Brasileiros que mantêm conta corrente ativa no Nubank, Banco Inter ou Banco do Brasil precisam redobrar a atenção neste fim de ano. Um alerta de segurança voltou a circular nesta segunda-feira, 29 de dezembro, envolvendo o chamado golpe da falsa central, uma fraude que já causou prejuízos financeiros significativos e que continua fazendo novas vítimas em todo o país.
O golpe se aproveita da confiança dos clientes nessas instituições e do uso cada vez mais comum de aplicativos bancários. Com uma abordagem aparentemente profissional, os criminosos conseguem convencer pessoas a entregar senhas, códigos de segurança e até o controle total da conta, tudo sob o pretexto de evitar um problema inexistente.
O que é o golpe da falsa central e por que ele preocupa tanto
O golpe da falsa central de atendimento acontece quando criminosos se passam por funcionários de bancos ou instituições financeiras. Eles entram em contato com a vítima alegando uma situação urgente, como compra suspeita, cartão clonado, tentativa de acesso indevido ou bloqueio iminente da conta.
A abordagem costuma ser bem elaborada. Em muitos casos, o golpista já possui dados básicos da vítima, como nome completo e banco onde ela tem conta, o que aumenta a sensação de legitimidade. A partir daí, cria-se um clima de urgência para que a pessoa siga instruções sem questionar.
O grande risco está no fato de que, ao acreditar que está falando com o banco, o cliente acaba informando senhas, tokens ou códigos enviados por SMS, permitindo que os criminosos façam transferências via Pix, contratem empréstimos ou limpem o saldo da conta.
Como o golpe começa na prática
Na maioria dos relatos, o primeiro contato acontece de forma inesperada. Pode ser uma ligação telefônica, um SMS, um e-mail ou até uma mensagem em aplicativos como WhatsApp. O conteúdo quase sempre segue um padrão:
Aviso de compra fora do perfil do cliente
Alerta sobre tentativa de acesso suspeito
Informação de bloqueio preventivo da conta ou do cartão
A partir desse contato inicial, o criminoso orienta a vítima a ligar para um número específico ou a continuar o atendimento ali mesmo, garantindo que tudo será resolvido rapidamente.
Por que Nubank, Banco Inter e Banco do Brasil são os mais citados
Os golpistas escolhem instituições com grande base de clientes e forte presença digital. Nubank, Banco Inter e Banco do Brasil se encaixam perfeitamente nesse perfil.
Esses bancos utilizam linguagem moderna, aplicativos intuitivos e atendimento remoto, o que facilita a imitação do tom de comunicação. Além disso, muitos clientes estão acostumados a resolver tudo pelo celular, o que reduz a desconfiança inicial.
Casos mais comuns envolvendo cada banco
Nubank: mensagens sobre “cartão clonado” ou “transação negada”, com pedido para ligar para uma falsa central ou clicar em link fraudulento.
Banco Inter: SMS informando “bloqueio de segurança” e solicitando confirmação de dados por telefone.
Banco do Brasil: golpistas se passam por gerentes e dizem que é preciso confirmar informações para evitar cancelamento de cartão ou chave Pix.
Em todos os casos, o objetivo é o mesmo: levar a vítima a fornecer dados sensíveis.
Etapas mais comuns do golpe da falsa central
Mesmo com pequenas variações, o golpe costuma seguir um roteiro bem definido. Conhecer essas etapas ajuda a interromper a fraude antes que o prejuízo aconteça.
Contato inicial: ligação ou mensagem citando problema urgente na conta.
Encaminhamento para outro número: a vítima é orientada a ligar para uma “central oficial”, que na verdade é controlada pelos criminosos.
Simulação de atendimento real: há música de espera, menus automáticos e linguagem técnica para parecer legítimo.
Pedido de confirmação: o atendente falso solicita senhas, tokens, códigos de SMS ou dados do cartão.
Movimentação da conta: enquanto a vítima acredita estar protegendo o dinheiro, os golpistas realizam Pix, pagamentos e até empréstimos.
Sinais claros de alerta que não devem ser ignorados
Existem indícios que ajudam a identificar o golpe, mesmo quando o atendimento parece profissional. O principal deles é simples: bancos não pedem senha completa, token ou código por telefone ou mensagem.
Outros sinais importantes incluem:
Pressão para decidir rapidamente, com frases como “é agora ou sua conta será bloqueada”.
Pedido para instalar aplicativos de acesso remoto no celular ou computador.
Número de telefone diferente do divulgado no site ou no aplicativo oficial.
Falta de detalhes específicos sobre sua conta ou uso de termos genéricos.
Sempre que qualquer um desses sinais aparecer, a orientação é encerrar o contato imediatamente.
O que fazer ao receber uma ligação suspeita
Ao desconfiar de um possível golpe, a atitude mais segura é não continuar a conversa. Desligue e procure você mesmo os canais oficiais do banco, diretamente no aplicativo ou no site institucional.
Nunca retorne ligações para números informados durante o contato suspeito. Mesmo que a pessoa pareça bem informada, isso não garante que o atendimento seja legítimo.
Cuidados essenciais para reduzir o risco de cair no golpe
Especialistas em segurança digital reforçam algumas práticas simples, mas eficazes, para evitar esse tipo de fraude:
Nunca informe senhas ou códigos, independentemente de quem esteja do outro lado da linha.
Ative a autenticação em duas etapas sempre que o banco oferecer essa opção.
Evite clicar em links enviados por SMS ou e-mail em nome de bancos.
Mantenha aplicativos e sistema do celular atualizados, reduzindo falhas de segurança.
Desconfie de pedidos para instalar programas externos, especialmente de acesso remoto.
Essas medidas não eliminam totalmente o risco, mas reduzem significativamente a chance de prejuízo.
Se o golpe já aconteceu, quais são os próximos passos
Quando a fraude já foi consumada, agir rápido faz diferença. A orientação geral é:
Entrar em contato imediatamente com o banco pelos canais oficiais.
Registrar um boletim de ocorrência, presencialmente ou online.
Reunir provas como prints de mensagens, números de telefone e horários das ligações.
Em alguns casos, o banco pode bloquear movimentações ou iniciar procedimentos internos para análise do prejuízo.
Por que a informação é a principal forma de proteção
O golpe da falsa central continua se espalhando porque explora a desinformação e o medo. Quanto mais as pessoas entendem como a fraude funciona, menores são as chances de cair nesse tipo de armadilha.
Compartilhar alertas, conversar com familiares — especialmente idosos — e manter hábitos digitais seguros são atitudes que ajudam a diminuir o espaço de atuação dos criminosos e a proteger dados e dinheiro.
