Perícia Médica do INSS: 5 erros que fazem seu benefício ser negado e o passo a passo certeiro para não sair de mãos abanando

A perícia médica do INSS é aquele momento que deixa muita gente de coração acelerado. Afinal, é dela que depende o sim ou não para o benefício — seja o auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) ou a aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez).

A saber, o problema é que, em muitos casos, o resultado é frustrante. Mas calma: entender o que pode dar errado é o primeiro passo para garantir que o perito veja o que realmente importa — sua incapacidade de trabalhar.

Por que a perícia é tão decisiva?

Muita gente acha que basta ter uma doença para o INSS conceder o benefício, mas a regra é bem mais exigente.

O INSS não paga por doença, mas por incapacidade. Ou seja: o perito precisa ter certeza de que aquela condição realmente impede o trabalhador de exercer a função.

Por isso, a forma como o segurado se apresenta, os documentos que leva e até como explica seus sintomas fazem toda a diferença.

Agora, vamos direto ao ponto: veja os cinco motivos mais comuns para o indeferimento do benefício — e, claro, como evitá-los de forma inteligente.

1. Documentação médica incompleta ou desatualizada

Esse é o campeão das negativas.

O perito não pode “adivinhar” a gravidade da situação, então se os laudos e exames estiverem rasurados, ilegíveis ou sem detalhes sobre a limitação funcional, o pedido vai por água abaixo.

Quer evitar isso?

Leve laudos recentes, com data, CID da doença, descrição dos sintomas, tratamentos realizados, prognóstico e assinatura do médico com o carimbo do CRM.

Ah, e nada de entregar apenas um atestado simples! O que vale mesmo é o laudo detalhado, com explicações sobre como a doença afeta seu trabalho.

2. Inconsistência nas informações durante a perícia

Outro motivo clássico de recusa é quando o segurado se contradiz.

Por exemplo, diz ao perito que sente fortes dores para caminhar, mas relata em outro momento que faz pequenas atividades manuais em casa.

A dica é simples: seja coerente e objetivo.

Explique, com suas palavras, como sua doença te impede de trabalhar — sem aumentar, mas também sem esconder.

O perito avalia tudo: o que você fala, como fala e até como se comporta. Se parecer que há exagero ou contradição, as chances de negativa aumentam.

3. Falta de comprovação da incapacidade laboral

Esse ponto é o coração da perícia.

Não adianta ter o diagnóstico de uma doença grave se ela não compromete sua função profissional.

Um exemplo clássico: um digitador com uma leve gastrite não tem incapacidade laboral. Já um motorista com problema de visão sim, porque isso impacta diretamente no desempenho.

Por isso, a narrativa e os laudos devem deixar claro o vínculo entre a doença e a incapacidade.

Diga o que você não consegue mais fazer no trabalho — subir escadas, carregar peso, digitar, dirigir, ficar em pé por muito tempo etc.

4. Falta de cumprimento da carência

A famosa carência é o número mínimo de contribuições mensais ao INSS antes de ter direito ao benefício.

Geralmente são 12 contribuições, mas há exceções para acidentes de trabalho e doenças graves listadas em portarias do governo.

Se o segurado ainda não cumpriu essa carência, o pedido será negado — mesmo que a doença seja real e bem comprovada.

Portanto, antes de marcar a perícia, confira seu tempo de contribuição pelo aplicativo Meu INSS.

5. Comportamentos que sugerem capacidade de trabalho

Pode parecer bobagem, mas atitudes durante a perícia contam (e muito).

Por exemplo, dizer que está fazendo “bicos”, planejar uma viagem ou comentar que se sente bem para algumas tarefas pode gerar dúvida no perito.

O mesmo vale para a linguagem corporal. Se a pessoa diz que sente fortes dores, mas caminha normalmente, o perito pode interpretar que há contradição.

A recomendação é simples: seja sincero, mas coerente com o quadro clínico apresentado.

Como funciona a perícia médica do INSS

Tudo começa com o agendamento, que pode ser feito pelo portal Meu INSS ou pela Central 135.

Depois disso, o segurado deve se preparar reunindo toda a documentação médica atualizada e organizada.

No dia da perícia

  • Chegue com antecedência. O atraso pode fazer o pedido ser cancelado.

  • Leve documento com foto e todos os laudos, exames e atestados.

  • Organize os papéis em ordem cronológica. Isso facilita o trabalho do perito e mostra seriedade.

  • Durante a consulta, responda de forma clara e objetiva.

O resultado geralmente sai no mesmo dia, a partir das 21h, no próprio portal Meu INSS.

Perícia presencial, documental e virtual

Desde 2025, o INSS passou a permitir três modalidades de avaliação:

  • Presencial: é a mais comum, feita em agências da Previdência.

  • Documental (Atestmed): em alguns casos, o INSS analisa apenas os documentos enviados, sem precisar comparecer.

  • Virtual: feita por videoconferência, ideal para quem tem dificuldades de locomoção ou mora em áreas distantes.

Mas atenção: a perícia virtual ainda não está disponível em todos os casos. Ela depende da análise prévia dos documentos enviados.

O que levar para garantir uma boa avaliação

Prepare uma pasta com tudo que possa comprovar a incapacidade:

  • Documentos pessoais: RG, CPF, Carteira de Trabalho e comprovante de residência.

  • Laudos e atestados médicos: com CID, data, assinatura e descrição detalhada da limitação.

  • Exames complementares: ressonância, raio-X, ultrassonografia, tomografia, exames de sangue etc.

  • Receitas médicas: mostram continuidade do tratamento.

  • CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho): se for o caso.

  • Declaração da empresa: com o último dia trabalhado (para empregados com carteira assinada).

O que fazer se o benefício for negado

Ninguém quer ouvir o temido “indeferido”, mas caso aconteça, existem alternativas:

  1. Recurso administrativo: pode ser feito diretamente no Meu INSS. É importante anexar novos documentos e explicar o motivo da discordância.

  2. Novo pedido: permitido após 30 dias, mas só se houver novas provas médicas.

  3. Ação judicial: última alternativa. Na Justiça, o caso é analisado por um perito judicial e também podem ser considerados fatores sociais, como idade, escolaridade e tipo de trabalho.

Detalhes que podem fazer toda a diferença

  • Não volte a trabalhar antes do resultado. Isso pode ser entendido como recuperação da capacidade e resultar em negativa.

  • Evite exageros. Se disser que não consegue levantar o braço, e o perito perceber o contrário, o benefício será negado.

  • Vista-se de forma adequada. Em casos de doenças emocionais, como depressão, especialistas recomendam não ir excessivamente maquiado ou sorridente. O perito avalia a coerência entre a aparência e o relato.

  • Fale sobre a incapacidade, não sobre a doença. O foco é mostrar o quanto sua condição impacta suas atividades diárias.

Como acompanhar o resultado

Após a avaliação, acesse o Meu INSS (site ou aplicativo) e clique em “Resultado de Perícia”.

Se for aprovado, o pagamento costuma cair na conta indicada em até 45 dias. Caso o benefício seja concedido, mas o valor não apareça, solicite a “emissão de pagamento não recebido”.

Se for negado, não desanime.

O segredo está em corrigir os erros, atualizar a documentação e apresentar provas mais completas no recurso ou novo pedido.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.