A decisão do Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovada por unanimidade trouxe mudanças significativas para quem deseja comprar um imóvel por meio do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). As alterações — que afetam diretamente as faixas 1 e 2 — atualizam o valor máximo dos imóveis nas cidades com mais de 300 mil habitantes e fecham um ciclo de revisões iniciado pelo governo no início do ano.
As mudanças têm impacto direto no mercado imobiliário, no poder de compra das famílias de baixa renda e na ampliação do acesso à moradia em grandes centros urbanos. Ao mesmo tempo, ajustam o programa à realidade atual dos preços dos imóveis, que vêm subindo em todo o país.
Novos tetos já estão valendo para famílias das faixas 1 e 2
As faixas 1 e 2 são as que atendem famílias com menor renda — exatamente o grupo que mais depende do programa para realizar o sonho da casa própria. A nova atualização aprovada pelo Conselho Curador define aumentos que variam entre 4% e 6%, dependendo do porte do município.
Veja como ficou:
Cidades entre 300 mil e 750 mil habitantes: aumento de 4% — de R$ 245 mil para R$ 255 mil.
Capitais regionais e arranjos com mais de 750 mil habitantes: aumento de 4% — de R$ 250 mil para R$ 260 mil.
Metrópoles e grandes aglomerações urbanas com mais de 750 mil habitantes: aumento de 6% — de R$ 255 mil para R$ 270 mil.
A atualização corrige a defasagem acumulada e permite que mais famílias possam financiar imóveis compatíveis com o orçamento e com o padrão de preços das cidades maiores.
Mudança completa revisão nacional dos tetos das faixas 1 e 2
Com esta nova decisão, o governo conclui a atualização dos valores máximos em todas as categorias de municípios, um processo iniciado ainda no primeiro semestre.
Antes disso:
Em abril, houve atualização para cidades de até 100 mil habitantes;
Em novembro, ajustes foram aplicados em municípios de médio porte.
Agora, o ciclo é finalizado com os grandes centros urbanos — locais onde o valor dos imóveis tem crescido de forma mais acelerada, tornando indispensável a revisão para evitar o afastamento das famílias de baixa renda do mercado.
A mudança atinge 75 municípios, representando cerca de 25% da população brasileira, distribuídos da seguinte forma:
Região Norte: 9 cidades
Região Sudeste: 27 cidades
Região Nordeste: 20 cidades
Região Sul: 13 cidades
Região Centro-Oeste: 6 cidades
Entre os municípios contemplados estão capitais como Manaus, Belém, Rio Branco, Macapá, Porto Velho, Boa Vista, Palmas, Belo Horizonte, Vitória, Salvador, Fortaleza, Recife, Maceió, São Luís, João Pessoa, Teresina, Natal, Aracaju, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Goiânia e Campo Grande.
Por que o aumento era necessário?
O teto dos imóveis do Minha Casa, Minha Vida serve como base para que as famílias possam acessar financiamentos com juros reduzidos e subsídios mais altos. Quando os valores ficam defasados, o programa perde eficiência — especialmente em cidades grandes, onde o metro quadrado é mais caro.
A atualização:
amplia a oferta de imóveis enquadrados no programa;
reduz o risco de exclusão das famílias de baixa renda;
estimula novas construções dentro do padrão MCMV;
aquece o setor da construção civil.
Para especialistas, a decisão acompanha o movimento nacional de valorização imobiliária e evita que o programa perca competitividade frente aos preços atuais.
Quem pode acessar o Minha Casa, Minha Vida
O programa segue dividido em faixas de renda, que determinam os valores de subsídio, os juros e a forma de acesso:
Faixa 1: renda familiar de até R$ 2.850
Faixa 2: renda entre R$ 2.850,01 e R$ 4.700
Faixa 3: renda entre R$ 4.700,01 e R$ 8.600
Faixa 4: renda entre R$ 8 mil e R$ 12 mil
Essas faixas não consideram rendimentos temporários como auxílio-doença, seguro-desemprego, BPC ou Bolsa Família. Assim, famílias atendidas por programas sociais continuam elegíveis sem impacto no enquadramento.
Como funciona o Minha Casa, Minha Vida em 2025
O MCMV opera como uma política habitacional com subsídios do governo e financiamentos facilitados pela Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. O programa funciona com diferentes modalidades e varia conforme a renda da família.
Divisão por faixas de renda
A faixa 1 recebe o maior volume de subsídios, reduzindo significativamente o valor financiado.
As faixas 2 e 3 têm juros mais baixos e prazos estendidos, usando recursos do FGTS.
Quanto menor a renda, maior o apoio financeiro, permitindo que famílias historicamente excluídas do mercado formal de habitação consigam financiar um imóvel.
Formas de acesso ao programa
O acesso ao programa depende da faixa:
Faixa 1
Famílias devem se inscrever junto ao município ou governo estadual. A seleção é feita com base em vulnerabilidade social, podendo envolver sorteios e critérios de prioridade.
Faixas 2 e 3
O caminho é direto: basta procurar uma agência da Caixa, do Banco do Brasil ou construtoras participantes. O banco realiza análise de crédito antes da aprovação.
Em todos os casos, o financiamento inclui seguros obrigatórios, proteção contra danos ao imóvel e cobertura em caso de morte ou invalidez.
Modalidades de atendimento do programa
O Minha Casa, Minha Vida oferece diferentes opções de moradia:
Imóveis novos: a modalidade mais procurada, com foco em condomínios e casas recém-construídas.
Imóveis usados: disponível para algumas faixas, permitindo preços mais acessíveis.
Construção ou reforma: ideal para quem já possui terreno ou precisa melhorar a casa.
Locação social: aluguel subsidiado para famílias em situação de vulnerabilidade.
Essa variedade amplia o alcance da política habitacional e permite que o programa se adapte ao perfil de cada família.
Regras importantes para participar
O beneficiário não pode:
ter outro imóvel residencial;
ter recebido subsídios habitacionais do governo anteriormente;
participar de outro programa imobiliário público.
Além disso, trabalhadores com carteira assinada podem usar o saldo do FGTS para:
dar entrada no imóvel;
amortizar parcelas;
quitar parte do financiamento.
O FGTS é um dos pilares do programa, tanto para subsídios quanto para financiamentos.
Como consultar ou iniciar o processo
Quem deseja comprar um imóvel pelo Minha Casa, Minha Vida pode começar pelo Simulador Habitacional da Caixa, que calcula valores de entrada, juros, prazos e parcelas.
Também é possível buscar informações no Portal do Ministério das Cidades, onde estão disponíveis editais, regras completas do programa e atualizações sobre novos empreendimentos.
