Você tem R$5.000, R$10.000,00 ou mais na poupança? Descubra como a SELIC a 15% ao ano pode transformar seu dinheiro em 2025 e por que isso mexe com todo o seu bolso

Se você tem R$5.000, R$10.000 ou até mais guardados na poupança ou em qualquer outro investimento, já deve ter ouvido falar dela: a famosíssima Selic.

Mas, afinal, o que é esse nome que parece até marca de remédio para dor de cabeça?

A Selic é simplesmente a taxa básica de juros da economia brasileira. É como se fosse o “chefe” dos juros: tudo o que acontece com ela acaba afetando o resto do país.

Se ela sobe, os bancos aumentam os juros dos empréstimos, o crédito fica mais caro, e a economia dá uma esfriada. Por outro lado, quem tem dinheiro aplicado em renda fixa — como poupança, CDB, Tesouro Direto — acaba sorrindo, porque os rendimentos sobem junto.

E o Comitê de Política Monetária, o Copom, decidiu manter essa taxa em 15% ao ano. Isso é muito? Sim, é muito mesmo! Para você ter uma ideia, há quase 20 anos não víamos a taxa nesse nível.

Investir (Créditos: depositphotos.com / poringdown@gmail.com)

Por que o Copom decidiu manter a Selic tão alta?

Para entender isso, precisamos dar uma espiadinha no que está acontecendo no Brasil e no mundo.

Segundo o comunicado do Banco Central, existem três grandes motivos:

  1. Cenário internacional complicado: Tem inflação nos Estados Unidos, tensões geopolíticas e incertezas na economia global.

  2. Inflação brasileira ainda alta: O Banco Central tenta manter a inflação na meta. Se os preços sobem demais, aumentar a Selic ajuda a segurar o consumo, e isso faz os preços pararem de subir tão rápido.

  3. Risco fiscal: O governo brasileiro gasta mais do que arrecada, e isso preocupa os investidores. Juros altos acabam atraindo mais dinheiro para o país, equilibrando as contas.

Ou seja: manter a Selic alta é uma forma de segurar a inflação e manter o controle da economia.

E como isso afeta diretamente o seu bolso?

Agora vamos ao que realmente interessa: o que acontece com o seu dinheiro parado na poupança — ou em qualquer outro investimento — quando a Selic está em 15% ao ano?

Porque, no fim das contas, todo esse papo de inflação, economia mundial e risco fiscal só faz sentido se a gente entender como isso mexe no nosso dia a dia.

Com a Selic alta:

  • A poupança rende mais? Sim, mas ainda perde feio para outros investimentos.

  • O Tesouro Selic e os CDBs ficam bem mais atrativos.

  • O cartão de crédito e o cheque especial ficam ainda mais perigosos, porque os juros dessas dívidas vão para as alturas.

Poupança: quanto rende com a Selic a 15% ao ano?

Vamos direto ao ponto. Se você tem R$5.000 ou R$10.000 na poupança, o rendimento anual segue uma regra básica:

  • Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês + TR (Taxa Referencial).

  • A TR está quase zerada há anos, então podemos ignorá-la para simplificar.

Fazendo as contas:

  • R$5.000 rendem cerca de R$25 por mês.

  • R$10.000 rendem cerca de R$50 por mês.

No ano inteiro, isso dá aproximadamente:

  • R$5.000 → R$300 de rendimento

  • R$10.000 → R$600 de rendimento

Parece bom? Pois é… mas não é tão bom assim. Porque existem outras opções que rendem muito mais com praticamente o mesmo risco.

Tesouro Selic: o queridinho da renda fixa

Se você aplicar no Tesouro Selic, que acompanha a taxa básica de juros, o rendimento é bem mais interessante.

Com a Selic a 15%:

  • R$5.000 podem render perto de R$600 no ano.

  • R$10.000 podem render mais de R$1.200 no ano.

Ou seja, o dobro do que a poupança paga.

E o risco?

Praticamente zero, porque o Tesouro Selic é garantido pelo governo. A chance de você perder dinheiro nele é menor do que a chance de nevar no Nordeste em pleno janeiro.

CDB, LCI e LCA: como ficam com a Selic alta?

Além do Tesouro Selic, temos os CDBs, LCIs e LCAs.

  • O CDB paga um percentual do CDI, que anda coladinho na Selic.

  • Já LCI e LCA têm a vantagem de serem isentos de Imposto de Renda.

Com juros altos, esses investimentos chegam a pagar mais de 100% do CDI, o que pode garantir rendimentos até superiores ao Tesouro Selic, dependendo da instituição.

Se a Selic continuar nesse patamar, os CDBs de bancos médios podem render até 1,2% ao mês, o que dá um resultado bem mais animador para quem tem dinheiro parado.

E o cartão de crédito? Prepare o bolso…

Se, por um lado, a Selic alta faz os investimentos renderem mais, por outro, o crédito fica bem mais caro.

Isso significa:

  • Juros do cartão de crédito mais altos

  • Empréstimos pessoais mais caros

  • Financiamentos pesados para o seu orçamento

Ou seja, com Selic a 15%, ficar devendo é uma péssima ideia. O juro do rotativo do cartão, por exemplo, já passa dos 400% ao ano.

Como ficam os financiamentos e empréstimos?

Se você está pensando em financiar uma casa, um carro ou qualquer outro bem, essa não é a melhor hora.

Com a Selic nesse nível, os juros dos financiamentos disparam, e a parcela pode ficar muito maior do que o esperado.

Quem já tem contrato de financiamento com taxa fixa não sofre alteração, mas quem pretende pegar empréstimo agora vai sentir no bolso.

Inflação, Selic e poder de compra: a relação perigosa

Um detalhe importante: a Selic alta ajuda a controlar a inflação, mas isso não significa que os preços vão cair imediatamente.

Na prática:

  • A inflação fica mais controlada,

  • O dinheiro rende mais,

  • Mas o consumo pode cair porque as pessoas ficam com medo de gastar.

Por isso, o efeito no dia a dia é uma mistura de ganhos nos investimentos e cuidado redobrado com as dívidas.

Qual a melhor estratégia com Selic a 15%?

Se você tem dinheiro sobrando, a palavra de ordem é investir com inteligência.

Algumas dicas:

  1. Tesouro Selic: bom para reserva de emergência.

  2. CDBs e LCIs/LCAs: ótimos para rendimentos acima da poupança.

  3. Tesouro IPCA: protege da inflação e ainda paga juros.

  4. Não deixar tudo na poupança: ela rende pouco e não acompanha a Selic como os outros investimentos.

O que pode acontecer nos próximos meses?

Tudo vai depender de três fatores principais:

  • Inflação no Brasil

  • Economia mundial

  • Contas públicas do governo

Se a inflação começar a cair, o Copom pode reduzir a Selic no futuro. Mas, por enquanto, não há previsão de corte.

Ou seja, os juros devem continuar altos por mais tempo, e isso afeta tudo: desde o preço do pãozinho até a parcela do seu carro.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.