O Bolsa Família começou a ser pago no dia 19 de janeiro para milhões de brasileiros, marcando a abertura do primeiro ciclo de pagamentos do ano. Além do calendário regular, o Governo Federal autorizou um esquema especial para moradores de municípios em situação de emergência ou calamidade pública, permitindo saque integral já no primeiro dia do cronograma em 176 cidades, sem a necessidade de aguardar o escalonamento pelo Número de Identificação Social (NIS).
Ao todo, cerca de 18,77 milhões de famílias recebem o benefício neste mês. Considerando os adicionais pagos conforme a composição familiar, o valor médio nacional chega a R$ 697,77 por domicílio, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS).
A medida atende regiões atingidas por enchentes, estiagens e outros eventos climáticos extremos que afetam diretamente a segurança alimentar e o orçamento doméstico. A antecipação reduz o tempo de espera e garante maior previsibilidade financeira para famílias em situação de vulnerabilidade imediata.
Antecipação em cidades com emergência ou calamidade
Em janeiro, o MDS unificou o calendário para 176 municípios de nove estados, beneficiando aproximadamente 389,58 mil famílias que puderam movimentar os recursos já no primeiro dia de pagamento. Nesses municípios, não há escalonamento por NIS, pois o objetivo é acelerar o acesso ao dinheiro em localidades onde a população sofre impactos diretos ou indiretos de desastres naturais.
A antecipação segue uma prática adotada nos últimos anos e só é implementada mediante reconhecimento oficial de emergência ou calamidade pública. O critério inclui situações como enchentes, estiagem prolongada, seca severa, deslizamentos de terra, vendavais e queimadas de grande porte. A lista de municípios contemplados é definida mensalmente pelo MDS.
Valor mínimo garantido e adicionais pagos conforme a composição familiar
O valor mínimo do Bolsa Família segue em R$ 600 por família, mas a estrutura do programa prevê diversos adicionais que elevam o pagamento para lares com crianças, adolescentes, gestantes e nutrizes. Em janeiro de 2026, estão ativos os seguintes benefícios complementares:
Benefício Primeira Infância (BPI)
Público-alvo: crianças de até 7 anos incompletos
Valor: R$ 150 por criança
Beneficiários em janeiro: 8,4 milhões
Repasse total: R$ 1,22 bilhão
Benefício Variável Familiar Criança (BV)
Público-alvo: crianças e adolescentes entre 7 e 16 anos incompletos
Valor: R$ 50 por beneficiário
Beneficiários em janeiro: 11,4 milhões
Repasse total: R$ 549,8 milhões
Benefício Variável Familiar Adolescente (BVA)
Público-alvo: adolescentes entre 16 e 18 anos incompletos
Valor: R$ 50 por beneficiário
Beneficiários em janeiro: 2,2 milhões
Repasse total: R$ 109,6 milhões
Benefício Variável Gestante (BVG)
Público-alvo: gestantes acompanhadas pelo SUS
Repasse total: R$ 29,2 milhões
Beneficiárias em janeiro: 625 mil
Benefício Variável Nutriz (BVN)
Público-alvo: nutrizes responsáveis por bebês de até seis meses
Repasse total: R$ 17,9 milhões
Famílias atendidas: 375 mil
Com esses adicionais, muitos domicílios ultrapassam o valor mínimo de R$ 600, principalmente aqueles com crianças pequenas e gestantes, faixa etária que concentra maior vulnerabilidade nutricional.
Como funciona o calendário regular de janeiro
Para os beneficiários que não moram em municípios com pagamento unificado, o calendário opera de forma escalonada de acordo com o último dígito do NIS. Em janeiro de 2026, o cronograma oficial é o seguinte:
NIS final 1: 19/01
NIS final 2: 20/01
NIS final 3: 21/01
NIS final 4: 22/01
NIS final 5: 23/01
NIS final 6: 26/01
NIS final 7: 27/01
NIS final 8: 28/01
NIS final 9: 29/01
NIS final 0: 30/01
A Caixa Econômica Federal costuma liberar o saque no sábado anterior quando o pagamento cai em uma segunda-feira. A medida facilita o planejamento financeiro e reduz o acúmulo de transações bancárias no primeiro dia útil da semana.

Como o dinheiro é repassado e como pode ser movimentado
Os valores são depositados na conta poupança social digital, movimentada pelo aplicativo Caixa Tem, que permite pagamentos, transferências via Pix, recargas e compras com cartão virtual. Também é possível sacar em terminais de autoatendimento, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui.
Além do uso digital, o cartão físico do programa continua válido para operações de débito em estabelecimentos credenciados.
Condicionalidades e manutenção do benefício
Para garantir a permanência no programa, as famílias precisam manter o Cadastro Único atualizado e cumprir as condicionalidades estabelecidas nas áreas de saúde e educação. Entre elas:
Frequência escolar mínima para crianças e adolescentes
Acompanhamento da vacinação conforme o calendário nacional
Pré-natal para gestantes
Acompanhamento nutricional de crianças até 7 anos
O Cadastro Único deve ser atualizado sempre que houver mudança de renda, endereço, composição familiar ou situação de trabalho, e obrigatoriamente a cada dois anos, mesmo sem alterações.
