Antes de mais nada, mais de 141 mil trabalhadores brasileiros precisam agir imediatamente para não perder o abono salarial do PIS referente ao ano-base 2023. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), esse público tem apenas até a próxima segunda-feira (29) para sacar o benefício. Caso contrário, o dinheiro retorna ao fundo público e o trabalhador perde o direito ao saque.
Ao todo, estão disponíveis R$ 145,8 milhões, valores que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil mantêm liberados para pagamento. A princípio, o prazo curto preocupa porque muitos beneficiários ainda desconhecem que têm dinheiro a receber, o que aumenta o risco de perda definitiva.
Mais de R$ 145 milhões seguem disponíveis para saque
Em primeiro lugar, o MTE informa que o ciclo do abono salarial de 2023 contemplou milhões de brasileiros. No entanto, mesmo com ampla divulgação, mais de 141 mil pessoas não sacaram o benefício dentro do calendário regular.
Esse dinheiro poderia reforçar o orçamento familiar, pagar contas atrasadas ou reduzir dívidas. Ainda assim, fatores como desinformação, mudança de conta bancária e dificuldades com aplicativos oficiais explicam por que tantos valores permanecem parados.
Ou seja, o problema não está na falta de direito, mas sim na falta de consulta. Por isso, especialistas recomendam que o trabalhador verifique a situação mesmo que acredite não ter direito.
Quem tem direito ao abono salarial do PIS
Antes de seguir para a consulta, é fundamental entender quem pode sacar o abono salarial. O benefício atende apenas quem cumpre critérios definidos por lei. A saber, o trabalhador precisa:
Estar inscrito no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos, contados desde o primeiro emprego formal;
Ter recebido até dois salários mínimos de média mensal durante o ano-base de 2023;
Ter trabalhado ao menos 30 dias, consecutivos ou não, no período considerado;
Ter os dados corretamente informados pelo empregador no eSocial ou na Rais.
Caso o empregador tenha enviado informações incorretas, o sistema pode bloquear o pagamento. Nesse cenário, o trabalhador não perde automaticamente o direito, mas precisa corrigir a pendência.
Como consultar se você tem dinheiro para receber
Em segundo lugar, o trabalhador deve verificar se o valor está disponível. O governo libera a consulta todo dia 5 de cada mês, e o processo ocorre de forma simples e gratuita.
Atualmente, o trabalhador pode consultar o abono salarial pelos seguintes canais:
Carteira de Trabalho Digital, disponível em aplicativo e site;
Portal GOV.BR, com login via CPF;
Aplicativo Caixa Tem, para quem recebe o PIS pela Caixa;
Telefone 158, na Central Alô Trabalho.
Durante a consulta, o sistema informa se existe valor liberado, quanto o trabalhador pode sacar e como receber. Em muitos casos, o dinheiro já está depositado, mas ficou esquecido na conta.
Como sacar o abono salarial antes do prazo final
Logo depois de confirmar o direito, o trabalhador precisa escolher a forma de saque. A Caixa Econômica Federal facilita o acesso e oferece diferentes opções, a saber:
Crédito automático em conta da Caixa, para correntistas;
Movimentação pelo Caixa Tem, com Pix, pagamento de contas ou saque sem cartão;
Saque presencial em agências da Caixa, lotéricas ou terminais de autoatendimento.
Por outro lado, quem recebe o Pasep deve procurar o Banco do Brasil, que realiza o pagamento por crédito em conta ou saque direto.
Por fim, vale reforçar: quem não saca até o fim do prazo perde o benefício, mesmo tendo cumprido todos os requisitos legais.
Abono salarial de 2023 movimenta mais de R$ 30 bilhões
Em conclusão parcial, os números do abono salarial de 2023 mostram a dimensão do programa. Neste ano, 26.537.809 trabalhadores conquistaram o direito ao benefício, considerando o ano-base de 2023 e revisões de períodos anteriores.
Desse total, 26.396.181 trabalhadores já receberam, o que representa um pagamento de R$ 30,7 bilhões. Ainda assim, os mais de 141 mil que não sacaram revelam que a informação não chega a todos.
Ou seja, mesmo programas consolidados exigem atenção constante do trabalhador para evitar prejuízos financeiros.
O que acontece se o trabalhador perder o prazo
A princípio, quem perde o prazo não consegue sacar o valor automaticamente. No entanto, existe uma exceção importante: quando ocorre erro administrativo, especialmente por falha no envio de dados pelo empregador.
Nesses casos, o trabalhador pode apresentar um recurso administrativo junto ao Ministério do Trabalho. Se o órgão reconhecer o direito, o governo inclui o valor em um calendário futuro de pagamento.
Por isso, quem identifica problemas no cadastro deve agir rapidamente e não esperar o encerramento definitivo do calendário.
Pagamentos futuros do PIS já têm previsão
Ao mesmo tempo em que encerra o ciclo atual, o governo planeja os próximos pagamentos. Para 2026, o Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador) aprovou a liberação de R$ 33,5 bilhões para 26,9 milhões de trabalhadores.
Os pagamentos começam em 15 de fevereiro, e uma mudança relevante chama atenção:
todo dia 15 de cada mês, o governo deposita o abono para trabalhadores que tiveram o benefício liberado após análise de recurso administrativo.
Isso significa que acompanhar a situação do benefício se torna ainda mais importante nos próximos anos.
Por que tantos trabalhadores ainda não sacaram o PIS
Em primeiro lugar, muitos trabalhadores acreditam que o pagamento ocorre automaticamente. Em segundo lugar, outros desconhecem as regras do benefício ou não utilizam aplicativos oficiais.
Além disso, mudanças de endereço, troca de celular e dificuldades de acesso ao GOV.BR contribuem para o alto número de valores esquecidos.
Ou seja, a falta de acompanhamento regular leva à perda de um dinheiro que já pertence ao trabalhador.
Alerta final para quem tem direito
Por fim, o recado é direto: verifique agora mesmo se existe abono salarial disponível em seu nome. A consulta leva poucos minutos e pode garantir um valor que faz diferença no orçamento.
Ignorar o prazo significa abrir mão de um direito conquistado com trabalho formal. Em tempos de aperto financeiro, deixar esse dinheiro para trás pode pesar — e muito.
