Lula autoriza fim da obrigatoriedade de autoescola para tirar CNH e brasileiros já se perguntam: será o fim das aulas caras e longas para quem sonha em dirigir?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu aval para que o Ministério dos Transportes, chefiado por Renan Filho, avance no projeto que promete mudar radicalmente a forma de obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Brasil. A ideia: acabar com a obrigatoriedade de frequentar autoescola para conseguir a habilitação nas categorias A (moto) e B (carro de passeio).
De acordo com Renan Filho, a previsão é que a nova norma entre em vigor ainda em novembro. A mudança mira diretamente o bolso dos brasileiros, já que promete reduzir os custos de tirar a CNH em até 70% a 80%, dependendo da quantidade de aulas práticas que ainda serão exigidas.
O projeto entrará em consulta pública de 30 dias, permitindo que a sociedade opine. Ou seja, ainda haverá muito debate pela frente.
Por que o governo quer mudar as regras da CNH?
Segundo o Ministério dos Transportes, cerca de 40 milhões de motoristas estão na informalidade — dirigindo sem habilitação. Entre os donos de motos, o número é ainda mais impressionante: 55% não têm CNH.
O motivo, segundo Renan Filho, é simples: tirar habilitação no Brasil é caro e burocrático. Para muitas pessoas, principalmente em cidades menores ou para quem tem renda baixa, o custo é proibitivo.
A promessa do governo é trazer justiça social e permitir que mais pessoas se regularizem, sem abrir mão da exigência das provas teórica e prática nos Detrans.
Como funciona hoje para tirar a CNH no Brasil?
Antes de entender o que vai mudar, vale recapitular o processo atual. Hoje, quem deseja a primeira habilitação precisa cumprir várias etapas:
Pré-requisitos
Ter 18 anos ou mais;
Saber ler e escrever;
Possuir CPF;
Ter documento de identidade e comprovante de residência.
Etapas do processo
Inscrição no Detran e pagamento de taxas.
Exame médico e psicotécnico para avaliar aptidão física e psicológica.
Curso teórico em autoescola com 45 horas-aula, abordando legislação, primeiros socorros, direção defensiva e mecânica básica.
Prova teórica no Detran, que exige ao menos 70% de acertos.
Aulas práticas obrigatórias (mínimo de 20 horas), incluindo uma aula noturna.
Prova prática de direção, aplicada por avaliadores do Detran.
Caso aprovado, o candidato recebe a Permissão para Dirigir (PPD), válida por 12 meses. Após esse período, se não cometer infrações graves, pode solicitar a CNH definitiva.
Esse processo costuma custar entre R$ 3.000 e R$ 4.000, variando conforme o estado.
O que muda com o fim da obrigatoriedade da autoescola?
Com a proposta do governo, o caminho para tirar a CNH ficará bem mais flexível:
Fim das aulas teóricas obrigatórias em autoescolas: o estudo poderá ser feito por conta própria, em cursos online (EAD) ou até em aplicativos.
Flexibilização das aulas práticas: a exigência de 20 horas mínimas pode cair. O candidato escolherá quantas aulas fará com um instrutor credenciado.
Instrutores independentes: qualquer profissional credenciado pelo Detran poderá dar aulas práticas, sem necessidade de vínculo com autoescola.
Redução de custos: a habilitação pode sair até 80% mais barata, ficando entre R$ 750 e R$ 1.000 em muitos estados.
Continuidade das provas: nada muda em relação às avaliações. Os exames teóricos e práticos do Detran continuarão obrigatórios.
Por que as autoescolas foram obrigatórias até hoje?
As autoescolas se tornaram obrigatórias porque o Contran determinou uma carga mínima de aulas para garantir que os futuros motoristas tivessem instrução adequada.
A ideia era padronizar o processo e reduzir acidentes no trânsito. Com instrutores formados, carros adaptados e carga horária definida, acreditava-se que todos teriam condições mínimas para dirigir com segurança.
Na prática, porém, o modelo acabou ficando caro e, muitas vezes, não entregava a qualidade prometida. Muitos alunos relatam que concluíram as aulas sem se sentirem realmente preparados, e outros abandonaram o processo pelo custo alto.
O que dizem os defensores da mudança?
Quem apoia o fim da obrigatoriedade aponta vários benefícios:
Menor custo para tirar CNH, permitindo que mais brasileiros tenham acesso.
Mais liberdade para escolher como e com quem aprender.
Possibilidade de instrutores independentes, criando um novo mercado de trabalho.
Redução da informalidade, já que muitos motoristas sem habilitação poderão se regularizar.
Flexibilidade para quem já sabe dirigir, mas nunca conseguiu formalizar a habilitação.
E quem é contra?
Do outro lado, há quem veja a medida com bastante preocupação:
Autoescolas temem falência e demissões em massa, já que vivem da obrigatoriedade atual.
Especialistas em trânsito alertam que a redução nas aulas práticas pode levar a motoristas menos preparados.
Parlamentares e entidades pedem mais debate e apontam riscos de aumento no número de acidentes.
Alguns estudos já levantaram dúvidas sobre a segurança no trânsito se as exigências mínimas forem flexibilizadas demais.
Como o fim da obrigatoriedade das autoescolas para tirar a CNH vai impactar os brasileiros?
De um lado, temos o brasileiro comum, que sonha em dirigir, mas esbarra em custos de R$ 3.000 a R$ 4.000 para conseguir a CNH. Do outro, as autoescolas, que empregam milhares de pessoas e movimentam um setor inteiro da economia.
A conta do governo é simples: baratear o processo, aumentar o número de habilitados e reduzir a quantidade de motoristas informais. Mas, no meio disso, existe a ameaça de fechamento de empresas e perda de empregos.
Renan Filho garante que não haverá crise de emprego, porque o mercado de instrutores independentes pode absorver essa demanda. Mas, até que isso aconteça, a tensão deve continuar.
Como ficará a segurança no trânsito, já que as autoescolas são importantes?
Talvez o ponto mais sensível seja a segurança viária. Afinal, dirigir um carro ou moto não é brincadeira. Um motorista mal preparado pode colocar em risco a própria vida e a de outras pessoas.
Por isso, mesmo com a flexibilização, as provas teóricas e práticas continuam obrigatórias. A ideia é que só quem realmente demonstrar conhecimento e habilidade consiga a CNH.
O desafio será equilibrar redução de custos com manutenção da qualidade do processo de formação.
E como ficará para motos e carros?
No primeiro momento, a mudança será aplicada apenas às categorias A (motos) e B (carros de passeio).
Se a experiência for positiva, o governo já admite a possibilidade de estender para outras categorias, como C, D e E, que permitem dirigir caminhões, ônibus e veículos de carga.
Resistência política e próximos passos
A medida ainda passará por consulta pública e poderá sofrer alterações. No Congresso, alguns parlamentares já sinalizaram apoio, enquanto outros prometem resistência.
O debate promete ser quente, já que envolve temas como empregos, segurança, justiça social e redução de custos.
O que muda para você, cidadão comum?
Se você sonha em dirigir e nunca tirou a CNH porque achava o processo caro ou burocrático, essa pode ser a sua chance.
Com o novo modelo, você terá mais liberdade para escolher como aprender, gastará menos dinheiro e poderá se regularizar com mais facilidade.
Mas, atenção: não significa que será mais fácil passar nas provas. A responsabilidade de estudar, treinar e estar pronto para dirigir será ainda maior.
