Salário mínimo 2026 já está em vigor: veja o valor atualizado, quando começa a ser pago e quem recebe primeiro

O salário mínimo de 2026 já está oficialmente em vigor em todo o Brasil desde 1º de janeiro. O novo valor foi fixado em R$ 1.621, após reajuste de 6,79%, o que representa R$ 103 a mais em relação ao piso anterior, de R$ 1.518. A atualização foi confirmada por decreto publicado no Diário Oficial da União e impacta diretamente a renda de milhões de brasileiros.

Mais do que um simples número, o salário mínimo serve como referência central para salários, aposentadorias, pensões e diversos benefícios sociais, além de influenciar o cálculo de direitos trabalhistas e previdenciários. Por isso, a mudança costuma gerar dúvidas sobre quando o novo valor começa a ser pago, quem recebe primeiro e como o reajuste foi calculado.

A seguir, veja os principais pontos sobre o salário mínimo de 2026, com explicações claras e objetivas.

Salário mínimo 2026 já está valendo, mas pagamento ocorre depois

Embora o salário mínimo de R$ 1.621 esteja em vigor desde 1º de janeiro de 2026, o pagamento com o valor reajustado não ocorre imediatamente para todos.

Na prática, os primeiros depósitos com o novo piso acontecem a partir do fim de janeiro e ao longo de fevereiro, dependendo do tipo de vínculo do trabalhador ou beneficiário. Isso acontece porque os salários e benefícios pagos no início do ano geralmente se referem ao mês anterior.

Com o novo valor, o salário mínimo nacional equivale a:

  • R$ 54,04 por dia

  • R$ 7,37 por hora, considerando a jornada legal de trabalho

Esses valores também servem como base para cálculos de horas extras, adicionais e outros direitos previstos na legislação trabalhista.

Quem recebe primeiro o salário mínimo reajustado

Os primeiros brasileiros a receber o salário mínimo de 2026 são os beneficiários do INSS que ganham exatamente um salário mínimo. Esse grupo inclui:

  • Aposentados

  • Pensionistas

  • Beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas)

Para essas pessoas, os pagamentos começam a partir de 26 de janeiro, seguindo o calendário oficial do INSS, que leva em conta o número final do benefício.

Na sequência, passam a receber o valor reajustado:

  • Trabalhadores com carteira assinada (CLT)

  • Servidores públicos com vencimentos atrelados ao piso nacional

  • Beneficiários de programas que usam o salário mínimo como referência

Além disso, o novo valor influencia diretamente o cálculo de benefícios como seguro-desemprego, abono salarial PIS/Pasep e auxílios previdenciários.

Por que o salário mínimo de 2026 ficou em R$ 1.621

O valor do salário mínimo de 2026 foi definido com base na política de valorização retomada pelo governo, que combina inflação com ganho real. O cálculo considera dois fatores principais:

  • Inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor)

  • Crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes

No caso do reajuste de 2026, a inflação considerada foi o INPC acumulado de 4,18%, referente aos 12 meses encerrados em novembro. Já o PIB analisado foi o de 2024, que teve crescimento de 3,4%, segundo dados revisados do IBGE.

Em um cenário sem limitações fiscais, esse crescimento poderia elevar o salário mínimo para um patamar próximo de R$ 1.636. No entanto, isso não ocorreu.

Salário Mínimo. Foto: Reprodução

Limite do arcabouço fiscal reduziu o ganho real

Apesar do bom desempenho da economia, o reajuste do salário mínimo de 2026 ficou abaixo da projeção inicial por causa das regras do novo arcabouço fiscal.

A legislação aprovada no ano passado estabelece que o ganho real do salário mínimo — ou seja, o aumento acima da inflação — deve ficar entre 0,6% e 2,5%, mesmo que o PIB tenha crescido mais do que esse teto.

Assim, mesmo com o crescimento de 3,4% da economia em 2024, apenas o percentual máximo permitido, de 2,5%, pôde ser incorporado ao reajuste.

Somando:

  • 4,18% de inflação (INPC)

  • 2,5% de ganho real permitido

O reajuste total chegou a 6,79%, elevando o piso de R$ 1.518 para R$ 1.620,99, valor arredondado oficialmente para R$ 1.621.

Impacto do salário mínimo nas contas públicas

O salário mínimo tem efeito direto e significativo sobre o orçamento federal. Cada real de aumento no piso nacional amplia as despesas do governo, principalmente em áreas como Previdência e assistência social.

Entre os gastos diretamente impactados estão:

  • Aposentadorias e pensões do INSS

  • Benefício de Prestação Continuada (BPC)

  • Seguro-desemprego

  • Abono salarial

  • Outros auxílios vinculados ao piso nacional

Por esse motivo, o governo precisou revisar as projeções do Orçamento de 2026. Inicialmente, o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) previa um salário mínimo de R$ 1.627.

Com a confirmação dos índices de inflação e a aplicação do limite fiscal, o valor final ficou abaixo do esperado, exigindo ajustes nas estimativas de despesas públicas.

Salário mínimo influencia muito além do salário mensal

O impacto do salário mínimo vai além do contracheque. Ele serve como parâmetro para uma série de direitos trabalhistas e previdenciários, incluindo:

  • Valor mínimo de benefícios do INSS

  • Cálculo do seguro-desemprego

  • Piso de contribuições previdenciárias

  • Base para decisões judiciais e acordos trabalhistas

Por isso, qualquer reajuste afeta diretamente a economia, o consumo das famílias e o planejamento financeiro de milhões de brasileiros.

Evolução do salário mínimo nos últimos anos

A trajetória recente do salário mínimo mostra uma retomada gradual do ganho real, após um período em que os reajustes apenas repunham a inflação. Veja os valores ano a ano:

  • 2021: R$ 1.100

  • 2022: R$ 1.212

  • 2023: R$ 1.302

  • 2024: R$ 1.412

  • 2025: R$ 1.518

  • 2026: R$ 1.621

O aumento de R$ 103 em 2026 reforça a estratégia do governo de preservar o poder de compra dos trabalhadores e beneficiários, ainda que dentro dos limites impostos pelas regras fiscais.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.