Nesta segunda-feira, 29 de dezembro, a Caixa Econômica Federal iniciou a liberação de valores do FGTS que estavam bloqueados para trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e tiveram o contrato de trabalho suspenso ou encerrado entre 1º de janeiro de 2020 e 23 de dezembro de 2025.
A medida, autorizada por uma Medida Provisória (MP) publicada pelo governo federal na semana passada, já começou a impactar diretamente o bolso de milhões de brasileiros e chega em um momento decisivo: às vésperas do Réveillon, quando despesas extras costumam pesar no orçamento.
De acordo com informações divulgadas pelo portal Extra, a estimativa é de que cerca de R$ 7,8 bilhões sejam liberados em todo o país, beneficiando trabalhadores que, até então, não podiam acessar o saldo integral do FGTS por estarem vinculados ao saque-aniversário.
FGTS liberado por medida provisória surpreende trabalhadores
Antes de mais nada, é importante entender o contexto. Desde a criação do saque-aniversário, muitos trabalhadores passaram a enfrentar uma limitação importante: ao optar por essa modalidade, perdiam o direito de sacar o saldo total do FGTS em caso de demissão sem justa causa, mantendo apenas a multa de 40%.
Com a nova MP, o governo abriu uma exceção temporária. Assim, trabalhadores demitidos ou com contrato suspenso dentro do período definido passaram a ter direito à liberação dos valores que estavam bloqueados, respeitando regras específicas de pagamento.
A decisão foi bem recebida, principalmente por quem enfrenta dificuldades financeiras e contava com o FGTS como uma reserva de emergência.
Pagamento do FGTS será feito em duas etapas
A Caixa informou que o pagamento ocorrerá em duas fases, de acordo com o saldo disponível em cada conta vinculada ao contrato rescindido. O calendário foi estruturado para distribuir os recursos de forma escalonada, evitando sobrecarga nos sistemas bancários.
Primeira fase: até R$ 1.800 liberados imediatamente
Na primeira etapa, os trabalhadores poderão receber até R$ 1.800 por conta, respeitando o saldo existente.
Segundo a Caixa, essa fase deve liberar cerca de R$ 3,9 bilhões, beneficiando milhões de pessoas já a partir desta segunda-feira (29).
Esse valor inicial tem sido apontado como essencial para ajudar famílias a quitar contas atrasadas, reforçar o orçamento do fim de ano e até garantir uma virada de ano mais tranquila.
Segunda fase: saldo restante a partir de fevereiro
Já a segunda etapa prevê o pagamento do saldo restante do FGTS, também estimado em R$ 3,9 bilhões.
Os depósitos começam em 2 de fevereiro de 2026 e seguem até 12 de fevereiro, de forma escalonada, conforme cronograma da Caixa.
Ou seja, mesmo quem não recebe todo o valor agora já tem data definida para acessar o restante do dinheiro.
Depósito é automático e não exige solicitação
Um dos pontos que mais chamam a atenção nesta liberação é a simplicidade do processo. O trabalhador não precisa solicitar o saque nem fazer qualquer tipo de requerimento.
O crédito será realizado automaticamente, diretamente na conta bancária cadastrada no aplicativo do FGTS. Segundo a Caixa, 87% dos trabalhadores já possuem uma conta informada no sistema e receberão o valor sem precisar sair de casa.
Essa medida reduz filas, evita deslocamentos desnecessários e garante mais agilidade no pagamento.
Quem não cadastrou conta no app do FGTS precisa ir à Caixa
Apesar da praticidade, há exceções importantes. O cadastro da conta bancária precisava estar ativo até o dia 18 de dezembro. Quem não informou os dados até essa data deverá realizar o saque presencialmente.
Nesses casos, o dinheiro poderá ser retirado nos seguintes canais físicos da Caixa:
Agências bancárias da Caixa Econômica Federal
Casas lotéricas
Terminais de autoatendimento
Além disso, trabalhadores com bloqueio judicial por pensão alimentícia e trabalhadores avulsos não receberão o crédito automático e também deverão comparecer a uma agência para orientações específicas.
Como conferir se o FGTS já foi liberado
Para evitar dúvidas e desencontros de informação, a Caixa orienta que o trabalhador consulte o aplicativo FGTS, disponível gratuitamente para Android e iOS.
No app, é possível:
Verificar o valor liberado
Conferir se o depósito já foi realizado
Atualizar ou confirmar dados bancários
Acompanhar o histórico de movimentações do FGTS
Essa consulta simples ajuda a evitar golpes e falsas informações que costumam circular em períodos de grande liberação de recursos.
Entenda como funciona o saque-aniversário
O saque-aniversário é uma modalidade opcional do FGTS que permite ao trabalhador retirar, todos os anos, uma parte do saldo disponível, sempre no mês de seu aniversário.
O valor liberado varia conforme o saldo total da conta, seguindo uma tabela progressiva definida pelo governo federal. Quanto maior o saldo, menor o percentual liberado, acrescido de uma parcela fixa.
Por outro lado, quem escolhe essa modalidade precisa estar ciente de uma regra fundamental: em caso de demissão sem justa causa, não é possível sacar o saldo total do FGTS, apenas a multa rescisória de 40%.
Foi justamente essa limitação que levou milhões de trabalhadores a ficarem com valores bloqueados — situação agora parcialmente corrigida pela nova MP.
É possível voltar ao saque-rescisão?
Sim. O trabalhador pode solicitar o retorno ao saque-rescisão, que é a modalidade tradicional do FGTS e permite sacar o valor total da conta em caso de demissão sem justa causa.
No entanto, essa mudança não é imediata. Após o pedido, a alteração só passa a valer após dois anos, contados a partir da data da solicitação.
Ou seja, quem decide mudar agora precisa planejar bem, já que durante esse período continuará vinculado às regras do saque-aniversário.
Liberação do FGTS deve movimentar economia no fim do ano
A liberação de até R$ 1.800 ainda em dezembro tem potencial para aquecer o comércio, reduzir inadimplência e aliviar o orçamento das famílias em um dos períodos mais caros do ano.
Especialistas avaliam que, além do impacto individual, a medida também contribui para a economia local, já que boa parte dos recursos tende a ser usada em consumo imediato, pagamento de dívidas e despesas básicas.
