Brasileiros que aguardam isenção do IR até R$5.000,00 recebem grande vitória nesta quarta-feira (24/09)

Se tem uma coisa que mexe com o bolso — e com o humor — do brasileiro, é o Imposto de Renda. A cada ano, milhões de contribuintes aguardam ansiosamente por mudanças que tragam algum alívio financeiro. Pois bem, nesta quarta-feira (24/09), uma dessas mudanças finalmente começou a ganhar forma: a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou um projeto que isenta do pagamento do IR quem ganha até R$ 5.000 por mês a partir de 2026.

Para quem não está familiarizado com os números, hoje a isenção vai até R$ 3.036, equivalente a dois salários mínimos. Ou seja, a novidade amplia — e muito — a faixa livre do imposto, beneficiando diretamente a chamada “classe média baixa” e os trabalhadores que mais sofrem com a carga tributária no país.

E o melhor? A proposta foi aprovada em caráter terminativo, o que significa que, se não houver recursos para levar o texto ao plenário principal, ele segue direto para a Câmara dos Deputados.

O que exatamente muda com a nova regra?

O projeto prevê uma verdadeira “faxina” na tabela do Imposto de Renda. Além da isenção até R$ 5 mil, há previsão de alíquotas decrescentes para quem ganha entre R$ 5.001 e R$ 7.350. Na prática, quem ultrapassar um pouquinho a faixa de isenção não será penalizado de forma abrupta, como acontece hoje.

Essa mudança era uma demanda antiga de economistas e especialistas em tributação, já que o modelo atual gera distorções: às vezes, ganhar um pouco mais pode levar a um aumento desproporcional na cobrança do imposto.

Com a nova proposta, o sistema fica mais justo e progressivo — quem ganha menos paga menos (ou nada), e quem ganha mais paga proporcionalmente mais.

Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 7.350. Entenda os bastidores e o que está em jogo.
Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 7.350. Entenda os bastidores e o que está em jogo. Foto: Montagem/Revista dos Benefícios

Imposto mínimo para rendas milionárias também está em discussão

Outro ponto que chamou atenção foi a criação do Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo, válido para quem tem renda anual acima de R$ 600 mil — ou seja, mais de R$ 50 mil por mês.

A alíquota, de acordo com o texto, será progressiva:

  • De 0% até 10%, dependendo da faixa de renda;

  • Com o teto de 10% para quem ganha acima de R$ 1,2 milhão ao ano.

Isso significa que a parcela mais rica da população — muitas vezes beneficiada por isenções e brechas na legislação — passará a contribuir mais para os cofres públicos.

Todos os rendimentos entram no cálculo: salários, aplicações financeiras, aluguéis e até os chamados rendimentos isentos ou de tributação exclusiva.

Lucros e dividendos

Se você é empresário ou investidor, já deve ter ouvido falar da polêmica sobre tributar lucros e dividendos.

A proposta aprovada pela CAE manteve a isenção para até R$ 50 mil mensais. Acima desse valor, passa a valer uma alíquota de 10% na fonte.

Ou seja: pequenos e médios empresários continuam livres da cobrança, enquanto grandes investidores e empresas passam a contribuir mais.

E tem mais: quando os dividendos forem enviados para o exterior, a alíquota será de 10% para todos os valores.

Essa medida busca evitar que empresas e investidores usem estratégias internacionais para escapar da tributação no Brasil.

Por que essa aprovação é considerada uma vitória?

Especialistas afirmam que o projeto é uma das mudanças mais significativas no Imposto de Renda dos últimos anos. E não é difícil entender por quê:

  1. Aumenta o poder de compra da população: quem ganha até R$ 5 mil por mês não precisará mais destinar parte do salário para o IR, podendo gastar ou investir esse dinheiro.

  2. Cria um sistema mais justo: altos salários e rendas milionárias passam a pagar mais, reduzindo desigualdades.

  3. Simplifica a tributação: com menos faixas e descontos automáticos, o contribuinte terá mais clareza sobre quanto deve pagar.

Além disso, o impacto econômico pode ser significativo. Ao deixar mais dinheiro nas mãos da população, há expectativa de aumento no consumo e estímulo à economia interna.

Quando tudo isso começa a valer?

Se tudo correr como esperado, as novas regras entram em vigor em janeiro de 2026.

Até lá, o projeto ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados e, eventualmente, por sanção presidencial. Mas, como a proposta tem teor semelhante a um texto já enviado pelo governo Lula ao Congresso, a expectativa é de que não enfrente grandes obstáculos.

Ou seja: quem ganha até R$ 5 mil pode começar a se planejar para uma vida sem Imposto de Renda a partir de 2026.

E quem ganha entre R$ 5.001 e R$ 7.350?

Esse grupo terá direito a descontos decrescentes. Funciona assim: quanto mais próximo dos R$ 5 mil, maior o desconto. Quanto mais próximo dos R$ 7.350, menor o benefício.

Na prática, evita-se que pessoas com renda levemente acima da faixa de isenção paguem uma fortuna de imposto. É uma forma de corrigir a chamada “progressividade abrupta”, considerada injusta por muitos especialistas.

Alto escalão e grandes fortunas: a grande novidade

Talvez a parte mais simbólica da proposta seja a criação do imposto mínimo para altas rendas.

Até hoje, muitos milionários brasileiros pagavam pouco ou nada de Imposto de Renda sobre determinados ganhos, graças a isenções e brechas legais.

Com a nova regra, rendas acima de R$ 600 mil anuais entram na base de cálculo. E, para quem ultrapassar R$ 1,2 milhão, o imposto chega ao teto de 10%.

É uma forma de aproximar o Brasil de modelos adotados em países desenvolvidos, onde os mais ricos pagam proporcionalmente mais impostos.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.