Não é preciso ser especialista em economia para perceber que a poupança continua sendo um dos investimentos mais populares do Brasil. Mesmo com o avanço de outras modalidades, milhões de brasileiros seguem utilizando a caderneta como principal forma de guardar dinheiro, especialmente em períodos de incerteza econômica e necessidade de liquidez imediata.
Com a atenção redobrada às finanças pessoais, uma normativa recente do Banco Central reacendeu o debate sobre a rentabilidade da poupança e seus limites. As regras impactam diretamente quem mantém valores modestos aplicados, como é o caso de quem tem R$ 5 mil guardados na Caixa Econômica Federal.
O que mudou nas regras da poupança segundo o Banco Central
O Banco Central mantém regras objetivas para a remuneração da caderneta de poupança, válidas para todos os bancos, incluindo a Caixa. Essas normas não são alteradas de forma discricionária pelas instituições financeiras e seguem parâmetros definidos conforme o comportamento da taxa Selic.
Atualmente, a taxa Selic está fixada em 15% ao ano, patamar mantido desde as últimas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). Quando a Selic permanece acima de 8,5%, entra em vigor o modelo tradicional de rendimento da poupança.
Nesse cenário, a regra aplicada é:
0,5% ao mês
+ Taxa Referencial (TR)
Esse modelo vale para todas as contas de poupança, independentemente do banco.
Quanto rende R$ 5 mil na poupança da Caixa em 2026
Para quem mantém R$ 5.000 aplicados na poupança, o crescimento do saldo ocorre de forma previsível, porém limitada. Não há ganhos extraordinários, mesmo em períodos de juros elevados.
Pelas projeções atuais, considerando a regra de 0,5% ao mês somada à TR, o valor pode chegar a aproximadamente R$ 5.340,17 após 12 meses, dependendo diretamente da variação mensal da Taxa Referencial.
O rendimento é creditado apenas na data de aniversário do depósito, o que significa que o dinheiro precisa permanecer aplicado por pelo menos 30 dias completos para gerar retorno. Saques antes dessa data eliminam o rendimento daquele período.
Isenção de Imposto de Renda segue como vantagem
Um ponto que mantém a poupança atrativa para parte da população é a isenção total de Imposto de Renda para pessoas físicas. Diferentemente de outros investimentos, como CDBs e fundos, o rendimento da poupança não sofre qualquer tributação.
Essa característica favorece principalmente pequenos poupadores, aposentados e pessoas que priorizam simplicidade e segurança, mesmo abrindo mão de rentabilidade maior.
Como funciona o cálculo da poupança na prática
A regra atual de rendimento da poupança foi estabelecida em 2012 e divide o cálculo em dois cenários distintos:
Selic igual ou inferior a 8,5% ao ano: rendimento de 70% da Selic + TR
Selic acima de 8,5% ao ano: rendimento fixo de 0,5% ao mês + TR
Como o Brasil atravessa em 2026 um ciclo de juros elevados, com a Selic em 15%, o segundo modelo permanece em vigor.
Na prática, isso significa que a poupança não acompanha integralmente a alta dos juros, diferentemente de outros produtos financeiros atrelados ao CDI ou à própria Selic.
Por que a poupança perde atratividade em juros altos
Embora ofereça segurança e liquidez, a poupança passa a render proporcionalmente menos quando a taxa Selic sobe muito. Enquanto investimentos de renda fixa acompanham quase integralmente o movimento dos juros, a poupança fica limitada ao teto de 0,5% ao mês.
Para quem mantém valores como R$ 5 mil, a diferença pode parecer pequena no curto prazo, mas se torna relevante ao longo dos anos, especialmente em comparação com alternativas de baixo risco disponíveis no mercado.
Ainda assim, a caderneta segue sendo utilizada como reserva de emergência, justamente pela facilidade de acesso ao dinheiro e pela ausência de riscos diretos ao capital.
