Hoje (17/09), uma pesquisa divulgada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados acendeu um alerta para a situação financeira de milhões de brasileiros. O estudo, chamado “A relação dos brasileiros com dinheiro”, mostrou que 51% dos brasileiros das classes A, B e C têm dívidas no cartão de crédito.
Se você achava que sua fatura do cartão era um problema isolado, a realidade é bem diferente. Mais da metade da população economicamente ativa está no mesmo barco — e, pelo visto, não é um barco luxuoso, mas sim um que está afundando em juros e parcelamentos.
E não para por aí: o levantamento revela que 28% têm empréstimos pessoais, 17% financiam imóveis ou veículos, 8% devem no cheque especial, e 2% possuem outros tipos de dívidas. Ou seja, quando se fala em dívidas, o cartão de crédito é apenas a ponta do iceberg.
Quem mais sofre com a dívida do cartão
O estudo também mostra quem são os maiores “campeões” da dívida no cartão. Entre os brasileiros de 25 a 40 anos, 66%estão endividados. E, se você mora no Nordeste, saiba que por lá o número chega a 58%.
Já os empréstimos pessoais — aqueles para emergências, reformas, saúde ou simplesmente para tentar “respirar” financeiramente — são mais comuns entre pessoas acima dos 60 anos: 44% deles têm esse tipo de dívida.
Curiosamente, a classe A é a única em que 52% não têm nenhum tipo de dívida. Mas, convenhamos, com rendas bem acima da média, essa não é exatamente uma surpresa.
O peso das dívidas no orçamento
Um dado preocupante revelado pela pesquisa é que 44% dos endividados têm débitos que consomem mais de um mês de renda. Em outras palavras, o salário acaba antes mesmo das contas serem quitadas.
Entre os mais velhos, esse número sobe para 58%, mostrando que até quem já deveria estar pensando na aposentadoria enfrenta dificuldades para equilibrar as finanças.
Essa realidade evidencia o que muitos brasileiros já sentem na pele: não é apenas questão de gastar mal, mas também de enfrentar juros altos, salários apertados e imprevistos que bagunçam qualquer planejamento.
O fantasma da preocupação financeira
Se você acha que só você perde o sono pensando em dinheiro, saiba que não está sozinho. Segundo o estudo, 63% dos brasileiros estão preocupados com o futuro financeiro, e 35% deles estão muito preocupados.
Somente 2% dos entrevistados disseram não ter nenhuma preocupação com dinheiro. Esses, com certeza, são uma espécie rara no Brasil. Outros 20% estão “mais ou menos preocupados”, 8% disseram estar “pouco preocupados” e 6%não quiseram ou não souberam responder.
No geral, a pesquisa mostra que o medo de não conseguir pagar as contas ou de não ter segurança no futuro é uma realidade para a maioria das pessoas, mesmo para quem tem uma renda mais alta.
Quem paga as contas e quem atrasa
Quando o assunto é organizar o orçamento, os dados também impressionam. Quase metade (48%) dos brasileiros disse que consegue pagar todas as contas, mas não sobra dinheiro no fim do mês.
Outros 30% afirmaram que conseguem gerenciar o dinheiro e ainda sobra alguma coisa — um feito digno de medalha de ouro diante da realidade econômica atual.
Por outro lado, 11% precisam pedir ajuda ou empréstimos para pagar as contas, 5% atrasam uma ou mais contas, e 6% não quiseram ou não souberam responder.
Somando quem não consegue poupar com quem atrasou contas ou precisou pedir ajuda, o resultado é assustador: 64% da população não consegue guardar dinheiro nenhum.
Jovens, Nordeste e quem tem ensino médio são os mais vulneráveis
A pesquisa revela que a dificuldade para guardar dinheiro é maior entre os jovens (55%), os moradores do Sudeste (53%) e quem estudou até o ensino médio (51%).
E há outro dado alarmante: 7% dos moradores do Nordeste ou quem estudou até o ensino médio precisam deixar contas para o mês seguinte porque simplesmente não têm dinheiro para pagar tudo no prazo.
Enquanto isso, os moradores do Norte e Centro-Oeste parecem estar um pouco mais tranquilos: 43% afirmaram que conseguem pagar tudo e ainda sobra dinheiro. Uma minoria otimista em meio a tanta preocupação.
Poupança? Para muitos, um sonho distante
Segundo Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, essa incapacidade de poupar torna os brasileiros “mais vulneráveis a imprevistos e mais distantes de construir um futuro financeiro sólido”.
E isso faz sentido. Sem reserva financeira, qualquer emergência — seja um problema de saúde, um carro quebrado ou a perda do emprego — pode virar uma crise familiar.
E a situação não é apenas individual. Esse cenário impacta também a economia do país, já que menos poupança significa menos investimento, mais endividamento e uma população financeiramente insegura.
A realidade por trás dos números
Para entender a dimensão do estudo, é importante olhar para a metodologia. A pesquisa ouviu 1.010 pessoas das classes A, B e C, com idade a partir de 16 anos, em todos os 26 estados e no Distrito Federal.
As entrevistas foram realizadas nos dias 8 e 9 de agosto, de forma virtual, e a margem de erro é de 3 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
As classes sociais foram definidas pelo Critério Brasil da Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas), que considera renda, escolaridade e outros indicadores.
Somadas, as classes A, B e C representam cerca de 120 milhões de brasileiros, com rendas médias que vão de R$ 2,4 mil a R$ 26,8 mil.
O que essa pesquisa nos mostra
Apesar de todos os números, gráficos e porcentagens, o estudo traz um recado claro: o endividamento é uma realidade para a maioria dos brasileiros.
Mais da metade da população tem dívidas, e uma grande parte não consegue guardar dinheiro nem para emergências, muito menos para construir um futuro mais tranquilo.
Com juros altos, salários que não acompanham o custo de vida e pouca educação financeira, a tendência é que essa situação continue sendo um desafio para os próximos anos.
Seja no cartão de crédito, no empréstimo pessoal ou no cheque especial, o brasileiro convive com a dívida como um vizinho chato: a gente não gosta, mas não consegue se livrar dela.
Quiz: Você sabe usar bem o cartão de crédito?
Objetivo: Entender se você está no controle do seu cartão ou se é hora de repensar alguns hábitos financeiros.
Como funciona:
Cada pergunta tem 3 alternativas.
A resposta correta vale 10 pontos, a resposta intermediária vale 5 pontos e a errada vale 0 pontos.
No final, veja sua pontuação e descubra seu perfil de usuário de cartão de crédito.
1. Qual é a melhor forma de usar o cartão de crédito?
A) Comprar tudo o que quiser e pagar o mínimo da fatura depois. (0 pontos)
B) Fazer compras, mas sempre acompanhando o saldo e evitando exageros. (5 pontos)
C) Usar o cartão com moderação e pagar a fatura inteira até a data de vencimento. (10 pontos)
2. O que você faz quando aparece uma compra surpresa no meio do mês?
A) Passa no cartão e depois vê como paga. (0 pontos)
B) Avalia se é essencial e só parcela se não tiver outra opção. (5 pontos)
C) Analisa o orçamento, planeja e só compra se tiver dinheiro para pagar à vista a fatura. (10 pontos)
3. Sobre o parcelamento da fatura, o que você sabe?
A) Que é ótimo, porque assim sobra dinheiro para outras coisas. (0 pontos)
B) Que pode ser útil em emergências, mas tem juros altos. (5 pontos)
C) Que deve ser evitado ao máximo, pois os juros são os maiores do mercado. (10 pontos)
4. Qual é a melhor forma de acompanhar os gastos do cartão?
A) Não acompanho, só olho a fatura quando chega. (0 pontos)
B) Confiro o extrato online de vez em quando. (5 pontos)
C) Uso aplicativos e planilhas para controlar tudo em tempo real. (10 pontos)
5. Qual seria o ideal de limite no cartão de crédito?
A) Quanto mais alto, melhor, para poder gastar sem preocupação. (0 pontos)
B) Um valor intermediário, para evitar gastos exagerados. (5 pontos)
C) Um limite ajustado à sua renda, para manter o controle financeiro. (10 pontos)
6. Quando você atrasa a fatura, o que acontece?
A) Só paga juros baixos, não é um problema. (0 pontos)
B) Paga juros altos, mas às vezes não tem outra saída. (5 pontos)
C) Paga juros altíssimos, por isso evita atrasos de todas as formas. (10 pontos)
7. O que fazer quando surgem várias promoções tentadoras?
A) Comprar tudo para aproveitar as ofertas. (0 pontos)
B) Escolher algumas promoções, mas só as que cabem no bolso. (5 pontos)
C) Analisar se realmente precisa do produto antes de comprar. (10 pontos)
8. Qual é a importância da data de vencimento da fatura?
A) Nenhuma, pago quando dá. (0 pontos)
B) Importante para evitar juros, mas já atrasei algumas vezes. (5 pontos)
C) Essencial para manter o controle e nunca pagar juros. (10 pontos)
9. Sobre o rotativo do cartão, o que você sabe?
A) Nem sei o que é isso. (0 pontos)
B) Sei que tem juros, mas às vezes não dá para evitar. (5 pontos)
C) Sei que os juros do rotativo são os mais altos do mercado e devem ser evitados. (10 pontos)
10. Qual o segredo para não virar refém do cartão de crédito?
A) Usar sempre que precisar, afinal, crédito é crédito. (0 pontos)
B) Evitar excessos e controlar melhor os gastos. (5 pontos)
C) Usar com disciplina, pagar a fatura integralmente e manter um planejamento financeiro. (10 pontos)
Resultado
Some sua pontuação e descubra seu perfil:
0 a 30 pontos: Perigo à vista!
Você está no modo “compra agora, paga depois”, e isso pode virar uma bola de neve. É hora de aprender mais sobre juros e planejamento para evitar dívidas.35 a 70 pontos: Controlado, mas com riscos.
Você até tenta manter o controle, mas ainda pode cair em armadilhas. Com um pouco mais de organização, pode usar o cartão a seu favor sem se complicar.75 a 100 pontos: Mestre do cartão!
Parabéns! Você sabe usar o cartão com inteligência e disciplina. Mantendo esse controle, dificilmente terá problemas com dívidas.
Opinião do autor da matéria, Saulo Moreira
Como alguém que já estudou bastante sobre finanças e vê muita gente cair nas armadilhas do crédito fácil, eu, Saulo Moreira, acredito ser bastante necessário o uso do cartão de crédito com consciência.
Primeiro, nunca compre algo que não possa pagar à vista. Evite ao máximo o parcelamento, porque você deve saber que os juros podem virar uma bola de neve.
Sempre pague a fatura inteira e antes do vencimento, para não cair no rotativo. Controle os seus gastos usando aplicativos e anote tudo para ter clareza de onde o dinheiro vai. Ah, e também ajuste o limite do cartão para não se iludir com um poder de compra que não existe.
Por fim, analise promoções com calma para não gastar por impulso. Crie uma reserva de emergência para não depender do cartão em situações imprevistas. Também compare as taxas de diferentes cartões para escolher o mais vantajoso.
