Lista de CPFs que terão de devolver o Auxílio Emergencial ao Governo assusta brasileiros e revela como funcionava o benefício que pagou bilhões desde 2020

Imagine estar em casa, mexendo no celular, e de repente receber uma mensagem nada agradável: “Você precisa devolver o dinheiro do Auxílio Emergencial”. Pois é, foi exatamente isso que aconteceu com 176.862 brasileiros, segundo dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS).

A saber, o governo decidiu intensificar a cobrança de quem recebeu o benefício sem cumprir os critérios. A notificação chega por SMS, e-mail ou pelo aplicativo Notifica, aquele usado em várias comunicações do poder público.

Para saber se o seu CPF está nessa lista, não existe nenhum “vazamento” circulando por aí. O caminho é oficial: basta acessar o sistema VEJAE, disponível no site do MDS, e fazer login com CPF e senha do Gov.br.

Quem precisa devolver o Auxílio Emergencial?

A princípio, a cobrança não é para todo mundo que recebeu. O governo cruzou informações e encontrou situações que não batiam com as regras. Entre os casos mais comuns de devolução estão:

  • Pessoas com renda per capita acima de dois salários mínimos;

  • Trabalhadores que tinham carteira assinada durante o período de recebimento;

  • Famílias cuja renda total ultrapassava o limite permitido;

  • Casos em que os dados declarados não correspondiam à realidade, segundo o cruzamento com outras bases.

Ou seja, se o cidadão estava fora dos critérios desde o início, agora terá que devolver cada centavo.

Como funciona o processo de devolução do Auxílio Emergencial?

Em primeiro lugar, o governo até oferece um certo “alívio”: a devolução pode ser feita à vista ou parcelada em até 60 vezes, com parcelas mínimas de R$ 50.

O passo a passo é simples:

  1. O notificado entra no sistema VEJAE;

  2. Consulta os valores cobrados;

  3. Escolhe pagar de uma vez ou parcelar;

  4. Emite a guia de pagamento.

Mas nem tudo é cobrança. Existe também a possibilidade de defesa: quem acreditar que a cobrança é injusta pode contestar no próprio sistema. O prazo é de 30 dias a partir da notificação.

E atenção: esse prazo é fundamental, porque é a oportunidade de apresentar documentos que comprovem que o auxílio foi recebido de forma legal.

O que acontece se não pagar?

Agora vem a parte que ninguém gosta: se a pessoa não paga e também não contesta, o débito pode ir parar na Dívida Ativa da União.

E o que isso significa na prática?

  • Nome negativado;

  • Restrições de crédito;

  • Bloqueio de bens;

  • E, em casos mais graves, leilão judicial de patrimônio.

O objetivo é claro: recuperar os recursos públicos usados em um dos programas sociais mais caros da história do país.

Como foi pago o Auxílio Emergencial?

O Auxílio Emergencial nasceu em 2020, em meio à pandemia da Covid-19. O Brasil parou, o comércio fechou e milhões de pessoas ficaram sem trabalho ou renda. Para evitar um colapso social, o governo lançou esse benefício inédito.

Ele começou como um alívio temporário, mas acabou se estendendo por mais de um ano, com várias rodadas de pagamento e mudanças de valores.

Quem tinha direito ao benefício?

No início, as regras eram claras, mas com o tempo foram sendo ajustadas. O Auxílio Emergencial era voltado para:

  • Trabalhadores informais;

  • Desempregados;

  • Autônomos sem renda fixa;

  • Famílias inscritas no Cadastro Único;

  • Beneficiários do Bolsa Família, que recebiam o valor mais vantajoso.

As principais condições eram:

  • Renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa;

  • Renda total da família de até três salários mínimos;

  • Não ter emprego formal na época;

  • Não receber outros benefícios do governo, exceto o Bolsa Família.

Os valores pagos durante a pandemia

O programa ficou marcado pelos valores generosos, especialmente na primeira fase. Veja como foi:

  • 2020 – Primeira fase: parcelas de R$ 600 (ou R$ 1.200 para mães chefes de família).

  • Prorrogação: mais quatro parcelas de R$ 300 (ou R$ 600 para mães solteiras).

  • 2021 – Nova rodada: pagamentos reduzidos, entre R$ 150 e R$ 375, dependendo da composição da família.

No total, foram mais de R$ 350 bilhões pagos a cerca de 68 milhões de brasileiros. Foi, sem dúvida, o maior programa de transferência de renda da história do país.

Como era feito o pagamento

A Caixa Econômica Federal ficou responsável pelos depósitos. Para os beneficiários, foi criado o aplicativo Caixa Tem, que virou febre nacional.

Ali, os valores podiam ser movimentados digitalmente, pagos em boletos, usados para compras online ou transferidos para outras contas. Para quem não tinha celular ou internet, a Caixa organizou filas imensas nas agências e lotéricas.

O Caixa Tem, que nasceu como “solução emergencial”, acabou se transformando em porta de entrada para outros programas sociais, como o Auxílio Brasil e, depois, o novo Bolsa Família.

As polêmicas e fraudes

Como todo programa gigantesco, o Auxílio Emergencial não escapou de polêmicas. Desde o início, houve relatos de pagamentos para pessoas que não se enquadravam nas regras: militares, servidores públicos, empresários e até políticos chegaram a aparecer entre os beneficiários.

O governo reforçou o cruzamento de dados, mas mesmo assim muitas irregularidades passaram. Agora, anos depois, o cerco está se fechando e os CPFs identificados precisam devolver os valores.

Por que o governo está cobrando agora?

A explicação é simples: recuperar recursos. O país gastou bilhões no programa e, para manter as contas públicas sob controle, precisa trazer de volta o que foi pago indevidamente.

Além disso, a cobrança funciona como um recado: benefícios sociais devem ser respeitados e direcionados a quem realmente precisa.

E quem recebeu de forma correta?

Aqui vem a parte que alivia milhões de brasileiros: quem se enquadrava nas regras e recebeu o Auxílio Emergencial de forma legal não precisa se preocupar.

O programa foi um direito garantido e não há cobrança para quem estava dentro dos critérios. A devolução é apenas para os casos em que houve irregularidade.

Auxílio Emergencial e o impacto na vida dos brasileiros

Apesar das críticas e dos problemas, o Auxílio Emergencial foi decisivo. Para muita gente, significou colocar comida na mesa, pagar contas básicas e segurar as pontas no período mais duro da pandemia.

Pesquisas apontaram que, em alguns meses de 2020, o programa chegou a ser a única fonte de renda de mais da metade das famílias brasileiras.

Foi também uma das razões pelas quais a economia não colapsou totalmente, mesmo com o fechamento de setores inteiros.

O legado deixado pelo benefício

Mesmo depois do fim oficial, o Auxílio Emergencial deixou lições importantes:

  • Mostrou a força da tecnologia na distribuição de benefícios, através do Caixa Tem;

  • Escancarou a necessidade de um cadastro social mais eficiente;

  • Provou que programas de transferência de renda em larga escala são possíveis, mas precisam de controle rigoroso;

  • Serviu de base para os ajustes que resultaram no Auxílio Brasil e, posteriormente, no novo Bolsa Família.

A lista de CPFs e a nova fase de cobrança

Hoje, o que chama a atenção é justamente a lista de CPFs notificados. Não é pública, nem deve circular em grupos de WhatsApp. O acesso oficial é apenas pelo sistema VEJAE.

Por fim, o governo reforça que qualquer mensagem em redes sociais oferecendo “consulta rápida” pode ser golpe. A única forma segura de checar é pelo portal oficial, com CPF e conta Gov.br.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.