Aviso importante 29/11 para todos os consumidores que possuem cartão de crédito no Brasil

O Banco Central colocou em vigor uma das mudanças mais esperadas pelos consumidores brasileiros: o limite de 100% para os juros do rotativo do cartão de crédito, regulamentado após a aprovação da Lei do Desenrola (Lei 14.690/2023). Trata-se da maior intervenção no sistema de crédito nos últimos anos, criada para impedir que dívidas se transformem em verdadeiras armadilhas financeiras.

A princípio, a medida busca conter o avanço histórico dos juros rotativos, que antes da lei podiam ultrapassar 400% ao ano e transformar pequenas pendências em um passivo impagável. Agora, o objetivo é oferecer previsibilidade e proteger quem sofre com imprevistos ou atrasos.

Antes de mais nada, é importante entender como essa regra funciona na prática e como ela interfere na vida de quem já está endividado ou teme cair no rotativo nos próximos meses.

Como funciona o teto histórico de juros de 100% no cartão de crédito

Em primeiro lugar, a nova regulamentação determina que nenhuma dívida de cartão de crédito pode ultrapassar o dobro do valor original. Ou seja, se o consumidor deve R$ 1.000, todo o conjunto de juros, multas e encargos jamais poderá ultrapassar outros R$ 1.000.

Em outras palavras: a dívida total nunca poderá passar de R$ 2.000.

Essa limitação põe fim ao chamado efeito bola de neve, que ocorria quando o rotativo se acumulava mês após mês, transformando dívidas pequenas em valores impagáveis. Antes, muitos brasileiros viam um débito inicial de R$ 500 virar R$ 4.000 ou R$ 5.000 em poucos meses.

Com o novo teto, isso não pode mais acontecer.

A saber, o Banco Central não apenas limitou os juros, como impôs regras rígidas às instituições financeiras, que precisam readequar seus sistemas e adotar mecanismos que travem a cobrança automaticamente ao alcançar o limite.

O que muda na prática para quem usa cartão de crédito

Na prática, o consumidor ganha duas proteções fundamentais:

  • Limite máximo de cobrança, que reduz drasticamente o risco de endividamento eterno.

  • Previsibilidade financeira, porque agora é possível saber, desde o início, o máximo que poderá ser cobrado.

Essa previsibilidade é um dos pontos mais celebrados por especialistas, já que milhões de brasileiros utilizam o cartão como alternativa de crédito sem entender completamente o impacto do rotativo no orçamento.

Além disso, o Banco Central reforça que o consumidor não pode ser penalizado com tarifas extras pelo simples fato de cair no rotativo ou parcelar a fatura — práticas comuns antes da regulamentação.

Ou seja, o foco da nova lei é proteger o patrimônio das famílias e evitar que dívidas pequenas arrastem o consumidor para anos de inadimplência.

Portabilidade gratuita da dívida: o novo direito que pressiona os bancos

Outro ponto-chave da Lei do Desenrola é a chamada portabilidade gratuita da dívida. Agora, quem tem dívida no cartão de crédito pode transferi-la integralmente para outra instituição financeira com juros menores, sem burocracia e sem qualquer tarifa adicional.

Esse mecanismo, antes restrito a financiamentos, passou a ser obrigatório também para o crédito rotativo.

A partir dessa mudança, bancos e financeiras entram em uma competição direta pelos clientes endividados, o que tende a reduzir juros e melhorar condições de parcelamento.

Veja os principais benefícios da portabilidade:

  • Redução significativa da taxa de juros mensal

  • Possibilidade de estender o prazo de pagamento com condições melhores

  • Fim da fidelidade forçada com o banco original, que antes prendia o consumidor ao contrato

Ou seja, em vez de aceitar a cobrança imposta pelo banco atual, o consumidor pode comparar ofertas, migrar a dívida em poucos passos e ganhar fôlego para reorganizar a vida financeira.

A princípio, essa novidade ainda é pouco conhecida, mas já está disponível em todos os grandes bancos e instituições digitais.

Impacto real no bolso: comparação entre o cenário antigo e o novo

Para entender o tamanho da mudança, veja a comparação direta entre como era antes e como ficou após o teto de 100%:

CenárioDívida OriginalJuros Acumulados (Exemplo)Total a Pagar
Antes da LeiR$ 1.000,00R$ 3.500,00 (450%)R$ 4.500,00
Com a Nova LeiR$ 1.000,00R$ 1.000,00 (Teto de 100%)R$ 2.000,00

Em conclusão, a diferença representa uma economia imediata de até 60% a 80% em muitos casos de endividamento no rotativo. Com o teto, o consumidor tem mais clareza sobre quanto poderá dever no pior cenário possível.

Essa previsibilidade, segundo o Banco Central, tende a reduzir o número de inadimplentes e a devolver parte da renda das famílias, antes capturada por juros abusivos.

Onde o consumidor pode verificar se o banco está cumprindo a lei

Por fim, o consumidor pode — e deve — verificar se a instituição financeira está respeitando a nova regra. A fiscalização é feita diretamente pelo Banco Central, que disponibiliza canais oficiais para denúncias.

Se o banco ultrapassar o limite de 100% ou impedir a portabilidade, o cliente deve registrar a reclamação no site do BC.

Além disso, é possível consultar os detalhes da resolução nos seguintes canais:

  • Portal do Banco Central: informações técnicas e circulares relacionadas à regulamentação

  • Portal do Planalto: texto completo da Lei 14.690/2023

  • Registrato: sistema para verificar dívidas, contratos e relações financeiras

Com essas ferramentas, o consumidor consegue acompanhar a cobrança e garantir seus direitos.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.