Imagine um programa tão transformador que, em poucos meses, deixa de ser apenas uma política pública nacional e passa a ser visto como exemplo mundial. Foi exatamente isso que aconteceu com o Gás do Povo, criado em setembro de 2025, e que já está atraindo olhares de mais de 60 países da África, América Latina e Ásia.
O motivo? O Brasil conseguiu unir três desafios gigantes em uma só iniciativa: inclusão social, segurança alimentar e sustentabilidade ambiental. E o resultado é tão impactante que a ideia promete cruzar fronteiras e mudar realidades em todo o planeta.
Mais que assistência: um novo conceito de energia acessível
Durante a Liquid Gas Week 2025, realizada no Rio de Janeiro, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, apresentou ao mundo os detalhes do programa. Para ele, o Gás do Povo não é apenas mais uma política de auxílio, mas uma estratégia completa de desenvolvimento humano e ambiental.
Segundo Silveira, a proposta dialoga diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente o ODS 7, que busca garantir acesso à energia limpa e acessível para todos.
“Estamos mostrando ao mundo que é possível cuidar das pessoas, da economia e do meio ambiente ao mesmo tempo. Esse é o Brasil que queremos apresentar: inovador, sustentável e socialmente justo”, afirmou o ministro.
Inclusão social e impacto ambiental positivo
A meta é beneficiar 17 milhões de famílias até 2026, o que pode representar mais de 50 milhões de pessoas impactadasem todas as regiões do país. O programa substitui o uso de lenha e carvão em cozinhas por gás liquefeito de petróleo (GLP), reduzindo não apenas o custo para as famílias, mas também os riscos à saúde e ao meio ambiente.
Hoje, muitas famílias em áreas rurais e periferias urbanas ainda utilizam lenha ou carvão, o que gera fumaça tóxicadentro de casa e aumenta casos de doenças respiratórias, principalmente entre mulheres e crianças.
Além disso, o programa ajuda o Brasil a cumprir compromissos internacionais de redução de emissões de dióxido de carbono e outros poluentes, reforçando sua agenda climática.
Reconhecimento internacional e exportação do modelo
Não demorou para que outros países manifestassem interesse. Nações da África, América Latina e Ásia já solicitaram apoio técnico da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para implantar programas semelhantes.
De acordo com o ministro Silveira, a ideia é compartilhar tecnologia, conhecimento e estratégias para que cada país possa adaptar o modelo brasileiro à sua própria realidade.
“O que estamos fazendo no Brasil pode virar modelo mundial de inclusão social energética. É um passo histórico para o país e para milhões de pessoas em todo o planeta”, destacou.
Estrutura já existente garante viabilidade
Um dos grandes trunfos do programa é a infraestrutura do setor de GLP no Brasil. O país tem uma rede robusta que chega a 100% dos municípios e atende 91% dos lares brasileiros.
São 35 milhões de botijões de gás circulando por mês;
59 mil revendas autorizadas pela ANP espalhadas pelo país;
330 mil empregos diretos e indiretos ligados ao setor.
Com essa base já consolidada, foi possível planejar o Gás do Povo sem criar uma estrutura totalmente nova, o que reduziu custos e agilizou a implantação.
Orçamento e comparação com o Auxílio Gás
O Gás do Povo também foi pensado para corrigir as falhas do Auxílio Gás, criado em 2021, que atendia apenas 5,1 milhões de famílias e muitas vezes não cobria o valor real do botijão, que chegava a custar até R$ 140 em algumas regiões.
Agora, o gás será entregue diretamente nas revendas credenciadas, sem repasse em dinheiro, evitando desvios e garantindo que o benefício chegue a quem realmente precisa.
O orçamento do programa é de R$ 3,57 bilhões para 2025 e deve chegar a R$ 5,1 bilhões em 2026, valores já aprovados na Lei Orçamentária Anual.
Critérios para receber o benefício
Para garantir que o gás chegue às famílias mais vulneráveis, o governo usará o Cadastro Único (CadÚnico) como base de dados. Terão prioridade:
Famílias com renda per capita de até meio salário mínimo (R$ 759 em 2025);
Núcleos familiares com mais membros terão direito a mais botijões.
A divisão será a seguinte:
2 pessoas: até 3 botijões por ano;
3 pessoas: até 4 botijões por ano;
4 ou mais pessoas: até 6 botijões por ano.
Quando começa a distribuição
O programa terá início em novembro de 2025, em caráter piloto, e será expandido gradualmente até março de 2026, quando deve atingir todas as famílias elegíveis.
A retirada dos botijões será feita de forma moderna e segura, com validação eletrônica por:
Aplicativo oficial;
QR Code;
Cartão próprio;
Ou pelo Cartão do Bolsa Família.
Para quem preferir receber em casa, haverá a opção de pagar o frete, já que a entrega domiciliar não está inclusa no programa.
Política pública permanente e não apenas emergencial
Diferente de outros benefícios temporários, o Gás do Povo foi criado por Medida Provisória e já regulamentado por decreto presidencial, garantindo que se torne política pública permanente.
“O objetivo é estrutural, para corrigir uma falha histórica e oferecer mais dignidade às famílias brasileiras”, reforçou o ministro Silveira.
Brasil como líder em energia inclusiva
Com o Gás do Povo, o Brasil não apenas cuida da própria população, mas assume papel de liderança global na transição para uma energia mais limpa, acessível e inclusiva.
Mais de 60 países já estudam o modelo brasileiro, que pode ser adaptado para diferentes realidades e ajudar milhões de pessoas em todo o mundo a abandonar o uso de lenha e carvão.
Em poucos meses, o Brasil passou de importador de ideias sociais para exportador de soluções inovadoras, mostrando que é possível combinar justiça social, sustentabilidade e eficiência econômica em uma única política pública.
