Você recebe o Bolsa Família? CRAS pode bater à sua porta a qualquer momento ainda este ano

Se você recebe algum benefício social, especialmente o Bolsa Família, fique atento: em 2025, o governo decidiu mudar as regras e o CRAS – o famoso Centro de Referência de Assistência Social – pode bater à sua porta a qualquer momento.

Embora muitos se assustem, o objetivo é simples: garantir que os benefícios estejam chegando a quem realmente precisa. Antes, apenas famílias que moravam em locais de difícil acesso ou que tinham dificuldades para se deslocar até um posto do CRAS recebiam a visita de técnicos.

Agora, com as novas regras, todas as famílias unipessoais (aquelas compostas por apenas uma pessoa) passaram a entrar na lista de quem deve aguardar a visita de agentes.

Esse grupo tem sido mais visado pelo governo porque estudos mostraram que é justamente entre os unipessoais que se concentra a maior parte das irregularidades no programa. Muitas pessoas que, para aumentar o valor recebido, se dividem em vários cadastros individuais. Mas a lei é clara: isso não é permitido.

O que o governo descobriu sobre os unipessoais

Durante 2024, o MDS (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social) fez um pente-fino nas informações do Bolsa Família. O resultado assustou: em várias cidades, havia casos de famílias inteiras recebendo o benefício separadamente, cada membro como se fosse “sozinho no mundo”.

Com isso, o governo percebeu que precisava verificar as informações de perto. Daí surgiu a ideia: enviar técnicos para checar a realidade das famílias e comparar o que foi informado no CadÚnico com o que realmente acontece.

Portanto, a visita se trata de uma confirmação para garantir que o dinheiro público está sendo bem aplicado. Afinal, para 2025, o orçamento do Bolsa Família caiu para R$ 160 bilhões, contra R$ 169 bilhões no ano anterior. Com menos dinheiro, aumenta a necessidade de evitar fraudes e desperdícios.

Como funciona a visita do CRAS

Muita gente acha que a visita do CRAS é para fiscalizar ou até para cortar o benefício, mas não é bem assim. Ela é feita por técnicos sociais capacitados, que vão até a casa da família com um único objetivo: confirmar as informações e entender a realidade de quem recebe o Bolsa Família.

E aqui vai um detalhe importante:

  • A visita pode acontecer por amostragem, quando o governo seleciona algumas famílias aleatoriamente para checagem.
  • Pode ocorrer após denúncia, se alguém informar possíveis irregularidades.
  • Também acontece quando a família atualiza o cadastro ou quando o governo faz uma revisão periódica.

Em todos os casos, o que se busca é a veracidade das informações.

O que os técnicos verificam durante a visita

Agora você deve estar se perguntando: “O que exatamente eles vão olhar na minha casa?” Pois bem, o CRAS avalia vários pontos, e aqui vai uma explicação simples de cada um:

1. Condições de moradia

Eles observam se a casa é de alvenaria, madeira ou outro material, quantos cômodos existem, quantas pessoas moram ali, se há saneamento básico e se a família está em situação de risco social ou insalubridade.

2. Composição familiar

O técnico confere se todos os membros declarados realmente moram no local e se há crianças, idosos, gestantes ou pessoas com deficiência. Se alguém não informado no cadastro aparecer morando lá, pode dar problema.

3. Renda familiar

Aqui a análise é para saber se os rendimentos declarados são reais. Eles podem observar bens, como carros ou eletrodomésticos caros, e perguntar sobre atividades de trabalho formais e informais.

4. Situação educacional

Para famílias com crianças e adolescentes, é verificado se todos estão frequentando a escola. Às vezes, o técnico pode pedir para ver cadernos ou materiais escolares como forma de comprovar a matrícula.

5. Saúde e acompanhamento

No caso de gestantes, eles perguntam sobre o pré-natal. Para crianças, pedem a caderneta de vacinação e verificam se estão acompanhadas nos postos de saúde.

Documentos que o CRAS pode solicitar

Durante a visita, o técnico pode pedir alguns documentos para confirmar as informações:

  • RG, CPF ou certidão de nascimento/casamento de todos os moradores
  • Comprovante de residência
  • Comprovante de renda, quando existir
  • Cartão do SUS
  • Caderneta de vacinação e escolar das crianças

Mas atenção: o técnico não pode exigir reforma na casa, cobrar taxas nem aplicar punições diretas. Ele apenas registra as informações e as envia para análise. Quem decide sobre bloqueios ou cancelamentos é o sistema do governo, após cruzar todos os dados.

O que pode acontecer após a visita

Se tudo estiver certo, não há com o que se preocupar: o benefício continua normalmente.

Agora, se houver diferenças graves entre o que foi declarado e o que foi encontrado, a família pode ter o pagamento bloqueado, suspenso ou até cancelado. Mas isso só acontece após análise e confirmação dos dados.

Por que a visita não é agendada

Uma dúvida comum é: “Mas por que eles não avisam antes de vir?” O motivo é simples: para que a visita reflita a realidade da família. Se todo mundo souber a data, pode “dar um jeitinho” para esconder situações irregulares. Por isso, o técnico aparece sem aviso, mas sempre deve estar identificado com crachá e documento oficial do CRAS.

Bolsa Família em 2025: menos dinheiro, mais fiscalização

Com o orçamento reduzido em relação a 2024, o governo aposta na fiscalização e revisão dos cadastros para evitar pagamentos indevidos. Isso significa que, daqui para frente, a visita domiciliar vai ser cada vez mais comum, principalmente para os unipessoais.

A ideia é que, com as informações atualizadas, o Bolsa Família continue ajudando as famílias que realmente precisam, sem desperdício de recursos.

Ester Farias

Ester Farias

Ester Santos Farias, 24 anos, é uma profissional apaixonada pela escrita e pelo universo jurídico. Graduanda em Direito, ela combina sua formação acadêmica com uma sólida experiência como redatora web.Com mais de seis anos de atuação no mercado digital, Ester se especializou na produção de conteúdos sobre benefícios sociais, direitos trabalhistas e direito previdenciário, tornando temas como INSS e BPC mais acessíveis e compreensíveis. Sua dedicação à escrita se reflete na precisão e qualidade dos textos, consolidando sua reputação como referência na produção e revisão de materiais voltados para o público online.Sempre em busca de aprimoramento, Ester alia sua expertise em redação à base jurídica adquirida na graduação. Seu trabalho é guiado pelo compromisso de informar e esclarecer, garantindo que o acesso à informação seja um direito de todos.