INSS ainda tem R$ 800 milhões para devolver: veja quem tem direito e como pedir o ressarcimento

O INSS ainda mantém R$ 800 milhões disponíveis para devolver aos aposentados e pensionistas vítimas de descontos associativos indevidos. A saber, o governo ampliou o prazo para adesão ao acordo e agora os segurados podem solicitar o ressarcimento até 14 de fevereiro de 2026.

Antes de mais nada, vale destacar que o Ministério da Previdência recebeu R$ 3,3 bilhões para pagar essas devoluções. O programa, que começou em 24 de julho, já transferiu R$ 2,5 bilhões para 3,7 milhões de segurados. Ou seja, a operação avança rapidamente, mas ainda deixa mais de 1 milhão de beneficiários com direito sem adesão concluída.

A princípio, quem sofreu descontos não autorizados entre março de 2020 e março de 2025 deve verificar imediatamente se está na lista de possíveis ressarcimentos, para não perder o prazo.

Quem pode aderir ao acordo de devolução

O INSS definiu regras objetivas para permitir que os segurados façam parte do acordo. Em primeiro lugar, podem aderir:

  • Segurados que contestaram os descontos indevidos e não receberam resposta da entidade em até 15 dias úteis.

  • Beneficiários que receberam resposta irregular, como assinaturas falsificadas, documentos suspeitos ou gravações de áudio no lugar de comprovantes válidos.

  • Quem sofreu descontos indevidos entre março de 2020 e março de 2025.

  • Pessoas que têm processo na Justiça, desde que desistam da ação e ainda não tenham recebido o valor.

  • Ações individuais abertas antes de 23 de abril de 2025 terão direito ao pagamento de 5% de honorários advocatícios, cobertos pelo INSS.

Ou seja, em conclusão, o acordo abrange a maior parte das vítimas da fraude, especialmente quem buscou contestar, mas não teve retorno adequado das entidades.

Como fazer a adesão ao acordo

A adesão é gratuita e o INSS orienta os segurados a realizarem o procedimento pelo aplicativo Meu INSS ou presencialmente nas agências dos Correios. Em primeiro lugar, o segurado precisa seguir alguns passos obrigatórios.

1. Contestar o desconto indevido

Antes de mais nada, o beneficiário deve registrar a contestação do desconto suspeito. Ele pode fazer isso:

  • no Meu INSS,

  • na Central 135,

  • ou nas agências dos Correios.

Esse é o ponto de partida para liberar o acesso ao acordo.

2. Aguardar a resposta da entidade

Após registrar a contestação, a entidade responsável pelo desconto tem até 15 dias úteis para responder. A princípio, essa resposta deveria comprovar a autorização do segurado, o que não ocorre em muitos casos.

3. Não recebeu resposta no prazo?

Se a entidade não responder dentro dos 15 dias úteis, o sistema do INSS libera automaticamente a opção de aderir ao acordo. Ou seja, o segurado não precisa fazer nenhum pedido adicional: basta seguir para a etapa de adesão.

4. Recebeu resposta irregular?

O INSS também permite que, a partir desta etapa, o beneficiário aderir ao acordo mesmo após receber uma resposta considerada irregular. A saber, entram nessa categoria:

  • assinaturas falsificadas;

  • comprovantes com divergências;

  • documentos inválidos;

  • gravações de áudio usadas como “comprovantes” de associação.

Esse ponto evita que vítimas da fraude fiquem de fora por causa de documentos manipulados ou suspeitos.

5. Fazer a adesão ao acordo

Por fim, o segurado deve formalizar a adesão. Isso pode ser feito:

Pelo aplicativo Meu INSS

  1. Entre no aplicativo com CPF e senha;

  2. Acesse “Consultar Pedidos”;

  3. Clique em “Cumprir Exigência”;

  4. Desça até o último comentário;

  5. Marque “Sim” em “Aceito receber”;

  6. Envie o pedido.

Importante: a adesão não pode ser feita pela Central 135.

Se preferir fazer presencialmente

O segurado pode ir até uma agência dos Correios, onde o atendimento é gratuito. O procedimento é o mesmo, mas feito com auxílio de um funcionário.

Prazo para contestar e aderir ao programa

O prazo final para contestar os descontos ou aderir ao acordo termina em 14 de fevereiro de 2026. Em conclusão, quem não registrar contestação até essa data perde o direito ao ressarcimento, mesmo que tenha sofrido descontos indevidos.

Atenção aos golpes durante o processo

A saber, o volume elevado de devoluções chamou a atenção de golpistas, que passaram a enviar mensagens falsas se passando pelo INSS. Portanto, o órgão alerta:

  • Não envia links por SMS, WhatsApp ou e-mail;

  • Não pede dados pessoais por mensagens;

  • Não cobra taxas para adesão;

  • Não solicita intermediários;

  • Usa somente canais oficiais:

    • Aplicativo Meu INSS,

    • Site gov.br/inss,

    • Central 135,

    • Agências dos Correios.

Antes de mais nada, qualquer mensagem pedindo pagamento, código ou confirmação por link externo deve ser ignorada.

Como começou o programa de devolução

O programa de ressarcimento teve início após a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagrarem a Operação Sem Desconto, que investigou um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

As investigações apontaram que associações e sindicatos aplicaram cobranças não autorizadas que somaram R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Em muitos casos, os segurados sequer sabiam que estavam “associados”.

Diante disso, o governo federal suspendeu os descontos e, em 24 de julho, iniciou o programa para devolver os valores. Desde então, a operação avançou rapidamente, a saber:

  • mais de 6 milhões de segurados contestaram;

  • cerca de 3,7 milhões já receberam;

  • ainda existe mais de R$ 800 milhões disponíveis.

Por fim, o governo reforça que todos os segurados prejudicados devem consultar a situação e aderir antes do prazo final.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional graduado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Possui mais de 15 anos de experiência como redator e criador de conteúdo para portais de notícias.Saulo se especializou na produção de artigos sobre temas de grande interesse social, no âmbito da economia, benefícios sociais e direitos trabalhistas.