Todo ano é a mesma história: basta os dias começarem a ficar mais longos e o calor aumentar que a pergunta volta a aparecer em redes sociais, rodas de conversa e até em grupos de família no WhatsApp: “Será que o Horário de Verão volta este ano?”. Pois bem, em 2025 não vai ser diferente — mas já temos a resposta oficial.
Na última semana, o Ministério de Minas e Energia (MME) colocou um ponto final nas especulações e confirmou: o Brasil não terá Horário de Verão na temporada 2025/2026. A decisão foi anunciada após uma série de análises do setor elétrico e levantamentos técnicos que mostraram que a medida, criada lá atrás para economizar energia, já não faz sentido nos dias atuais.
Mas por que algo que funcionou tão bem por décadas deixou de ser útil? É aqui que a história começa a ficar interessante.
Como nasceu o Horário de Verão e por que ele funcionava tão bem
O Horário de Verão foi criado com uma ideia simples, mas engenhosa: adiantar o relógio em uma hora para aproveitar melhor a luz do dia. Assim, no final da tarde, quando as pessoas chegavam em casa, ainda tinha claridade, e a necessidade de acender as luzes era menor.
Durante muito tempo, a lógica fez todo sentido. Afinal, o pico de consumo de energia acontecia justamente no início da noite. Então, quanto mais tempo as pessoas ficassem sem precisar ligar lâmpadas, menor seria o gasto de energia no país.
Só que o tempo passou, os hábitos mudaram e a forma como usamos energia também.
O que mudou no consumo de energia e por que o Horário de Verão perdeu força
Nos últimos anos, o famoso “pico” de consumo saiu da noite e foi parar à tarde. E o vilão dessa história atende pelo nome de… ar-condicionado.
Com as temperaturas cada vez mais altas, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, o consumo de energia disparou justamente nos horários mais quentes do dia. E aí não tem jeito: o sol pode estar brilhando lá fora, mas o ar-condicionado vai estar funcionando a todo vapor — e ele gasta muito mais energia do que uma simples lâmpada acesa.

O próprio Ministério de Minas e Energia explicou que essa mudança no perfil de consumo esvaziou a principal justificativa para manter o Horário de Verão. Sem contar que a economia gerada pela medida nos últimos anos era considerada pequena demais para justificar sua continuidade.
Estudos confirmaram: não compensa mais ter Horário de Verão
Não foi apenas uma decisão tomada de forma aleatória. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE)encomendou diversos estudos para avaliar o real impacto da medida.
E a conclusão foi clara: o Horário de Verão não reduz mais o consumo de energia de forma significativa. Ou seja, o país mudava os relógios, mas a conta de luz praticamente não sentia diferença.
O próprio ministro Alexandre Silveira reforçou que só consideraria a volta da medida em caso de uma crise urgente, como a possibilidade de apagões por falta de energia. E, pelo menos até agora, esse risco não existe.
Como está a situação do setor elétrico para 2025 e 2026
Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o Brasil está bem abastecido de energia para enfrentar não só 2025, mas até fevereiro de 2026.
As condições dos reservatórios das hidrelétricas — que são as principais fontes de energia do país — estão em situação confortável, e o governo tem trabalhado para manter tudo sob controle.
Entre as estratégias em discussão pelo CMSE estão:
Aumentar a produção em grandes hidrelétricas, como a de Itaipu e as do Rio São Francisco, quando necessário;
Reduzir a vazão de algumas usinas, para preservar os níveis dos reservatórios e garantir energia para os períodos mais críticos.
Ou seja, não é só porque o Horário de Verão não volta que o governo não está atento ao setor elétrico.
Por que algumas pessoas ainda defendem a volta do Horário de Verão
Mesmo com todos os dados técnicos, muita gente ainda sente falta do Horário de Verão. E não é apenas por causa da economia de energia.
Há quem defenda que os dias mais longos traziam benefícios para o turismo, o comércio e até para a saúde mental, já que as pessoas podiam aproveitar mais o tempo ao ar livre após o trabalho.
Por outro lado, especialistas apontam que a mudança de horário bagunçava o relógio biológico de muita gente, afetando o sono e o desempenho no trabalho e nos estudos nos primeiros dias de adaptação.
No fim das contas, o tema sempre vai gerar opiniões divididas — mas, no que diz respeito ao consumo de energia, os números falam mais alto.
O que esperar para os próximos anos
O governo deixou claro que o Horário de Verão não está descartado para sempre. Ele segue “em avaliação permanente”, mas só voltaria a ser aplicado se houvesse uma necessidade real de economia urgente de energia, algo que não está no horizonte atual.
Enquanto isso, as discussões vão continuar, e a cada ano o assunto deve voltar aos holofotes, principalmente com o avanço das mudanças climáticas e o aumento do consumo elétrico.
Por enquanto, porém, os brasileiros podem se preparar para mais um verão sem precisar mexer nos relógios.
