O banco pode bloquear benefício do INSS? Saiba o que a lei diz para 2026

Em 2026, muitos aposentados, pensionistas e beneficiários do INSS continuam com a mesma dúvida: o banco pode bloquear ou reter o dinheiro da aposentadoria? A resposta curta é: em regra, não pode, mas existem exceções importantes previstas em lei e situações práticas que merecem atenção redobrada.

O tema gera alto nível de preocupação porque envolve renda de natureza alimentar, ou seja, dinheiro essencial para pagar aluguel, remédios, alimentação e contas básicas. Por isso, a legislação brasileira protege o benefício previdenciário, mas também estabelece limites claros para essa proteção.

A seguir, você confere um guia completo, atualizado para 2026, com linguagem simples, explicações diretas e orientações práticas para saber quando o bloqueio é ilegal, quando é permitido e como agir se o dinheiro for retido indevidamente.

O que a lei diz sobre a impenhorabilidade do benefício do INSS

A principal regra está no artigo 833 do Código de Processo Civil (CPC). Ele determina que aposentadorias, pensões e demais benefícios previdenciários são impenhoráveis, justamente por terem natureza alimentar.

Na prática, isso significa que:

  • O dinheiro do INSS não pode ser bloqueado para pagar dívidas comuns

  • O banco não pode reter valores automaticamente

  • Dívidas como cartão de crédito, cheque especial, empréstimo pessoal ou financiamentos comuns não autorizam o bloqueio do benefício

Sem autorização expressa do beneficiário ou ordem judicial específica, qualquer retenção é considerada ilegal.

Esse entendimento continua válido em 2026 e é amplamente reconhecido pelos tribunais brasileiros.

Quando o bloqueio do benefício é permitido pela lei

Apesar da proteção legal, existem exceções importantes em que o desconto ou bloqueio pode ocorrer de forma legítima. Conhecer essas situações evita confusão e ajuda o segurado a identificar abusos.

Crédito consignado: desconto autorizado no benefício

O caso mais comum de desconto legal é o empréstimo consignado do INSS. Nesse modelo, o valor da parcela é descontado diretamente da aposentadoria ou pensão.

Para ser válido, é obrigatório que:

  • O beneficiário tenha assinado o contrato

  • O desconto respeite a margem consignável de 45%

    • 35% para empréstimos

    • 5% para cartão de crédito consignado

    • 5% para cartão de benefício

Se o desconto estiver dentro dessas regras, o banco está agindo legalmente.

Qualquer desconto fora da margem ou sem contrato pode ser questionado.

Pensão alimentícia: bloqueio por ordem judicial

Outra exceção prevista em lei é o pagamento de pensão alimentícia.

Nesses casos:

  • A Justiça pode determinar o bloqueio de parte do benefício

  • O percentual é definido pelo juiz

  • O objetivo é garantir a subsistência de filhos ou dependentes

Mesmo sendo verba alimentar, o entendimento jurídico é que a pensão alimentícia tem prioridade, o que autoriza o bloqueio parcial do benefício.

Dívidas elevadas e decisões judiciais específicas

Em situações mais raras, decisões recentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) passaram a admitir a penhora de parte do benefício, geralmente até 30%, quando:

  • A dívida tem valor elevado

  • ordem judicial expressa

  • Fica comprovado que o desconto não compromete a subsistência digna do beneficiário

Esse tipo de bloqueio não é automático, não parte do banco e sempre depende de decisão judicial individualizada.

Bloqueios que não são do banco, mas do próprio INSS

Muitas vezes, o beneficiário acredita que o banco bloqueou o pagamento, quando na verdade a suspensão partiu do INSS. Em 2026, os motivos mais comuns continuam sendo:

Falta de prova de vida

Embora o INSS utilize cruzamento automático de dados, falhas ainda podem ocorrer.

Se o sistema não conseguir confirmar que o beneficiário está vivo, o pagamento pode ser suspenso até a regularização.

Pente-fino previdenciário

O INSS mantém revisões periódicas para identificar:

  • Possíveis fraudes

  • Acúmulo indevido de benefícios

  • Erros no cálculo

Durante a análise, o pagamento pode ser bloqueado temporariamente.

Dados desatualizados no Meu INSS

Informações como endereço, telefone ou composição familiar desatualizadas podem gerar inconsistências e levar à suspensão do benefício.

Manter o cadastro atualizado é fundamental em 2026.

O que fazer se o banco bloquear o benefício indevidamente

Se o seu benefício foi retido para pagar dívida comum, sem consignado e sem ordem judicial, a situação é irregular.

As medidas recomendadas são:

Registrar reclamação no banco

  • Entre em contato com o SAC

  • Solicite a liberação imediata

  • Informe que se trata de verba alimentar impenhorável

  • Anote o número de protocolo

Acionar órgãos de fiscalização

Se o banco não resolver:

  • Registre denúncia no Consumidor.gov.br

  • Faça reclamação no Banco Central

  • Guarde extratos e comprovantes do bloqueio

Buscar apoio jurídico

A retenção indevida de benefício previdenciário pode gerar:

  • Obrigação de devolução imediata

  • Indenização por danos morais

  • Multas ao banco

A Defensoria Pública pode ajudar gratuitamente quem não pode pagar advogado.

Como consultar seu benefício do INSS usando o CPF em 2026

Para evitar surpresas, acompanhar o benefício regularmente é essencial. Em 2026, existem três formas oficiais.

Pelo aplicativo ou site Meu INSS (recomendado)

É a opção mais completa.

Passo a passo:

  • Acesse meu.inss.gov.br ou o app Meu INSS

  • Clique em “Entrar com gov.br”

  • Informe CPF e senha

No sistema, você pode consultar:

  • Extrato de pagamento

  • Meus benefícios

  • Extrato de empréstimos consignados

  • Resultados de perícias e revisões

Pela Central de Atendimento 135

Indicada para quem não usa internet.

  • Ligue para 135

  • Informe o CPF

  • Atendimento de segunda a sábado, das 7h às 22h

  • Ligação gratuita de telefone fixo

Pelo aplicativo ou site do banco

Para quem já recebe o benefício:

  • Acesse o internet banking

  • Vá até a aba Previdência ou Benefícios Sociais

  • Consulte o valor e a data do depósito

O que é possível verificar com o CPF em 2026

Com o CPF, o beneficiário pode consultar:

  • Valor do benefício, já com reajuste

  • Novo piso previdenciário de R$ 1.621,00

  • Teto do INSS de R$ 8.577,22

  • Data exata de pagamento

  • Existência de descontos de consignado ativos

Aviso de segurança importante

O INSS não entra em contato por telefone, WhatsApp ou e-mail pedindo:

  • Fotos de documentos

  • Senhas

  • Códigos de confirmação

Use apenas canais oficiais do Governo Federal para evitar golpes.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.