INSS: Reforma do Imposto de Renda entrou em vigor em 2026, ampliou a isenção até R$ 5 mil e mudou o desconto para milhões de aposentados

A reforma do Imposto de Renda começou a valer em 1º de janeiro de 2026 e trouxe um impacto direto para aposentados e pensionistas do INSS, além de trabalhadores formais, autônomos e outros contribuintes. A principal mudança foi a isenção total do IR para quem recebe até R$ 5.000 por mês, além de uma redução progressiva do imposto para rendas entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350.

Com as novas regras, cerca de 3,4 milhões de beneficiários da Previdência Social deixarão de pagar Imposto de Renda ou passarão a ter desconto menor. No total, a estimativa é de que 15 milhões de brasileiros sejam beneficiados pela mudança.

O que mudou no Imposto de Renda em 2026

A nova política de tributação foi implementada por meio do Projeto de Lei nº 1.087/2025, enviado pelo governo federal ao Congresso em março de 2025. A proposta alterou a tabela do IR sem modificar as alíquotas nominais, mas criou um mecanismo de isenção e redução do imposto devido.

Na prática, a reforma estabelece três faixas principais:

  • Isenção total para rendimentos de até R$ 5.000 mensais

  • Redução progressiva do imposto para quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350

  • Manutenção da tributação normal para rendas acima de R$ 7.350,01

Essa estrutura substitui o modelo anterior, no qual apenas quem ganhava até dois salários mínimos ficava isento.

Por que aposentados do INSS estão entre os mais beneficiados

Aposentados e pensionistas do INSS sentem o impacto da reforma de forma imediata porque o desconto do Imposto de Renda ocorre diretamente na fonte, antes mesmo do dinheiro cair na conta.

Segundo cálculos da Contabilizei, feitos com exclusividade para Folha de São Paulo, o perfil mais beneficiado é o de quem recebe R$ 5.000 de aposentadoria bruta. Nesse caso, o desconto mensal de R$ 312,89 deixa de existir, zerando completamente o imposto retido.

O mesmo valor de redução se aplica a trabalhadores da ativa que estão nessa faixa de renda.

Quem tem 65 anos ou mais ganha ainda mais com a nova regra

Para aposentados e pensionistas a partir dos 65 anos, a reforma amplia um benefício que já existia.

Além da nova isenção até R$ 5.000, esse grupo continua tendo direito a uma isenção extra mensal de R$ 1.903,98, aplicada a partir do mês de aniversário. Com isso, o impacto da reforma se torna ainda mais expressivo.

Segundo a Contabilizei, o maior ganho para esse público ocorre para quem recebe R$ 6.904 por mês. Nessa faixa, o beneficiário também terá redução de R$ 312,89 e passará a ficar totalmente isento do IR na fonte.

Simulações mostram quanto muda no bolso de aposentados até 64 anos

Para aposentados e pensionistas com até 64 anos, a nova tabela trouxe ganhos graduais conforme a renda aumenta.

Alguns exemplos práticos:

  • R$ 3.200 de aposentadoria: ganho anual de R$ 159,90

  • R$ 4.000: ganho anual de R$ 1.491,88

  • R$ 4.800: ganho anual de R$ 3.482,57

  • R$ 5.000: ganho anual de R$ 4.067,57, com imposto zerado

  • R$ 6.000: ganho anual de R$ 2.336,75

  • R$ 7.000: ganho anual de R$ 605,86

A partir de R$ 7.350, o benefício da redução deixa de existir e o desconto volta ao patamar anterior.

E para aposentados a partir de 65 anos

No caso dos aposentados e pensionistas com 65 anos ou mais, os efeitos são ainda mais amplos nas faixas intermediárias.

Até valores próximos de R$ 3.800, muitos já estavam isentos antes da reforma. A diferença agora aparece principalmente nas rendas entre R$ 5.000 e R$ 6.900, que passam a zerar o imposto mensal, algo que não ocorria de forma tão ampla antes de 2026.

O piso do INSS continua isento do Imposto de Renda

O piso das aposentadorias do INSS, que acompanha o salário mínimo, segue totalmente isento do IR.

Em 2026, o salário mínimo foi reajustado para R$ 1.621, valor que permanece fora da tributação. Esse ponto não foi alterado pela reforma, mas continua sendo relevante para milhões de beneficiários.

Outras deduções que continuam valendo em 2026

Além da nova isenção e da redução do imposto, seguem valendo outras deduções importantes:

  • Dependentes: R$ 189,59 por mês ou R$ 2.275,08 por ano

  • Desconto simplificado mensal: R$ 607,20, aplicado automaticamente quando for mais vantajoso

  • Desconto simplificado anual: até R$ 17.640

  • Educação: limite anual de dedução de R$ 3.561,50 por pessoa

  • Saúde: sem limite de dedução, conforme despesas comprovadas

A Previdência Social ou o órgão público responsável pelo benefício é quem aplica, na fonte, o modelo mais vantajoso para o contribuinte.

Como funcionam as tabelas do Imposto de Renda em 2026

Desde 1º de janeiro, passaram a coexistir duas tabelas:

  • A tabela tradicional do IR, com alíquotas de 7,5% a 27,5%

  • A tabela de isenção e redução, que zera ou diminui o imposto até a renda de R$ 7.350

Tabela de isenção e redução mensal

  • Até R$ 5.000: redução de até R$ 312,89, zerando o imposto

  • De R$ 5.000,01 a R$ 7.350: redução decrescente

  • Acima de R$ 7.350: sem redução

O que muda na declaração anual do IR a partir de 2027

As novas regras também afetam a declaração anual, referente ao ano-calendário de 2026, que será entregue em 2027.

Nesse modelo:

  • Rendimentos de até R$ 60 mil anuais podem ter o imposto zerado

  • A redução passa a ser decrescente até R$ 88,2 mil por ano

  • Acima desse valor, volta a tributação integral

Isso reforça o impacto da reforma não apenas no desconto mensal, mas também no ajuste anual.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.