Nova regra do PIS/Pasep começa em 2026 e muda quem terá direito ao Abono Salarial; veja o que muda e como consultar

A partir de 2026, trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos que dependem do Abono Salarial PIS/Pasep precisam se preparar para uma mudança importante. O governo federal vai aplicar uma nova regra para definir quem terá direito ao benefício, que tradicionalmente paga até um salário mínimo ao trabalhador com carteira assinada.

A princípio, essa alteração mexe diretamente no limite de renda considerado para o pagamento. Antes de mais nada, vale lembrar que hoje têm direito ao abono os trabalhadores que receberam, em média, até dois salários mínimos por mês no ano-base. Contudo, essa lógica deixará de existir a partir do próximo ciclo.

O que muda no Abono Salarial em 2026

A nova regra, prevista no pacote fiscal aprovado em 2024, estabelece que o limite de renda não seguirá mais o valor equivalente a dois salários mínimos. Ou seja, o critério deixará de acompanhar o salário mínimo vigente no ano-base e passará a seguir exclusivamente o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

Isso significa que o valor máximo de remuneração para ter direito ao abono será corrigido apenas pela inflação oficial do período. Em outras palavras, o limite não crescerá conforme o aumento real do salário mínimo ao longo dos anos.

A saber:

  • Até 2025: o trabalhador tinha direito se ganhasse, na média mensal, até dois salários mínimos do ano-base.

  • A partir de 2026: o limite será atualizado apenas pelo INPC acumulado do ano-base.

Essa mudança tem impacto direto no público elegível. Em conclusão, a tendência é que o benefício fique mais restrito ao longo do tempo, já que o salário mínimo costuma subir acima da inflação devido à política de valorização que combina INPC + crescimento do PIB.

Por que o governo alterou a regra do PIS/Pasep

O Ministério da Fazenda incluiu a mudança no pacote fiscal aprovado em 2024. A justificativa oficial é equilibrar gastos, garantir sustentabilidade do programa e direcionar o abono às faixas de renda mais baixas.

Segundo o governo, manter o limite atrelado ao salário mínimo tornava as despesas do PIS/Pasep cada vez maiores, sobretudo em anos de forte correção do piso nacional. Ao vincular o limite ao INPC, o critério de renda passa a crescer apenas com a inflação.

Na prática, isso reduz o número de trabalhadores que terão acesso ao benefício no longo prazo, especialmente aqueles que ficam próximos do teto atual.

Números do Abono Salarial em 2025 mostram o alcance do programa

Para entender o tamanho do PIS/Pasep no país, basta observar os dados mais recentes. No calendário de 2025, foram identificados 26.470.177 trabalhadores com direito ao Abono Salarial. Até o momento, 26.317.733 pessoas já receberam o benefício, representando uma taxa de cobertura de 99,42%.

O valor pago se aproxima de R$ 30,6 bilhões, distribuídos entre trabalhadores da iniciativa privada, pagos pela Caixa Econômica Federal (PIS), e servidores públicos civis e militares, pagos pelo Banco do Brasil (Pasep).

Esses números ajudam a explicar o impacto fiscal da política e a razão pela qual o governo federal decidiu adotar o novo critério a partir de 2026.

Valor do Abono Salarial continuará sendo de até um salário mínimo

Embora a regra de renda mude, o valor do abono permanece o mesmo:

  • O trabalhador recebe até um salário mínimo, variando conforme o número de meses trabalhados no ano-base.

  • Quem trabalhou os 12 meses recebe o valor integral.

  • Quem trabalhou menos recebe pagamento proporcional.

O salário mínimo de 2026 deve ser confirmado até dezembro, assim como o calendário completo de pagamento do ano.

Quem tem direito ao PIS/Pasep

Mesmo com a mudança no limite de renda, as demais regras para ter direito ao Abono Salarial permanecem válidas. Em primeiro lugar, o trabalhador precisa atender cumulativamente aos requisitos.

Veja quem tem direito:

1. Estar cadastrado no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos

Esse prazo conta a partir da data do primeiro vínculo de trabalho registrado.

2. Ter trabalhado com carteira assinada por pelo menos 30 dias no ano-base

Pode ser de forma consecutiva ou não. O requisito vale para contratos formais, inclusive intermitentes.

3. Ter recebido remuneração mensal média dentro do limite definido

Até 2025: dois salários mínimos do ano-base.
A partir de 2026: limite corrigido pelo INPC.

4. Ter os dados informados corretamente pelo empregador

O envio é feito pelo eSocial, e qualquer erro pode impedir o recebimento.
Problemas comuns incluem divergências no CPF, data de admissão ou remuneração.

Em síntese, mesmo com a nova regra, o cumprimento adequado das obrigações por parte do empregador continua essencial para o trabalhador garantir o benefício.

Como consultar se você tem direito ao PIS/Pasep

O governo simplificou a consulta ao abono salarial, permitindo que o trabalhador verifique sua situação diretamente pelo celular. A seguir, veja o passo a passo atualizado.

Consulta pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital)

  1. Baixe o aplicativo no Android ou iOS.

  2. Faça login com sua conta Gov.br.

  3. Acesse a aba “Benefícios”.

  4. Toque em “Abono Salarial”.

  5. O sistema mostrará se você tem direito, o valor e o banco de pagamento.

Consulta pelo portal Gov.br

  1. Acesse o site oficial Gov.br.

  2. Entre com seu CPF e senha.

  3. Procure a seção “Abono Salarial”.

  4. Veja as informações de elegibilidade e calendário.

As consultas são atualizadas automaticamente conforme os dados enviados pelos empregadores e processados pelo governo.

PIS x Pasep: entenda a diferença

Embora muita gente use as duas siglas como sinônimos, PIS e Pasep atendem públicos diferentes:

  • PIS: pago pela Caixa aos trabalhadores da iniciativa privada.

  • Pasep: pago pelo Banco do Brasil aos servidores públicos civis e militares.

Na prática, o valor, as regras e o calendário seguem o mesmo padrão. A única diferença está na instituição que realiza o pagamento.

O que esperar do calendário do PIS/Pasep 2026

O governo deve divulgar o calendário de pagamento de 2026 em dezembro. Assim como nos últimos anos, a tendência é que os pagamentos sigam a ordem de nascimento para o PIS e do número final de inscrição para o Pasep.

Antes de mais nada, é importante acompanhar os canais oficiais para evitar golpes, já que criminosos costumam usar o nome do PIS/Pasep para ludibriar trabalhadores.

Por fim, a nova regra que começa a valer em 2026 exige atenção de quem depende do Abono Salarial. Ficar atento aos detalhes agora ajuda a evitar surpresas quando o calendário do próximo ano for liberado.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.