O ano de 2026 será decisivo para quem trabalha com carteira assinada. Mudanças importantes no PIS/PASEP e no FGTS alteram não apenas os valores pagos, mas principalmente quem terá direito a receber. Na prática, muitos trabalhadores vão ganhar mais, enquanto outros, mesmo empregados formalmente, ficarão totalmente fora dos programas.
As alterações já estão definidas, têm impacto direto no orçamento das famílias e exigem atenção desde já. Entender as regras com antecedência pode evitar frustrações, perda de prazos e até a exclusão de benefícios que, para muitos, fazem diferença no fim do mês.
PIS/PASEP 2026: pagamento maior, mas com corte significativo de beneficiários
O abono salarial do PIS/PASEP pago em 2026, referente ao ano-base 2024, traz uma contradição que merece atenção: o valor máximo aumentou, mas as regras ficaram mais rígidas e reduziram o número de trabalhadores elegíveis.
Valor do abono sobe para R$ 1.621,00
O valor integral do PIS/PASEP em 2026 passa a ser de R$ 1.621,00, equivalente ao novo salário mínimo nacional. Quem trabalhou os 12 meses de 2024 com carteira assinada pode receber esse valor cheio.
O pagamento continua sendo proporcional ao tempo trabalhado. Cada mês equivale a R$ 135,08. Assim, quem trabalhou menos tempo recebe valores menores, mas ainda relevantes para complementar a renda.
Novo teto de renda exclui milhões de trabalhadores
A principal mudança está na regra de renda. Até poucos anos atrás, o critério era simples: ganhar até dois salários mínimos. Isso mudou.
Agora, o teto não acompanha mais o salário mínimo. Ele passou a ser reajustado apenas pela inflação (INPC). Com isso, em 2026, o limite de renda média mensal ficou em aproximadamente R$ 2.765,92.
Na prática, isso significa que:
Quem teve média salarial acima desse valor em 2024, mesmo por poucos reais, fica fora do PIS/PASEP.
Trabalhadores que antes recebiam automaticamente o benefício agora deixam de ter direito.
Essa mudança é considerada o maior “corte silencioso” do programa nos últimos anos.

Regra dos cinco anos continua valendo
Outro ponto que elimina muitos trabalhadores é a exigência de tempo mínimo de cadastro. Para receber o PIS/PASEP em 2026, é obrigatório:
Estar cadastrado no PIS ou PASEP há pelo menos cinco anos.
Isso significa que quem começou a trabalhar formalmente a partir de 2022, mesmo cumprindo todos os outros critérios, não receberá o abono em 2026.
Como funciona o cálculo do PIS/PASEP em 2026
O valor é calculado de forma progressiva, conforme os meses trabalhados em 2024:
1 mês trabalhado: R$ 135,08
3 meses trabalhados: R$ 405,25
6 meses trabalhados: R$ 810,50
12 meses trabalhados: R$ 1.621,00
Um detalhe importante: se o trabalhador atuou 15 dias ou mais em um mês, esse período já conta como mês cheio no cálculo.
Requisitos obrigatórios para receber o PIS/PASEP em 2026
Para aparecer como “habilitado” na consulta que abre em fevereiro de 2026, o trabalhador precisa cumprir todos os critérios abaixo:
Cadastro no PIS/PASEP há pelo menos cinco anos
Trabalho com carteira assinada por, no mínimo, 30 dias em 2024
Renda média mensal dentro do teto de R$ 2.765,92
Dados corretos enviados pelo empregador na RAIS ou no eSocial
Erros simples no CPF, no CNPJ da empresa ou atraso no envio das informações são motivos frequentes para o benefício aparecer como “não habilitado”.
Calendário oficial de pagamento do PIS/PASEP 2026
O calendário passa a ser totalmente unificado e segue o mês de nascimento do trabalhador, sem distinção entre PIS e PASEP:
Fevereiro (15/02): Nascidos em janeiro
Março (15/03): Nascidos em fevereiro
Abril (15/04): Nascidos em março e abril
Maio (15/05): Nascidos em maio e junho
Junho (15/06): Nascidos em julho e agosto
Julho (15/07): Nascidos em setembro e outubro
Agosto (15/08): Nascidos em novembro e dezembro
Como consultar o PIS/PASEP em 2026
A consulta oficial é feita pela Carteira de Trabalho Digital:
Abra o aplicativo
Vá até a aba “Benefícios”
Clique em “Abono Salarial”
Selecione o ano-base 2024
O sistema informará se o trabalhador está habilitado, não habilitado ou em análise. Para dúvidas adicionais, o atendimento é feito pelo telefone 158 (Alô Trabalho) ou pelo Portal Gov.br.
FGTS 2026: novos pagamentos e regras importantes
Além do PIS/PASEP, o FGTS também traz novidades relevantes em 2026, especialmente para quem optou por modalidades alternativas de saque.
Saque-Aniversário segue com calendário específico
O Saque-Aniversário permite retirar parte do saldo do FGTS todos os anos, no mês de nascimento. O calendário de 2026 já está definido:
Janeiro: 02/01 a 31/03
Fevereiro: 02/02 a 30/04
Março: 02/03 a 29/05
Abril: 01/04 a 30/06
Maio: 04/05 a 31/07
Junho: 01/06 a 31/08
Julho: 01/07 a 30/09
Agosto: 03/08 a 30/10
Setembro: 01/09 a 30/11
Outubro: 01/10 a 31/12
Novembro: 03/11 a 29/01/2027
Dezembro: 01/12 a 31/01/2027
Atenção: quem opta pelo Saque-Aniversário perde o direito ao saque integral do FGTS em caso de demissão sem justa causa, mantendo apenas a multa de 40%.

FGTS Digital passa a valer em 2026
A partir de 2026, o recolhimento do FGTS pelas empresas passa a ser feito pelo FGTS Digital, uma nova plataforma que promete:
Mais fiscalização
Menos erros nos depósitos
Maior transparência para o trabalhador
A expectativa é reduzir problemas históricos de falta de recolhimento, que só eram descobertos anos depois.
Saque-Calamidade ganha destaque em 2026
Com o aumento de eventos climáticos extremos, o Saque-Calamidade se torna um dos pagamentos mais relevantes do FGTS em 2026.
Trabalhadores que moram em áreas oficialmente reconhecidas em situação de calamidade podem sacar até R$ 6.220,00 por evento, diretamente pelo aplicativo FGTS, sem necessidade de ir à agência.
