Nubank confirma pedido de licença bancária após nova regra do Banco Central e promete manter marca atual
O Nubank anunciou, na última quarta-feira (3/12), que iniciará em 2026 o processo para obter uma licença bancária completa no Brasil, movimento que ocorre dias após o Banco Central determinar que fintechs e instituições de pagamento não poderão usar termos como “banco” ou “bank” em suas marcas se não tiverem autorização formal para operar como banco.
A mudança regulatória atinge diretamente o Nubank, hoje considerado a fintech mais emblemática do país por atender mais de 110 milhões de clientes e por ser, para grande parte do público, praticamente um banco — embora tecnicamente opere sob licenças de instituição de pagamento, sociedade de crédito, financiamento e investimento, além de corretora de valores mobiliários.
A decisão do BC reacendeu debates sobre segurança, transparência e responsabilidade regulatória no setor financeiro, pressionando empresas digitais a reverem suas estruturas.
BC restringe uso de “banco” e “bank” e exige ajustes em até 120 dias
O Banco Central estabeleceu que empresas que não possuem licença bancária não podem utilizar termos que induzam o consumidor a acreditar que se trata de um banco tradicional. A medida vale tanto para nomes em português quanto em línguas estrangeiras e tem impacto direto no setor das fintechs.
Segundo o BC, o objetivo é claro:
evitar confusão entre consumidores;
impedir que fintechs sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) se apresentem como bancos;
reforçar a solidez e estabilidade do sistema financeiro.
As instituições afetadas terão 120 dias para apresentar um plano de adequação e até um ano para implementar todas as mudanças, que podem envolver alteração de marca, revisão de nome fantasia ou até reestruturação societária.
Essa restrição tornou o caso do Nubank particularmente sensível, já que a fintech utiliza o termo “bank” em sua identidade global.
O que diz o Nubank sobre a mudança
Em nota oficial, o Nubank confirmou que pretende obter uma licença bancária e que a decisão está alinhada à Resolução Conjunta nº 17, responsável por disciplinar a nomenclatura das instituições reguladas pelo BC e CMN.
A empresa afirmou que:
A identidade visual e a marca não sofrerão alterações.
A mudança não impacta os clientes, que continuarão utilizando normalmente todos os produtos.
A fintech já cumpre todas as exigências regulatórias vigentes para sua categoria atual.
A inclusão de uma instituição bancária no conglomerado não altera os requisitos de capital e liquidez.
A CEO do Nubank no Brasil, Livia Chanes, reforçou que a missão da empresa permanece inalterada:
“O Nubank foi fundado há 12 anos e foi responsável pela inclusão de 28 milhões de pessoas no sistema financeiro. Nossa identidade e missão de simplificar a vida dos nossos clientes permanecem iguais.”
A empresa destaca que a obtenção da licença bancária é um passo natural dentro de sua expansão e que não pretende abrir mão da marca.
Por que a mudança afeta tanto o Nubank
Entre as fintechs brasileiras, o Nubank é uma das únicas cujo próprio nome contém a palavra “bank”. Por isso, estava diretamente ameaçado pela nova política do Banco Central caso não buscasse uma reestruturação regulatória.
A fintech, que iniciou suas atividades com o cartão de crédito sem anuidade, expandiu-se para um portfólio que hoje inclui conta digital, empréstimos, investimentos, seguros e compras via aplicativo.
No entanto, nenhum desses serviços exigia até então uma licença bancária completa. A decisão do BC impõe um novo patamar regulatório para empresas que desejam manter termos associados ao mercado bancário tradicional.
Impacto para o cliente: muda algo na prática?
Segundo o Nubank, nada muda para os usuários no curto prazo. A empresa garante que:
Todos os produtos continuam funcionando normalmente.
O relacionamento com o cliente permanece inalterado.
Não haverá mudanças de tarifas, condições ou funcionamento da conta digital.
O pedido de licença bancária, na verdade, pode ampliar o leque de serviços do Nubank no futuro, abrindo portas para operações típicas de bancos tradicionais, como:
contas totalmente reguladas como contas bancárias;
acesso ampliado a certas modalidades de crédito;
emissão de produtos financeiros com cobertura do FGC;
maior autonomia na gestão de recursos.
Essas possibilidades, porém, dependem de autorização formal e da conclusão de todo o processo regulatório.
O que representa essa decisão para o mercado financeiro
A sinalização do Nubank cria um marco importante no setor. O Brasil é considerado hoje um dos países com ecossistema de fintechs mais maduros do mundo, e a entrada oficial do Nubank no segmento bancário tradicional pode:
elevar o nível de competição entre bancos e digitais;
fortalecer a confiança do público em soluções financeiras inovadoras;
pressionar outras fintechs a buscarem regularização similar;
reduzir a assimetria de informação que ainda confunde usuários sobre o que é um banco e o que é apenas uma instituição de pagamento.
A medida também reforça a tendência global de maior rigor regulatório, principalmente após a expansão de fintechs que atuam com milhões de clientes, mas sem exigências operacionais equivalentes às dos bancos tradicionais.
Novo ambiente regulatório para fintechs
Além da questão do nome, o Banco Central anunciou recentemente novos requisitos de capital para instituições de pagamento. A justificativa é fortalecer a segurança do sistema financeiro, considerando o crescimento acelerado dessas empresas.
Entre os principais pontos do novo arcabouço:
exigência maior de reservas financeiras;
maior controle sobre liquidez;
reforço no monitoramento prudencial;
integração mais rígida entre sistema bancário e instituições de pagamento.
Essas mudanças criam um ambiente mais exigente para fintechs, mas, ao mesmo tempo, ampliam a confiança e a previsibilidade do setor.
Por que o Nubank age agora
A fintech precisava se ajustar à determinação do BC para evitar:
risco de sanções;
necessidade de alterar sua marca globalmente;
perda de força de mercado pelo abandono do termo “bank”.
A estratégia adotada foi vista como a mais vantajosa: preservar a marca e atender às novas exigências buscando a licença bancária.
