atividades da financeira.

Por que a situação do Nubank é completamente diferente
O Nubank não faz parte de qualquer grupo em crise e possui estrutura de capital própria, com governança mais próxima de grandes bancos do que de fintechs emergentes. Além disso, a instituição é listada na Bolsa de Nova York (NYSE), o que implica:
auditorias externas independentes;
divulgação trimestral de resultados;
padrões rígidos de compliance;
fiscalização de autoridades brasileiras e americanas.
Nos balanços mais recentes, o Nubank registrou:
crescimento de receita e lucro líquido;
aumento de base de clientes;
expansão internacional;
níveis de capital acima dos requerimentos regulatórios.
Nubank é banco?
O Nubank já sinalizou que pretende solicitar licença bancária plena ao Banco Central — passo que exige ainda mais capital próprio, controles internos e governança.
Hoje, a instituição já possui licença SCD (Sociedade de Crédito Direto) e opera produtos de conta digital, crédito e investimentos, além de atuar com financiamento para pequenas e médias empresas.
Segundo especialistas, a migração para banco múltiplo tende a reduzir ainda mais boatos, já que bancos possuem padronização regulatória superior às SCDs.
O Índice de Basileia explica muita coisa
Um dos indicadores mais citados no mercado quando se fala em solidez é o Índice de Basileia, que mede o capital próprio em relação aos ativos ponderados por risco.
Nubank no Brasil: o índice historicamente fica acima de 15%, variando entre 15,8% e 20% em períodos recentes.
Exigência mínima do BC: entre 8% e 10,5%, dependendo da instituição.
Ou seja, o Nubank opera bem acima do mínimo regulatório.
Na prática, isso significa que a instituição possui margem de solvência e folga de capital compatíveis com grandes bancos tradicionais brasileiros, afastando qualquer hipótese de colapso por falta de liquidez.
Há risco sistêmico no setor?
Especialistas reforçam que é preciso separar perfis de fintechs. No Brasil, existem:
fintechs com estrutura bancária robusta (caso do Nubank),
fintechs dependentes de funding externo,
fintechs atreladas a conglomerados financeiros (como o Will),
e fintechs de nicho com foco em crédito de risco.
Fintechs pequenas ou pouco capitalizadas tendem a ser mais sensíveis a choques. Já players listados no exterior e com governança bancária possuem resiliência superior.
Até o momento, nenhuma autoridade reguladora identificou risco sistêmico associado aos bancos digitais brasileiros.
Conclusão dos especialistas
Apesar do ambiente de desinformação, o consenso no mercado financeiro é claro:
A liquidação do Will Bank decorreu de fatores específicos do grupo Master
O Nubank é sólido, capitalizado e auditado por múltiplos reguladores
Não há vínculo societário, operacional ou regulatório entre os dois casos
Por essas razões, analistas afirmam que não há qualquer indicativo de fragilidade que justifique pânico entre os clientes do Nubank.
