O presidente do INSS prometeu zerar a fila de benefícios até julho, acelerou perícias, digitalizou processos com inteligência artificial e quer transformar a espera histórica em atendimento mensal

O presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Gilberto Waller, estabeleceu uma das metas mais ambiciosas dos últimos anos para a Previdência Social: zerar a fila de espera por benefícios até julho. A declaração foi feita em entrevista exclusiva ao JR Entrevista e reforça o esforço do governo federal para atacar um problema que há décadas afeta milhões de segurados.

Segundo Waller, o plano já está em andamento. A expectativa é de que até o fim de janeiro as filas sejam reduzidas em 10%, dando início a um processo contínuo de diminuição do estoque de pedidos acumulados. Em dezembro, o INSS contabilizava 2,9 milhões de requerimentos protocolados, a maior parte relacionada ao BPC (Benefício de Prestação Continuada) e à perícia médica, áreas historicamente mais lentas.

“A nossa meta é chegar na fila do mês, porque a demanda mensal não é fila. Essa é a nossa demanda. E esperamos até julho chegar nessa meta”, afirmou o presidente do INSS.

Por que a fila do INSS cresceu tanto

O acúmulo de processos no INSS não é um fenômeno recente. Ele resulta de uma combinação de fatores, como aumento da demanda por benefícios assistenciais, envelhecimento da população, falta de servidores em períodos anteriores e gargalos nas perícias médicas.

O BPC, por exemplo, atende idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade social, o que exige análise detalhada de renda e condições familiares. Já os benefícios por incapacidade dependem, tradicionalmente, de perícia médica presencial, um dos principais pontos de estrangulamento do sistema.

Para enfrentar esse cenário, o governo passou a realocar médicos exclusivamente para perícias e investiu na modernização dos sistemas internos, com destaque para a análise automatizada de pedidos.

O novo sistema do BPC e o uso de inteligência artificial

Uma das principais mudanças ocorreu em dezembro, com a entrada em operação de um novo sistema de análise do BPC. A ferramenta utiliza cruzamento de dados e automação para acelerar a conferência de informações, reduzindo o tempo entre o pedido e a resposta ao cidadão.

Em 2026, o INSS opera com foco quase total na digitalização dos processos e no uso de inteligência artificial, especialmente nos pedidos administrativos. A ideia é que o servidor humano atue apenas nos casos mais complexos, enquanto a tecnologia resolve automaticamente a maior parte das solicitações padrão.

Esse modelo já é aplicado em aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais, e tem sido apontado como essencial para a redução do estoque de processos.

Como funciona o INSS em 2026

O funcionamento do INSS em 2026 reflete essa nova lógica mais digital e integrada:

Piso e teto dos benefícios

Os pagamentos seguem o novo salário mínimo de R$ 1.621,00. Já o teto previdenciário, que representa o valor máximo de qualquer benefício pago pelo INSS, é de R$ 8.577,22.

Auxílio-doença sem perícia presencial (Atestmed)

Grande parte dos pedidos de benefício por incapacidade temporária é resolvida pelo Atestmed, sistema que dispensa a perícia física. O segurado envia o laudo médico pelo Meu INSS e, se o documento estiver correto, o benefício é concedido apenas com análise documental.

Prova de vida automática

A prova de vida deixou de ser presencial. O INSS cruza dados com outros órgãos públicos, como vacinação, renovação de CNH, votação e até movimentações bancárias. Se o CPF teve atividade registrada, a prova de vida é considerada válida automaticamente.

Canais de atendimento

O atendimento é prioritariamente digital, feito pelo aplicativo ou site Meu INSS e pela Central telefônica 135. O atendimento presencial ocorre apenas em situações específicas

O que é, afinal, a “fila do INSS”

A chamada fila do INSS é o estoque de processos que aguardam resposta, e ela se divide em dois grandes grupos:

Fila de análise administrativa

Inclui pedidos de aposentadoria, pensão por morte e BPC. Em 2026, grande parte dessas análises já é feita automaticamente por sistemas inteligentes, com menor intervenção humana.

Fila de perícia médica

Relacionada aos segurados que aguardam avaliação médica. Essa é a fila que o governo tenta praticamente extinguir com o uso do Atestmed e com a ampliação do número de médicos dedicados exclusivamente às perícias.

Prazo legal e direitos do segurado

A legislação estabelece que o INSS tem, em regra, entre 30 e 90 dias para analisar um pedido, dependendo do tipo de benefício. Caso esse prazo seja ultrapassado sem justificativa, o segurado pode ter direito a juros e correção monetária sobre os valores pagos em atraso.

Esse ponto é frequentemente ignorado pelos beneficiários, mas pode representar uma compensação financeira relevante quando a análise demora além do permitido por lei.

Como sair da fila ou evitar atrasos em 2026

Para reduzir o risco de o pedido ficar parado, o próprio INSS recomenda alguns cuidados básicos:

Atualizar o CNIS

É fundamental conferir se todas as empresas informaram corretamente salários e períodos trabalhados no cadastro do Meu INSS.

Enviar documentação completa

Laudos médicos devem estar legíveis, conter o CID da doença, o CRM do médico e data recente. Documentos incompletos geram exigências e atrasos.

Acompanhar o pedido regularmente

Consultar o status do processo com frequência ajuda a identificar rapidamente se o INSS solicitou documentos adicionais.

A consulta pode ser feita diretamente no serviço “Consultar Pedidos”, disponível no aplicativo ou site oficial do Meu INSS.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.