Enquanto o salário mínimo nacional sobe para R$ 1.621 em 2026, um outro estado mantém pisos entre R$ 1.730 e R$ 1.978, garante reajuste acima da inflação e segue pagando salários maiores que o mínimo federal

Enquanto o salário mínimo nacional está fixado em R$ 1.621 em 2026, milhares de trabalhadores com carteira assinada em Santa Catarina continuam recebendo valores superiores ao piso federal. Isso ocorre porque o estado adota o salário mínimo regional, um mecanismo que garante remunerações mais altas para categorias que não possuem piso definido por convenção coletiva ou lei específica.

Na prática, o piso catarinense varia atualmente entre R$ 1.730 e R$ 1.978, dependendo da atividade profissional. Esses valores seguem válidos em 2026 e mantêm Santa Catarina entre os estados que pagam os maiores salários mínimos do país para trabalhadores de baixa renda.

O reajuste aprovado em 2025 e os efeitos em 2026

O último reajuste do salário mínimo regional de Santa Catarina foi aprovado em 26 de março de 2025, pela Assembleia Legislativa do estado (Alesc). A medida garantiu um aumento de 7,27% sobre os valores anteriores.

Com isso, mesmo após a elevação do salário mínimo nacional — que passou de R$ 1.518 em 2025 para R$ 1.621 em 2026 — o piso catarinense permaneceu significativamente acima do valor federal.

Na prática, o trabalhador catarinense que recebe o piso regional continua tendo um rendimento mensal maior do que quem depende exclusivamente do salário mínimo nacional, o que ajuda a compensar o custo de vida mais elevado em algumas regiões do estado.

Até o momento, o governo de Santa Catarina não anunciou novo reajuste para 2026, o que significa que os valores definidos em 2025 seguem oficialmente em vigor.

Quem tem direito ao salário mínimo regional de Santa Catarina

O salário mínimo regional foi criado pela Lei Complementar nº 459/2009 e não se aplica a todos os trabalhadores. Ele é direcionado exclusivamente a profissionais que não possuem piso salarial definido em lei federal, acordo coletivo ou convenção sindical.

Ou seja, se uma categoria já tem um piso negociado entre sindicatos e empregadores, esse valor prevalece. O piso regional funciona como uma proteção mínima para trabalhadores mais vulneráveis do mercado de trabalho.

Entre os profissionais que costumam receber o piso regional em Santa Catarina estão:

  • Trabalhadores da agricultura

  • Empregados domésticos

  • Trabalhadores da construção civil

  • Entregadores

  • Funcionários de setores industriais sem piso próprio

As quatro faixas do salário mínimo regional em Santa Catarina

A legislação catarinense divide os trabalhadores em quatro faixas salariais, conforme a área de atuação. Veja como ficam os valores atualmente válidos:

Faixa 1 – R$ 1.730,00
Destinada a trabalhadores da:

  • Agricultura

  • Construção civil

  • Empregados domésticos

  • Entregadores

Essa é a faixa de entrada do piso regional e já supera em mais de R$ 100 o salário mínimo nacional de 2026.

Faixa 2 – R$ 1.792,00
Abrange empregados do:

  • Setor industrial em geral

  • Empresas de comunicação

Faixa 3 – R$ 1.898,00
Voltada para trabalhadores da:

  • Indústria química

  • Indústria cinematográfica

  • Indústria de alimentação

  • Comércio em geral

Faixa 4 – R$ 1.978,00
A mais elevada do piso regional, contempla profissionais da:

  • Indústria metalúrgica e mecânica

  • Indústria gráfica

  • Indústria de vidros e borracha

  • Empregados em edifícios

  • Estabelecimentos de saúde

  • Instituições escolares, culturais e de crédito

Esses valores continuam em vigor em 2026 e só podem ser alterados mediante nova aprovação da Assembleia Legislativa.

O que é o piso regional e por que ele existe

O piso regional é um instrumento autorizado pela Constituição Federal que permite aos estados estabelecerem salários mínimos próprios, desde que sempre acima do piso nacional.

A ideia é adaptar a remuneração básica ao custo de vida local, que varia significativamente entre as regiões do país. Estados com economia mais forte e despesas mais elevadas tendem a adotar esse modelo.

Além de Santa Catarina, também possuem salário mínimo regional:

  • São Paulo

  • Rio de Janeiro

  • Paraná

  • Rio Grande do Sul

Juntos, esses estados beneficiam milhões de trabalhadores que, sem o piso regional, receberiam apenas o salário mínimo nacional.

Como é feito o cálculo do salário mínimo nacional

No âmbito federal, o salário mínimo passou a ser de R$ 1.621 em 2026, um aumento de R$ 103 em relação ao valor anterior.

O reajuste considera dois fatores principais:

  • Inflação acumulada em 12 meses, medida pelo INPC, que registrou alta de 4,18%, segundo o IBGE

  • Crescimento do PIB de dois anos antes, que foi de 3,4% em 2024

No entanto, desde a implementação do novo arcabouço fiscal, o ganho real do salário mínimo ficou limitado a 2,5%, mesmo quando o PIB cresce acima desse percentual. Isso reduz o impacto do crescimento econômico sobre o valor final do piso nacional.

Por que o piso regional fica acima do nacional

Enquanto o salário mínimo nacional segue regras fiscais rígidas, os pisos regionais têm mais flexibilidade, pois dependem de negociações políticas e econômicas locais.

Em Santa Catarina, o reajuste de 7,27% aprovado em 2025 superou tanto a inflação quanto o aumento real do salário mínimo nacional, garantindo que o piso estadual permanecesse mais vantajoso em 2026.

Isso explica por que, mesmo com a alta do mínimo federal, os trabalhadores catarinenses continuam recebendo valores maiores.

Qual deveria ser o salário mínimo ideal no Brasil

Apesar dos reajustes, o salário mínimo nacional ainda está longe de cobrir o custo real de vida no país. De acordo com o DIEESE, o piso serve de referência direta ou indireta para 59,9 milhões de brasileiros, impactando:

  • Salários

  • Aposentadorias do INSS

  • Pensões

  • Seguro-desemprego

  • BPC/LOAS

  • Programas sociais

Segundo cálculos da entidade, para cobrir despesas básicas como alimentação, moradia, transporte, saúde, educação e lazer, o salário mínimo deveria ter alcançado R$ 7.067,18 em novembro de 2025.

Esse dado evidencia a importância de mecanismos como o piso regional, que, embora ainda distante do ideal, reduz parcialmente a defasagem salarial em estados com maior custo de vida.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.