Antes de mais nada, com a virada do ano e a confirmação do calendário de pagamentos para 2026, cresce a atenção das famílias beneficiárias do Bolsa Família em relação às regras que garantem a manutenção do auxílio. Embora o valor mínimo de R$ 600 permaneça assegurado no orçamento federal, o governo reforçou mecanismos de controle e monitoramento. Como resultado, esses ajustes podem gerar bloqueio, suspensão ou até cancelamento do benefício para quem descumprir as condicionalidades do programa.
A princípio, muitos beneficiários acreditam que apenas a renda define a permanência no Bolsa Família. No entanto, uma atualização normativa publicada em dezembro ampliou o acompanhamento de informações educacionais e sociais. Ou seja, o governo passou a observar com mais rigor situações que antes recebiam menos atenção, o que aumenta as chances de cortes automáticos. O foco principal recai sobre a frequência escolar de crianças e adolescentes, mas não se limita a esse ponto.
O que mudou nas regras do Bolsa Família em 2026
Em primeiro lugar, em 18 de dezembro, o governo publicou a Portaria Interministerial MEC/MDS nº 12/2025. Essa norma fortaleceu a integração entre os sistemas do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS).
Na prática, a medida ampliou o monitoramento da permanência e da trajetória escolar dos estudantes que pertencem a famílias do Bolsa Família. O governo, portanto, busca garantir não apenas a transferência de renda, mas também o acesso contínuo à educação. Segundo a avaliação oficial, a escola funciona como ferramenta essencial para romper o ciclo intergeracional da pobreza.
Com a nova portaria, os sistemas passam a compartilhar informações de matrícula, frequência e histórico escolar de forma mais rápida e detalhada. Assim, quando o sistema identifica irregularidades, ele pode gerar bloqueios automáticos do benefício, sem a necessidade de análise manual prolongada.
Faltas escolares podem cortar o Bolsa Família em 2026
Em segundo lugar, as faltas escolares dos filhos aparecem como um dos principais motivos que podem levar à perda do Bolsa Família em 2026. Embora a exigência de frequência mínima já existisse, o governo tornou o controle muito mais rigoroso.
Atualmente, as regras funcionam da seguinte forma:
Crianças de até 5 anos precisam atingir frequência mínima de 60%
Crianças e adolescentes de 6 a 18 anos precisam alcançar frequência mínima de 75%
Além disso, no ensino fundamental II e no ensino médio, o controle pode se tornar ainda mais detalhado. Em algumas redes de ensino, a escola contabiliza as faltas por disciplina, e não apenas pela presença geral. Dessa forma, o estudante pode comparecer à maioria das aulas e, ainda assim, ficar abaixo da média exigida por faltar repetidamente em uma única matéria.
Por consequência, faltas consideradas “pontuais” pelos responsáveis, como atrasos frequentes ou saídas antecipadas, entram no cálculo. Em resumo, qualquer ausência pode impactar diretamente o pagamento mensal do benefício.
Quem pode perder o Bolsa Família em 2026
Além da frequência escolar, outros fatores também colocam famílias em risco. A saber, o governo cruza dados de diferentes bases para identificar irregularidades. Veja quem pode perder o Bolsa Família em 2026:
Famílias com crianças ou adolescentes que não atingirem a frequência escolar mínima
Beneficiários com informações desatualizadas no Cadastro Único
Famílias que ultrapassarem o limite de renda permitido pelo programa
Pessoas que omitirem dados ou apresentarem informações inconsistentes
Casos identificados de acúmulo indevido de benefícios sociais
Famílias que não cumprirem condicionalidades de saúde, como o acompanhamento pré-natal
Crianças com vacinação fora do calendário oficial do SUS
Atualmente, o cruzamento de dados entre ministérios, estados e municípios ocorre com maior frequência. Assim, o governo compara informações do Cadastro Único, CPF, registros trabalhistas e sistemas educacionais, reduzindo falhas e ampliando a fiscalização.
Por que a escola é tão importante para o Bolsa Família
Antes de mais nada, a educação ocupa papel central no Bolsa Família desde a criação do programa. O governo entende que garantir a permanência de crianças e adolescentes na escola é tão importante quanto repassar o valor mensal.
Hoje, o MEC acompanha a matrícula, a frequência e o histórico escolar de cerca de 15 milhões de estudantes vinculados ao programa. Quando o sistema identifica evasão ou baixa frequência, ele comunica automaticamente a informação ao Bolsa Família.
A partir disso, o programa pode aplicar advertências, bloqueios temporários ou suspensões do pagamento. Em casos de reincidência, o governo pode cancelar o benefício. Ou seja, a escola deixou de ser apenas uma exigência formal e passou a funcionar como critério decisivo para a continuidade do auxílio.
Benefício bloqueado: como regularizar a situação
Caso o Bolsa Família seja bloqueado, a família precisa agir rapidamente. Em primeiro lugar, o responsável deve procurar o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) mais próximo.
O processo normalmente inclui:
Comparecer ao CRAS para entender o motivo do bloqueio
Apresentar documentos que justifiquem a situação, como atestado médico ou declaração da escola
Solicitar a atualização do Cadastro Único, quando necessário
Mesmo com toda a documentação correta, o processo de regularização pode levar até 45 dias corridos. Durante esse período, a família pode ficar sem receber o benefício. Por isso, a prevenção se torna fundamental.
Em outras palavras, acompanhar a frequência escolar durante todo o ano e manter os dados cadastrais atualizados reduz significativamente o risco de bloqueios prolongados.
Qual será o orçamento do Bolsa Família em 2026
Em relação aos recursos, o Projeto de Lei Orçamentária Anual prevê R$ 159,5 bilhões para o Bolsa Família em 2026. O valor praticamente repete o orçamento de 2025, que ficou em torno de R$ 160 bilhões.
No entanto, esse montante é inferior ao orçamento de 2024, que alcançou R$ 167 bilhões. Essa redução acompanha a queda no número de famílias atendidas, que passou de cerca de 20 milhões no início de 2025 para aproximadamente 18 milhões no fim do ano.
Até o momento, o governo não sinalizou aumento relevante dos recursos para 2026. Ou seja, mesmo em um ano eleitoral, a tendência aponta para maior rigor na fiscalização e no controle do programa.
Valores do Bolsa Família em 2026
A princípio, o governo não prevê reajuste no valor base do Bolsa Família. Ainda assim, os adicionais conforme a composição familiar permanecem garantidos:
Valor mínimo: R$ 600 por família
Benefício Primeira Infância: R$ 150 por criança de até 6 anos
Benefício Variável Familiar: R$ 50 para:
gestantes
crianças e adolescentes de 7 a 18 anos
nutrizes
Dependendo da composição familiar, o valor mensal pode ultrapassar R$ 800 ou R$ 900. Por isso, cumprir todas as regras se torna ainda mais importante para evitar a perda do benefício.
Calendário do Bolsa Família em 2026
Por fim, o calendário de pagamentos do Bolsa Família em 2026 seguirá o modelo escalonado, de acordo com o final do Número de Identificação Social (NIS). Os depósitos ocorrem sempre nos últimos dez dias úteis de cada mês.
Pagamentos de janeiro de 2026:
NIS final 1: 19 de janeiro
NIS final 2: 20 de janeiro
NIS final 3: 21 de janeiro
NIS final 4: 22 de janeiro
NIS final 5: 23 de janeiro
NIS final 6: 26 de janeiro
NIS final 7: 27 de janeiro
NIS final 8: 28 de janeiro
NIS final 9: 29 de janeiro
NIS final 0: 30 de janeiro
Em municípios com situação de emergência ou calamidade pública reconhecida oficialmente, o governo pode unificar o pagamento no primeiro dia do calendário, garantindo acesso mais rápido aos recursos.
