O salário mínimo passou por reajuste e chegou a R$ 1.621 em 1º de janeiro de 2026, valendo para trabalhadores com carteira assinada em todo o Brasil. A mudança impacta diretamente a renda de milhões de brasileiros, mas também reacende uma dúvida recorrente no início do ano: quanto realmente sobra do salário mínimo depois dos descontos obrigatórios?
A resposta frustra parte dos trabalhadores, já que o valor bruto anunciado pelo governo não é o mesmo que aparece no extrato bancário. A diferença ocorre por causa das contribuições legais, principalmente o desconto do INSS.
Quem recebe um salário mínimo tem apenas um desconto obrigatório
Para quem ganha exatamente o piso nacional, a legislação prevê apenas um desconto obrigatório em folha: a contribuição previdenciária ao Instituto Nacional do Seguro Social.
Segundo dados divulgados pelo Valor Econômico, a alíquota aplicada ao salário mínimo em 2026 é de 7,5%, calculada diretamente sobre o valor bruto.
Não há incidência de Imposto de Renda nem de FGTS como desconto direto no salário.
Cálculo oficial: quanto cai na conta em 2026
Com o salário mínimo fixado em R$ 1.621, o desconto funciona da seguinte forma:
Salário bruto: R$ 1.621,00
Desconto do INSS (7,5%): R$ 121,58
Salário líquido: R$ 1.499,42
Na prática, o trabalhador que recebe um salário mínimo passa a receber R$ 1.499,42 líquidos, antes de qualquer desconto opcional previsto em contrato.
Esse é o valor que efetivamente entra na conta todo mês para quem não tem outros abatimentos.

O que o desconto do INSS garante ao trabalhador
Embora reduza o valor líquido, a contribuição ao INSS não é apenas um desconto. Ela é o que garante acesso a uma série de direitos previdenciários, entre eles:
Aposentadoria
Auxílio-doença
Salário-maternidade
Pensão por morte
Auxílio-reclusão
Ou seja, mesmo quem recebe apenas o piso nacional passa a contar com proteção social ao longo da vida laboral.
FGTS não é descontado do salário
Uma confusão comum entre trabalhadores é acreditar que o FGTS reduz o salário líquido, o que não é verdade.
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço é um depósito feito pelo empregador, no valor de 8% do salário bruto, em uma conta vinculada ao CPF do trabalhador.
Esse valor:
Não é descontado do salário
Não aparece como abatimento no contracheque
Pode ser sacado apenas em situações específicas
Entre elas estão demissão sem justa causa, compra da casa própria, aposentadoria e saque-aniversário, quando autorizado.
Quem ganha um salário mínimo paga Imposto de Renda em 2026?
Não. Em 2026, trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil estão isentos do Imposto de Renda.
Como o salário mínimo está bem abaixo desse limite, não há desconto de IR no contracheque de quem recebe o piso nacional.
Essa isenção é um dos fatores que ajudam a reduzir o impacto do desconto previdenciário sobre a renda líquida.
Quais outros descontos podem aparecer no contracheque
Além do INSS, podem existir descontos opcionais, que variam conforme o contrato de trabalho e os benefícios oferecidos pela empresa.
Entre os principais estão:
Vale-transporte: desconto de até 6% do salário-base, aplicado apenas se o trabalhador optar pelo benefício
Vale-alimentação ou refeição: quando há coparticipação, o desconto pode chegar a até 20%, conforme acordo com a empresa
Pensão alimentícia: pode alcançar até 30% da renda, quando determinada por decisão judicial
Esses valores não são obrigatórios por lei e dependem de escolha do trabalhador ou decisão judicial.
O salário mínimo impacta muito mais do que quem é CLT
O reajuste do piso nacional não afeta apenas trabalhadores com carteira assinada. Ele serve como base para diversos programas e benefícios sociais.
Entre eles:
Abono Salarial PIS/Pasep
Benefícios do INSS, como aposentadorias e auxílios
Benefício de Prestação Continuada (BPC)
Seguro-desemprego
Critérios de renda do Cadastro Único (CadÚnico)
Contribuição mensal dos Microempreendedores Individuais (MEIs)
Por isso, qualquer alteração no salário mínimo provoca reflexos diretos em milhões de famílias em todo o país.
