6 novas regras do Pix que vão mudar sua vida financeira (e quase ninguém sabe)

Se você é daqueles que faz Pix para tudo – paga a pizza, divide a conta do bar e até paga o dentista com um clique – prepare-se: o Banco Central vai apertar o cerco contra fraudes e mudar várias regras do sistema. Lançado em 2020, o Pix conquistou os brasileiros pela rapidez e simplicidade. Mas, junto com o sucesso, vieram também os golpes, as transferências suspeitas e as dores de cabeça para quem caiu em armadilhas virtuais.

Agora, com o chamado Mecanismo Especial de Devolução (MED) sendo atualizado, a promessa é clara: mais segurança, devolução de dinheiro em menos tempo e bloqueio para quem tenta enganar o sistema. Mas calma: nem tudo são flores, e há detalhes que podem complicar a vida de muita gente, inclusive de quem não tem nada a ver com golpes.

Vamos explicar tudo, com a mesma linguagem simples que você usa para pedir um Pix de R$ 20 para o amigo pagar o lanche.

1. Bloqueio em cadeia: a principal arma contra golpes

Imagine que um golpista recebe R$ 5.000 de uma vítima. Em segundos, ele manda R$ 2.000 para outra conta, que repassa R$ 1.000 para mais alguém, e assim por diante. Quando a vítima tenta bloquear, o dinheiro já virou uma corrida de revezamento e sumiu.

Com a nova regra, o bloqueio em cadeia vai mudar o jogo. O Banco Central vai poder congelar não só a conta original, mas todas as que receberam o dinheiro depois, seguindo o rastro completo da fraude.

Mais: as informações serão compartilhadas entre os bancos e haverá um prazo de até 11 dias para devolver o dinheiroà vítima. Ou seja, a chance de recuperar valores vai crescer muito.

Mas atenção: isso pode pegar usuários inocentes no meio do caminho – vamos falar disso já, já.

2. Autoatendimento para pedir devolução: fim da burocracia

Atualmente, para contestar uma transação, o cliente muitas vezes precisa ligar para o banco, falar com atendente, preencher formulário… um processo lento e irritante.

A partir de 1º de outubro de 2025, todos os aplicativos de banco terão um botão direto no Pix para você solicitar a devolução na hora, sem ter que falar com ninguém.

Vai funcionar assim: caiu num golpe? Clica na opção de contestação e o processo começa automaticamente. Se o dinheiro ainda estiver na conta do golpista (ou nas intermediárias), o sistema vai bloquear antes que ele suma.

Simples, rápido e sem enrolação.

3. Cronograma: quando tudo começa a valer

Aqui vai o calendário oficial para você se organizar:

  • 1º de outubro de 2025: começa o autoatendimento para devolução.

  • 23 de novembro de 2025: os bloqueios em cadeia entram em fase de testes, de forma opcional.

  • 2 de fevereiro de 2026: bloqueios em cadeia passam a ser obrigatórios para todos os bancos.

Ou seja: as mudanças não vão acontecer de uma hora para outra, mas já têm data para valer para todo mundo.

4. Usuários inocentes podem ser bloqueados?

Infelizmente, sim. E é aqui que a história fica mais complicada.

Vamos supor que você vende um celular usado por R$ 1.500 e recebe o Pix de um comprador. Dias depois, o dinheiro dele é rastreado como parte de um golpe porque a conta anterior era de um criminoso. Resultado: sua conta pode ser bloqueada preventivamente até que tudo seja investigado.

Segundo o consultor Renato Cunha, especialista em segurança digital, isso pode acontecer quando há transações fora do padrão. Por exemplo:

  • Uma conta que nunca movimentou altos valores e, de repente, recebe R$ 10 mil.

  • Contas inativas que começam a ter transações intensas.

  • CNPJs irregulares ou contas ligadas a CPFs de pessoas falecidas.

Nesses casos, os bancos são obrigados a analisar e comunicar o Banco Central, podendo bloquear temporariamente os valores.

5. Possíveis prejuízos para usuários e empresas

O maior problema é o tempo de desbloqueio. Se a conta for bloqueada e você não tiver notas fiscais, comprovantes ou documentos que provem a legitimidade da transação, a liberação pode demorar.

Para pequenas empresas e autônomos, isso significa fluxo de caixa travado e possíveis atrasos em pagamentos.

Além disso, existe o risco de insegurança jurídica: pessoas comuns podem ser envolvidas em investigações sem terem feito nada de errado, simplesmente por estarem na cadeia de transações de um golpista.

6. Benefícios: mais segurança e menos fraudes

Por outro lado, os ganhos são claros:

  • Mais chances de recuperar o dinheiro roubado antes que ele suma.

  • Menos espaço para quadrilhas que usam contas laranjas para lavar dinheiro.

  • Maior formalização nas transações, já que comprovantes e notas fiscais serão cada vez mais importantes.

Com a rastreabilidade, a expectativa é que os golpistas tenham cada vez menos espaço para agir – e que o Pix continue sendo seguro e rápido para todos.

Como se proteger com as novas regras

Se você não quer ter dor de cabeça, siga estas dicas:

  • Formalize as transações: emita notas fiscais, recibos ou contratos sempre que possível.

  • Guarde provas: fotos da entrega, conversas com clientes e comprovantes ajudam em caso de investigação.

  • Evite receber Pix de desconhecidos: isso reduz o risco de envolvimento indireto em fraudes.

  • Responda rapidamente aos bancos: se receber notificações, não ignore.

  • Use o DICT: empresas podem acessar o Diretório de Identificadores de Contas Transacionais para verificar dados de contas antes de transações.

Segundo Renato Cunha, golpes acontecem mais por engenharia social – quando o criminoso convence a vítima a fazer algo, como transferir dinheiro – do que por falhas técnicas do Pix. Por isso, não compartilhe senhas, códigos ou telas do aplicativo. Os bancos não pedem isso e quem pede provavelmente é golpista.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.