Se você está de olho na aposentadoria e acha que já está difícil se aposentar, espere só até 2026. O cronograma da Reforma da Previdência de 2019 vai continuar avançando e vai exigir mais idade, mais tempo de contribuição e mais paciência dos trabalhadores brasileiros.
Mas calma! Vamos explicar tudo de forma simples, sem aquele juridiquês que ninguém entende, para você não se perder no meio de tanta regra nova.
Pontuação mínima sobe: mulheres precisam de 93 pontos e homens de 103
A famosa regra de pontos continua sendo uma das estrelas das mudanças. Em 2026, para se aposentar usando esse sistema, as mulheres vão precisar atingir 93 pontos e os homens 103.
Mas o que é essa pontuação, afinal? É bem simples: você soma a sua idade ao seu tempo de contribuição. Se o total bater a pontuação mínima exigida, você tem direito à aposentadoria — claro, desde que cumpra os outros requisitos, como tempo mínimo de contribuição:
Mulheres: 30 anos de contribuição
Homens: 35 anos de contribuição
Exemplo prático para não restar dúvida: Maria tem 59 anos e 34 anos de contribuição. Somando, dá 93. Pronto, ela atinge a pontuação mínima para se aposentar em 2026.
Idade mínima progressiva: atenção para não perder a conta
Além dos pontos, existe a idade mínima progressiva, que também sobe todo ano. Em 2026, a idade mínima para se aposentar será:
Mulheres: 59 anos e 6 meses
Homens: 64 anos e 6 meses
Ou seja, mesmo que você tenha muitos anos de contribuição, se não atingir essa idade mínima, nada de aposentadoria. É a combinação da idade com o tempo de contribuição que define tudo.
Pedágio de 50% e 100%: quem pode aproveitar essas regras?
Essas duas modalidades foram criadas para quem estava na “boca do gol” em 2019, quando a reforma foi aprovada. Elas continuam valendo em 2026, mas exigem atenção:
Pedágio de 50%: para quem faltava menos de dois anos de contribuição em 2019. É preciso pagar o tempo que faltava mais metade dele. Se faltava 1 ano, terá que trabalhar 1 ano e 6 meses.
Pedágio de 100%: aqui a idade mínima entra em jogo. São 57 anos para mulheres e 60 para homens, e você terá que trabalhar o dobro do tempo que faltava.
Exemplo: João tinha 34 anos de contribuição em 2019 e faltava 1 ano para se aposentar. Com o pedágio de 100%, ele precisa trabalhar 2 anos, além de ter a idade mínima exigida.
Cálculo do benefício: entenda como será em 2026
Aqui muita gente se confunde, mas vamos simplificar. A Reforma da Previdência mudou o cálculo do benefício e deixou tudo mais rigoroso.
O valor da aposentadoria será baseado na média de todos os salários de contribuição desde 1994. Isso significa que não dá mais para descartar os 20% menores salários, como acontecia antes.
A fórmula é esta:
O segurado recebe 60% da média de todos os salários.
A cada ano que ultrapassar o tempo mínimo de contribuição (15 anos para mulheres e 20 para homens), soma-se mais 2%.
Exemplo: uma mulher com 20 anos de contribuição terá 70% da média salarial.
E atenção: o teto do INSS, que em 2025 é de R$ 8.157,41, será reajustado em 2026 conforme a inflação medida pelo INPC.
Regras de transição: para quem começou a contribuir antes da reforma
Se você começou a contribuir antes de 13 de novembro de 2019, pode usar as regras de transição. Mas não se engane: em 2026, elas ficam mais duras.
As principais mudanças são:
Pedágio de 50%: não exige idade mínima, mas obriga a pagar o tempo restante mais 50%.
Pedágio de 100%: exige idade mínima (57 para mulheres, 60 para homens) e o dobro do tempo que faltava.
Ou seja, quanto mais o tempo passa, mais difícil fica usar as regras de transição para se aposentar mais cedo.
O impacto da fila do INSS: mais de 2,6 milhões de pedidos em análise
Outro problema que não pode ser ignorado: a fila do INSS. Em 2025, mais de 2,6 milhões de pedidos aguardavam análise. Isso significa que mesmo cumprindo todos os requisitos, você pode enfrentar meses de espera até o benefício ser liberado.
Com as novas regras, a tendência é que mais gente entre com pedidos, aumentando ainda mais a fila. Por isso, planejar a aposentadoria com antecedência é fundamental.
Como se preparar para a aposentadoria em 2026: dicas práticas
Para não ser pego de surpresa, o ideal é começar a se planejar agora. Algumas dicas importantes:
Use o aplicativo Meu INSS: lá você pode consultar seu tempo de contribuição, fazer simulações e até dar entrada no benefício.
Guarde toda a documentação: carteira de trabalho, comprovantes de contribuição e tudo o que possa provar seu tempo de serviço.
Considere fazer um planejamento previdenciário: um especialista pode indicar a melhor regra para o seu caso e evitar que você trabalhe mais do que o necessário.
Fique atento aos prazos: muitos atrasos acontecem por falta de documentos ou erros no pedido.
Por que o governo faz essas mudanças todos os anos?
A Reforma da Previdência de 2019 foi criada para equilibrar as contas da Previdência, já que a população está vivendo mais e o número de aposentados cresce todo ano.
As regras de transição foram pensadas para não prejudicar tanto quem estava próximo de se aposentar. Mas, para os mais jovens, a tendência é cada vez mais idade e mais tempo de contribuição.
Em outras palavras: quem começou a trabalhar depois de 2019 vai sentir mais o peso da reforma no bolso e no tempo de trabalho.
Resumo das principais mudanças para 2026
Para quem gosta de tudo bem organizado, aqui vai o resumo do que muda em 2026:
Pontuação mínima: 93 pontos para mulheres e 103 para homens.
Idade mínima: 59 anos e 6 meses para mulheres e 64 anos e 6 meses para homens.
Pedágio de 50% e 100% continuam valendo, mas exigem mais tempo de contribuição e idade mínima.
Cálculo do benefício segue a média de todos os salários desde 1994, sem descartar os menores.
Fila do INSS continua enorme, exigindo planejamento e atenção aos documentos.
