A nova declaração de Hugo Motta sobre a isenção do IR para quem recebe até R$5 mil

A novela da isenção do Imposto de Renda ganhou novos capítulos nos últimos dias, mas, segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), a votação segue firme e forte para acontecer na próxima quarta-feira, 1º de outubro. E, olha, ele foi bem categórico: a data está mantida, não importa o que aconteça em relação a outros projetos polêmicos que também andam circulando pelos corredores do Congresso.

As declarações de Motta foram dadas na última quinta-feira (25), em plenário, depois que Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto de anistia a condenados por atos golpistas, levantou a bola de que a votação da isenção do IR poderia ficar travada caso o outro texto não avançasse. Mas Hugo Motta garantiu: nada disso! Segundo ele, a pauta do Imposto de Renda está “madura” e será votada de qualquer jeito.

Ou seja, mesmo com os bastidores políticos pegando fogo, o tema da isenção continua na ordem do dia — e pode impactar diretamente o bolso de milhões de brasileiros.

Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil é o grande destaque

Agora vamos ao que realmente interessa: o que esse projeto traz na prática?

De forma resumida, a proposta estabelece:

  • Isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês: esses contribuintes ficariam livres do Leão, sem precisar pagar um centavo de Imposto de Renda.

  • Redução gradual para rendas até R$ 7.350: quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 teria um desconto proporcional, pagando menos imposto conforme a renda.

  • Tributação extra para milionários: quem ganha acima de R$ 600 mil por ano — cerca de R$ 50 mil por mês — começa a pagar uma alíquota adicional, que pode chegar a 10% para quem ultrapassa R$ 1,2 milhão anuais.

  • Tributação de lucros e dividendos acima de R$ 50 mil: empresas que distribuírem esses valores para pessoas físicas terão retenção de 10% direto na fonte.

Em resumo: de um lado, alívio para trabalhadores e classe média. Do outro, cobrança mais pesada para altas rendas e lucros de empresas.

Por que o projeto foi considerado “maduro” para votação

Hugo Motta usou essa expressão para indicar que a proposta já passou por uma discussão intensa na Comissão Especial da Câmara e que chegou ao plenário com consenso suficiente para ser votada.

Segundo ele, a tentativa de atrelar a votação da isenção do Imposto de Renda ao projeto de anistia foi completamente equivocada:

“Já anunciamos a pauta para a próxima quarta-feira, independente de qualquer outra matéria aqui da Casa, qualquer outra matéria que esteja em discussão”, declarou Motta.

Ou seja, mesmo que a votação da anistia não avance, o texto do Imposto de Renda segue seu caminho normal.

Qual o impacto para quem ganha até R$ 5 mil?

Se o texto passar como está, milhões de brasileiros que hoje pagam Imposto de Renda podem ficar livres da cobrança. É isso mesmo: quem ganha até R$ 5 mil mensais não pagaria mais nada de IR.

Na prática, isso aumenta a renda líquida de trabalhadores e aposentados, já que o valor que iria para o governo ficaria direto na conta do contribuinte.

Mas calma: para começar a valer, ainda há um caminho a percorrer. Primeiro, a proposta precisa passar na Câmara, depois no Senado e, por fim, ser sancionada pelo Presidente da República.

Redução gradual: como funciona para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350

Se você ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350, não vai escapar totalmente do Leão, mas vai pagar bem menos do que paga hoje.

O projeto prevê um desconto progressivo. Por exemplo:

  • Quem ganha R$ 5.500 teria um desconto maior do que quem ganha R$ 6.500.

  • A partir de R$ 7.350, as alíquotas normais voltam a valer.

Esse modelo busca equilibrar a conta: dá um alívio para a classe média sem prejudicar demais a arrecadação do governo.

Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 7.350. Entenda os bastidores e o que está em jogo.
Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 7.350. Entenda os bastidores e o que está em jogo. Foto: Montagem/Revista dos Benefícios

A nova tributação para milionários: alíquotas crescentes

O texto também traz uma novidade que promete gerar polêmica: a cobrança extra para rendas muito altas.

Funciona assim:

  • Acima de R$ 600 mil por ano, começa uma alíquota adicional.

  • Quanto maior a renda, maior a alíquota, podendo chegar a 10% para quem ultrapassa R$ 1,2 milhão anuais.

A justificativa é simples: corrigir distorções. Hoje, proporcionalmente, pessoas com rendas muito altas acabam pagando menos do que a classe média. Com a nova regra, a tributação se torna mais progressiva.

Lucros e dividendos também entram na mira

Outro ponto que chama atenção é a tributação de lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas.

Se o valor mensal ultrapassar R$ 50 mil, haverá retenção de 10% na fonte. Isso quebra uma tradição de mais de 25 anos no Brasil, onde esse tipo de rendimento era praticamente isento.

Para o governo e para muitos especialistas, essa mudança ajuda a reduzir a desigualdade e a tornar o sistema tributário mais justo.

Os próximos passos

A aprovação na Câmara é apenas a primeira etapa. Veja o caminho completo:

  1. Câmara dos Deputados: votação prevista para 1º de outubro.

  2. Senado Federal: se aprovado, o texto segue para os senadores, que podem alterar trechos.

  3. Volta à Câmara (se necessário): caso o Senado faça mudanças, os deputados precisam aprovar as alterações.

  4. Sanção presidencial: o Presidente da República pode aprovar integralmente, vetar trechos ou até mesmo todo o projeto.

  5. Publicação e vigência: só depois da sanção e publicação no Diário Oficial a lei passa a valer.

Portanto, mesmo com votação em 1º de outubro, a aplicação prática pode levar alguns meses.

O que pode mudar até a votação

Apesar da garantia de Hugo Motta, tudo pode acontecer no Congresso. Deputados e senadores ainda podem apresentar emendas, tentar alterar faixas de renda ou alíquotas.

Além disso, a questão política sempre pesa. Um acordo entre líderes pode acelerar o processo, enquanto disputas partidárias podem atrasar a aprovação.

Por isso, a quarta-feira, 1º de outubro, será um dia decisivo não só para a proposta, mas também para medir o clima político em Brasília.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.