O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estuda uma mudança profunda na forma como aposentados e pensionistas contratam empréstimos consignados no Brasil. A proposta, confirmada pelo presidente do órgão, Gilberto Waller, em entrevista exclusiva à RECORD, prevê a criação de um leilão de crédito dentro do aplicativo Meu INSS, com o objetivo de reduzir o assédio comercial e dar mais autonomia aos segurados.
A iniciativa surge como resposta a um problema antigo: o excesso de ligações, mensagens e abordagens insistentes feitas por correspondentes bancários, muitas vezes sem solicitação prévia e com ofertas pouco transparentes. Segundo o INSS, esses intermediários são hoje o principal foco das reclamações registradas por aposentados e pensionistas.
Pedido parte do segurado, não do banco
Pelo modelo em estudo, a lógica do consignado seria completamente invertida. Em vez de receber ligações oferecendo crédito, o próprio segurado iniciaria o processo, acessando o aplicativo Meu INSS e informando o valor desejado do empréstimo.
Se, por exemplo, o aposentado quiser contratar R$ 10 mil, ele fará a solicitação diretamente no sistema oficial do INSS. A partir disso, os bancos e instituições financeiras habilitadas apresentariam suas propostas dentro do aplicativo, sem qualquer intermediação de correspondentes bancários.
Essa mudança elimina a atuação de agentes terceirizados, que hoje recebem comissões por venda de crédito e, segundo o instituto, estimulam práticas comerciais agressivas.
Bancos competem entre si dentro do aplicativo
Outro ponto central da proposta é o formato de leilão. As ofertas apareceriam organizadas da menor para a maior taxa de juros, permitindo que o segurado compare condições de forma clara, objetiva e sem pressão.
A expectativa do INSS é que a concorrência direta entre os bancos leve à redução das taxas cobradas e aumente a transparência do processo. O aposentado teria liberdade para escolher a proposta mais vantajosa ou simplesmente desistir da contratação.
“Foi acordado que esse modelo precisaria ser feito diretamente com os bancos e instituições financeiras, e não com correspondentes bancários, justamente para evitar o assédio”, explicou Gilberto Waller ao comentar as conversas com a Febraban e a Associação Brasileira de Bancos.

Menos ligações, mais controle para o aposentado
Na avaliação do INSS, a retirada dos correspondentes do processo tende a reduzir de forma significativa o volume de chamadas telefônicas e mensagens não solicitadas. Hoje, muitos segurados relatam receber dezenas de contatos por semana, inclusive de instituições com as quais nunca tiveram relação.
Com o novo modelo, nenhuma oferta será enviada sem que o aposentado manifeste interesse previamente, o que muda o equilíbrio da relação entre cliente e banco.
Segundo Waller, a medida faz parte de um conjunto de ações para tornar o crédito consignado mais seguro, menos invasivo e compatível com a realidade financeira dos beneficiários.
Nova regra pode sair nos próximos meses
O presidente do INSS destacou que a proposta ainda está em fase de estudo, mas já existe consenso entre o instituto e o setor bancário sobre a necessidade de mudanças.
“Creio que, nos próximos meses, a gente solta uma nova instrução normativa com essas fórmulas de diminuição do assédio”, afirmou.
Caso seja implementado, o leilão de consignado representará uma das maiores alterações no sistema de crédito voltado a aposentados desde a criação do empréstimo com desconto em folha.
Mudanças no INSS em 2026 reforçam uso de tecnologia
A proposta do leilão se soma a outras transformações consolidadas pelo INSS em 2026, que têm como foco o uso intensivo de tecnologia, a redução de filas e maior rigor na concessão de benefícios.
Entre os principais pontos já em vigor estão o reajuste do piso previdenciário para R$ 1.621,00, o teto de R$ 8.577,22, a prova de vida totalmente automática e o uso do sistema Atestmed como regra para concessão de auxílio-doença de curta duração.
No caso do consignado, a aposta do INSS é que a tecnologia também seja uma aliada para proteger o segurado, reduzir abusos e devolver ao aposentado o controle sobre decisões financeiras que impactam diretamente sua renda mensal.
