Fim da CNH? Entenda de uma vez por todas se dá para dirigir só com a CNH digital e o que a lei realmente diz sobre isso no Brasil

Imagine a cena: você está saindo de casa apressado, pega a chave do carro, o celular e só quando já está no meio do trânsito percebe que esqueceu a carteira em cima da mesa. Antigamente, isso seria motivo de pânico, já que sem a CNH física você poderia ser multado numa blitz. Mas hoje, em tempos digitais, será que dá para relaxar? Será que dirigir só com a CNH digital no celular é realmente permitido?

A resposta curta é: sim, você pode dirigir apenas com a versão digital da CNH. Mas, como quase tudo na vida, há alguns “poréns” que você precisa conhecer antes de confiar 100% nessa modernidade.

O que diz a lei sobre a CNH digital?

O ponto de partida é o artigo 159 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Ele estabelece que a CNH digital tem o mesmo valor jurídico que a versão física. Ou seja, se você for parado numa fiscalização e mostrar sua CNH-e pelo aplicativo oficial, está dentro da lei, sem risco de multa por falta de documento.

Mas atenção: não basta tirar uma foto da sua carteira e salvar no celular. A CNH digital só é válida quando armazenada e acessada pelo aplicativo oficial, que atualmente é o Carteira Digital de Trânsito (CDT), desenvolvido pelo Serpro em parceria com o Denatran.

Por que a CNH digital virou tendência?

Não é difícil entender o sucesso da CNH-e. Pense bem: celular é quase uma extensão do corpo humano hoje em dia. Você pode até sair sem sapato, mas dificilmente sai sem o celular. Por isso, manter o documento no aplicativo é um alívio, principalmente para quem vive esquecendo a carteira em casa.

Além disso, a CNH digital traz benefícios extras:

  • Notificações de vencimento: o app avisa quando sua habilitação está perto de expirar.

  • Integração com documentos do veículo: em muitos estados, é possível consultar também o CRLV digital do carro no mesmo aplicativo.

  • Compartilhamento rápido: em algumas situações, como aluguel de veículos ou checagem de dados, você consegue exportar o documento em formato válido.

A situação crítica: e se a bateria acabar na hora da blitz?

Aqui está o grande medo dos motoristas digitais: ficar sem bateria. Imagine o policial pedindo sua habilitação e você mostrando uma tela preta porque o celular morreu. Nesse caso, a lei não tem piedade: se você não apresentar a CNH digital pelo app, é como se estivesse sem documento algum.

Resultado? Multa de R$ 88,38 e três pontos na carteira, além de ficar com aquele constrangimento eterno de contar para os amigos que foi multado porque esqueceu o “powerbank” em casa.

Por isso, especialistas recomendam sempre levar um carregador portátil ou, para os mais precavidos, carregar também a versão física junto.

Precauções indispensáveis para quem usa a CNH digital

  1. Mantenha o aplicativo atualizado – versões antigas podem falhar justamente quando você mais precisa.

  2. Proteja seu celular – use senha, biometria ou reconhecimento facial. Afinal, estamos falando de um documento oficial.

  3. Faça testes antes de viajar – abra o app, confira se a CNH está aparecendo e se o celular tem carga suficiente.

  4. Tenha um plano B – mesmo que seja fã da modernidade, leve a CNH física em viagens longas ou importantes.

O mito do “fim da CNH física”

Apesar de toda a praticidade da versão digital, o governo não extinguiu a CNH em papel ou cartão de plástico. A emissão do documento físico continua sendo obrigatória quando você se habilita. A versão digital é, na prática, um complemento e não uma substituição.

Ou seja: ninguém é obrigado a usar a CNH digital, mas quem quiser pode. É como escolher entre pagar uma conta no banco ou no aplicativo: a lei garante as duas opções.

CNH digital e segurança jurídica

Muita gente ainda desconfia da validade da CNH digital por conta da facilidade de falsificação de documentos digitais. Mas, na prática, o aplicativo da Carteira Digital de Trânsito é extremamente seguro.

Isso acontece porque:

  • O documento é protegido por QR Code criptografado.

  • O acesso exige login na conta Gov.br, que também tem verificação de segurança.

  • Há camadas de autenticação que tornam praticamente impossível falsificar ou adulterar a CNH digital sem deixar rastros.

Quando é mais seguro usar a CNH física

Embora a versão digital seja suficiente para o dia a dia, há cenários em que ter a CNH física pode evitar dor de cabeça:

  • Viagens internacionais: em alguns países, só a CNH impressa (ou a PID – Permissão Internacional para Dirigir) é aceita.

  • Problemas técnicos no app: se o sistema estiver fora do ar, não adianta reclamar.

  • Celulares roubados: caso você perca o aparelho, pode ter dificuldade em apresentar o documento em fiscalizações até recuperar o acesso.

O que acontece em uma abordagem policial com CNH digital

Na prática, a cena é simples: o policial pede a habilitação, você abre o app da CDT, mostra o QR Code e pronto. Em segundos, a fiscalização consegue confirmar se a CNH é válida. Não há burocracia extra, nem demora no processo.

O que realmente complica é a falta de acesso ao app. Se você tentar mostrar uma foto ou PDF salvo no celular, não vale.

Perguntas que todo motorista faz (e raramente tem resposta clara)

É obrigatório ter a CNH digital?

Não. A versão física continua sendo válida em todo o território nacional.

Posso ser multado se não tiver internet na hora da fiscalização?

Não. O aplicativo funciona mesmo offline, desde que o documento já esteja baixado e atualizado no celular.

Preciso pagar algo para ter a CNH digital?

Não. A emissão é gratuita, desde que você já tenha a versão em papel com QR Code.

O que fazer se meu celular for roubado?

Você pode acessar sua CNH digital em outro aparelho, basta baixar o aplicativo e fazer login na sua conta Gov.br.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.