Nova tabela do INSS em 2026 muda o valor do salário líquido de empregados, domésticos e avulsos: contribuições passam de 7,5% a 14% e seguem modelo progressivo
O ano de 2026 começou com mudanças diretas no bolso de trabalhadores da iniciativa privada, empregados domésticos, avulsos e contribuintes individuais. Desde 1º de janeiro, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passou a aplicar a nova tabela de contribuição previdenciária, que reajusta as faixas salariais e redefine os valores descontados mensalmente no contracheque.
A atualização segue a inflação acumulada pelo INPC, que fechou 2025 em 3,90%. Embora o percentual seja modesto, ele altera a base de cálculo de milhões de pessoas e impacta diretamente quanto cada trabalhador paga à Previdência.
Enquanto isso, o salário mínimo subiu para R$ 1.621,00, o que também reajusta automaticamente o piso previdenciário. Já o teto do INSS passou para R$ 8.475,55. Entre esses limites, valem as novas faixas progressivas de contribuição.
Como ficam os descontos para quem tem carteira assinada
Os trabalhadores celetistas, domésticos e avulsos permanecem enquadrados no sistema progressivo de contribuições, adotado desde a reforma da Previdência (Emenda Constitucional 103/2019).
Nesse modelo, a alíquota não é aplicada sobre todo o salário, mas sobre faixas específicas, similar ao Imposto de Renda. Assim, quem ganha mais paga percentualmente mais, mas apenas sobre a parcela excedente de cada faixa.
A tabela oficial para 2026 ficou da seguinte forma:
Até R$ 1.621,00 — 7,5%
De R$ 1.621,01 até R$ 2.902,84 — 9%
De R$ 2.902,85 até R$ 4.354,27 — 12%
De R$ 4.354,28 até R$ 8.475,55 — 14%
Na prática, as empresas passam a reter os novos valores apenas nos salários pagos em fevereiro, pois janeiro paga-se a competência anterior.
Simulação mostra quanto será descontado no holerite em 2026
Para entender o impacto real, especialistas elaboraram simulações considerando diferentes faixas de renda. Veja alguns valores:
| Salário de contribuição | Contribuição ao INSS |
|---|---|
| R$ 1.621,00 | R$ 121,58 |
| R$ 2.000,00 | R$ 155,69 |
| R$ 2.500,00 | R$ 200,69 |
| R$ 3.000,00 | R$ 248,60 |
| R$ 3.500,00 | R$ 308,60 |
| R$ 4.000,00 | R$ 368,60 |
| R$ 4.500,00 | R$ 431,51 |
| R$ 5.000,00 | R$ 501,51 |
| R$ 5.500,00 | R$ 571,51 |
| R$ 6.000,00 | R$ 641,51 |
| R$ 6.500,00 | R$ 711,51 |
| R$ 7.000,00 | R$ 781,51 |
| R$ 7.500,00 | R$ 851,51 |
| R$ 8.000,00 | R$ 928,09 |
| R$ 8.475,55 | R$ 988,09 |
O valor máximo descontado chega a aproximadamente R$ 988,09 para quem ganha o teto previdenciário.
Fonte: Wagner Souza, sócio do escritório Roberto de Carvalho Santos e Wagner Souza Sociedade de Advogados.

MEI, autônomos e contribuintes facultativos também tiveram mudanças
Além dos celetistas, o novo piso e teto previdenciário também altera o recolhimento de autônomos e facultativos.
MEI: contribuição sobe para R$ 81,05
O MEI paga 5% sobre o salário mínimo. Com o novo piso:
5% de R$ 1.621,00 = R$ 81,05
Esse recolhimento garante cobertura previdenciária básica, incluindo:
Aposentadoria por idade
Auxílio-doença
Aposentadoria por invalidez
Salário-maternidade
Pensão por morte
Além disso, o MEI arca com ICMS e/ou ISS conforme o tipo de atividade, via DAS mensal.
Autônomos que contribuem com 20% terão os maiores reajustes
O contribuinte individual pode recolher 20% sobre um valor entre o mínimo e o teto. Veja como ficam os valores em 2026:
| Salário de contribuição | Contribuição (20%) |
|---|---|
| R$ 1.621,00 | R$ 324,20 |
| R$ 2.000,00 | R$ 400,00 |
| R$ 3.000,00 | R$ 600,00 |
| R$ 5.000,00 | R$ 1.000,00 |
| R$ 8.475,55 | R$ 1.695,11 |
Esse modelo permite aposentadorias superiores ao salário mínimo, desde que respeitados todos os requisitos de tempo e idade.
Autônomos que recolhem 11% têm restrição: benefício fica limitado ao mínimo
Um segundo grupo de contribuintes pode recolher 11% sobre o salário mínimo, mas com direito apenas a aposentadoria por idade, no valor de um salário mínimo.
Veja como fica:
11% de R$ 1.621,00 = R$ 178,31
É comum entre autônomos com baixa renda e donas de casa de baixa renda cadastradas como facultativas.
Quem ganha com a nova tabela em 2026
A correção reduz o desconto efetivo de quem está nas primeiras faixas, pois amplia o espaço das bandas até que o percentual maior incida. Em geral:
Quem ganha entre R$ 1.620 e R$ 3.000 tende a sentir leve alívio no desconto
Quem ganha acima de R$ 6.000 tende a pagar quase o mesmo que em 2025
Quem contribui no teto paga o valor máximo de R$ 988,09
Já os aposentados e pensionistas passam a receber o reajuste de 3,90% nos benefícios acima do mínimo, enquanto quem recebe 1 salário mínimo acompanha o aumento para R$ 1.621,00.
