Lei aprovada obriga pagamento acima dos R$1.600 aos CLTs a partir desta quinta-feira (01/01)

A partir desta quinta-feira, 1º de janeiro, passa a valer oficialmente o novo salário mínimo nacional. Com a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 24 de dezembro, o piso foi fixado em R$ 1.621, valor que estabelece o menor pagamento permitido por lei para trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

O reajuste representa um aumento de R$ 103 em relação ao salário mínimo anterior, que era de R$ 1.518, correspondendo a uma alta de 6,79%. Embora o valor entre em vigor já em janeiro, o dinheiro com reajuste só começa a cair na conta dos trabalhadores a partir de fevereiro de 2026, referente ao salário trabalhado em janeiro.

Para milhões de brasileiros, o novo piso gera dúvidas práticas: quem tem direito ao valor integral, como funciona o pagamento, quais benefícios também sobem e se o reajuste realmente melhora o poder de compra. A seguir, entenda todos os pontos de forma clara e direta.

Novo salário mínimo passa a ser obrigatório por lei

Com a sanção presidencial, o valor de R$ 1.621 deixa de ser apenas uma projeção e passa a ser obrigatório em todo o país. Isso significa que nenhum trabalhador CLT pode receber menos do que esse valor, considerando a jornada mensal padrão.

Empresas que descumprirem o piso estão sujeitas a multas trabalhistas, ações judiciais e cobrança de diferenças salariais. O salário mínimo também vale como referência para contratos formais, acordos coletivos e cálculo de verbas como férias, 13º salário e rescisão.

Para quem recebe por hora, o valor mínimo também é reajustado, já que o cálculo considera o novo piso mensal dividido pela carga horária legal.

Quando o salário reajustado começa a ser pago

Apesar de entrar em vigor em 1º de janeiro, o novo salário mínimo não aparece no contracheque de janeiro para a maioria dos trabalhadores. Isso acontece porque o pagamento é feito no mês seguinte ao período trabalhado.

Na prática, funciona assim:

  • Janeiro de 2026: trabalhador exerce suas atividades já com o novo piso em vigor

  • Fevereiro de 2026: pagamento do salário de janeiro, já com o valor de R$ 1.621

Essa regra vale tanto para empresas privadas quanto para empregadores domésticos e contratos formais em geral.

Como é feito o cálculo do salário mínimo

O valor do salário mínimo não é definido de forma aleatória. Ele segue uma política de valorização retomada pelo governo federal, que considera dois fatores principais.

O primeiro é a inflação acumulada em 12 meses até novembro, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Em 2025, esse índice registrou alta de 4,18%, segundo dados do IBGE.

O segundo fator é o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Para o reajuste de 2026, foi considerado o desempenho da economia em 2024, quando o PIB cresceu 3,4%.

No entanto, desde 2024, essa parcela de ganho real tem um teto de 2,5%, conforme as regras do novo arcabouço fiscal. Com isso, mesmo que o PIB cresça mais, apenas até esse limite pode ser incorporado ao salário mínimo.

Assim, o cálculo final considerou:

  • 4,18% de inflação (INPC)

  • 2,5% de ganho real, respeitando o teto

O resultado foi o reajuste total de 6,79%, que levou o piso a R$ 1.621.

Por que existe limite no aumento do salário mínimo

O salário mínimo impacta diretamente as contas públicas. Segundo o próprio governo federal, cada R$ 1 de aumento no piso gera cerca de R$ 420 milhões em despesas obrigatórias.

Isso acontece porque o valor serve de base para uma série de pagamentos automáticos, especialmente na área social e previdenciária. Sem limites, o crescimento dessas despesas poderia comprometer o equilíbrio fiscal.

Por esse motivo, o governo adotou regras que garantem ganho real, mas dentro de um limite considerado sustentável para o orçamento.

Quais benefícios também sobem com o novo piso

O impacto do novo salário mínimo vai muito além dos trabalhadores CLT. Milhões de brasileiros que recebem benefícios atrelados ao piso também são diretamente afetados.

Entre os principais estão:

  • Aposentadorias e pensões do INSS pagas no valor mínimo

  • BPC (Benefício de Prestação Continuada), destinado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda

  • Seguro-desemprego, cujo valor mínimo acompanha o piso nacional

  • Contribuições previdenciárias, inclusive de trabalhadores autônomos e MEIs

  • Programas sociais, como o Bolsa Família, que usam o salário mínimo como referência em regras de renda

Na prática, qualquer benefício que tenha o salário mínimo como base passa automaticamente para R$ 1.621.

Quem realmente sente o reajuste no dia a dia

De acordo com dados do DIEESE, cerca de 59,9 milhões de brasileiros têm sua renda direta ou indiretamente ligada ao salário mínimo. Isso inclui trabalhadores formais, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais.

Para esse grupo, o reajuste ajuda a aliviar parte das perdas provocadas pela inflação, especialmente em itens essenciais como alimentação, transporte e energia elétrica. No entanto, especialistas apontam que o aumento ainda é insuficiente para garantir uma vida confortável.

Qual seria o salário mínimo ideal no Brasil

Apesar do reajuste, o valor do salário mínimo está longe de cobrir todas as despesas básicas de uma família. O próprio DIEESE calcula mensalmente quanto deveria ser o piso ideal, levando em conta gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, lazer e vestuário.

Em novembro de 2025, esse valor chegou a R$ 7.067,18. O montante é quase cinco vezes maior que o salário mínimo oficial vigente até então.

Na prática, isso significa que, para atender plenamente às necessidades básicas de uma família brasileira média, o salário mínimo em 2026 precisaria ultrapassar os R$ 7 mil, algo ainda distante da realidade econômica do país.

O que muda para empresas e empregadores

Para empresas, o novo salário mínimo representa aumento de custos trabalhistas, especialmente em setores que empregam grande número de trabalhadores com remuneração próxima ao piso.

Além do salário em si, também sobem encargos como FGTS, INSS patronal e benefícios calculados com base na remuneração. Por isso, especialistas recomendam que empregadores revisem folhas de pagamento e contratos já no início do ano.

No caso de empregadores domésticos, o reajuste também é obrigatório e deve ser aplicado imediatamente, respeitando a legislação trabalhista vigente.

Por que o tema gera tanto interesse

O salário mínimo é um dos assuntos que mais mobilizam a atenção dos brasileiros porque afeta diretamente o bolso de quem trabalha e de quem depende de benefícios sociais. Qualquer mudança, mesmo pequena, tem impacto imediato na rotina financeira das famílias.

Além disso, o valor do piso costuma ser usado como termômetro da política econômica e social do governo, influenciando debates sobre poder de compra, desigualdade e crescimento econômico.

Com o novo valor já em vigor, trabalhadores e beneficiários agora acompanham de perto como o reajuste será sentido na prática ao longo de 2026.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.