Nova regra da Receita Federal confirmada! Movimentações acima de R$ 2 mil serão monitoradas e medida derruba notícia sobre ‘imposto do Pix’

Nova medida da Receita Federal agita o mercado financeiro e gera dúvidas

Se você tem conta em banco digital, prepare-se: a Receita Federal resolveu mexer as peças do tabuleiro. A partir de agora, qualquer movimentação financeira que ultrapasse R$ 2.000 por mês para pessoas físicas ou R$ 6.000 para empresas deverá ser informada ao órgão.

E antes que alguém comece a espalhar boatos: não, isso não é um novo imposto sobre o Pix! Vamos explicar direitinho o que mudou, por que a decisão foi tomada e, claro, o que isso significa para quem usa fintechs no dia a dia.

O que exatamente mudou para as fintechs

Até pouco tempo atrás, bancos digitais e carteiras virtuais não tinham a mesma obrigação de prestação de contas que os bancos tradicionais. Essa diferença deixava uma lacuna na fiscalização — e, como sabemos, onde existe espaço, há quem aproveite para fazer coisa errada.

Com a publicação da Instrução Normativa 2.278, tudo mudou. Agora, fintechs terão de enviar à Receita Federal relatórios semestrais informando as movimentações financeiras que ultrapassarem os valores estipulados.

O detalhe interessante é que essa regra já existia para os bancos convencionais desde 2015. Ou seja, a novidade não é criar uma obrigação inédita, mas sim equiparar as fintechs aos bancos para que todos joguem sob as mesmas regras.

E mais: a Receita Federal avisou que quer receber também os dados retroativos a janeiro de 2025. Em outras palavras, eles vão puxar a capivara desde o começo do ano para não deixar nada passar batido.

Fake news sobre ‘imposto do Pix’: de onde veio essa história?

Assim que a norma foi publicada, algumas postagens começaram a pipocar nas redes sociais dizendo que o governo estava inventando um novo imposto sobre o Pix. Muita gente ficou com medo de ser taxada cada vez que fizesse uma transferência.

Mas vamos deixar isso bem claro: não existe nenhum imposto sobre o Pix. Nem agora, nem com essa medida.

Especialistas em Direito Bancário, como a advogada Olivia Manuela Chaves Pires, reforçam que o objetivo da regra é combater crimes financeiros, e não criar nova cobrança. A própria Receita Federal fez questão de desmentir os boatos, lembrando que a Constituição não permite esse tipo de tributação sobre transferências como o Pix.

Por que a Receita decidiu agir agora

Essa medida não surgiu do nada. Ela veio na esteira de operações policiais de grande impacto, como Carbono Oculto, Quasar e Tank, que revelaram o uso de bancos digitais por organizações criminosas para lavagem de dinheiro.

Segundo a Polícia Federal, facções criminosas teria movimentado bilhões de reais por meio de fintechs, além de financiar a compra de empresas e controlar fundos de investimento com mais de R$ 30 bilhões.

Em outras palavras, as autoridades perceberam que as fintechs estavam virando terreno fértil para atividades ilícitas — e decidiram fechar o cerco.

Como funciona o monitoramento das transações

A lógica é simples:

  • Bancos e fintechs enviam à Receita relatórios com as movimentações acima dos limites definidos.

  • Isso inclui Pix, TED, DOC, cartão de débito e crédito.

  • O envio é semestral, ou seja, não é feito em tempo real.

  • As informações servem para investigações e cruzamentos de dados, não para criar novos impostos.

Vale lembrar que esse tipo de monitoramento já é comum em vários países. A diferença é que agora o Brasil ampliou o escopo para incluir as plataformas digitais, que cresceram muito nos últimos anos.

Banco Central também entra em cena com novas regras

Além da Receita Federal, o Banco Central também está reforçando a segurança. Uma das medidas mais recentes foi limitar a R$ 15 mil as transações feitas por Pix em instituições menores que ainda não têm autorização completa do BC para operar como banco.

O objetivo é simples: reduzir o risco de fraudes e ataques cibernéticos, que vêm crescendo junto com a popularidade dos pagamentos instantâneos.

O impacto para quem usa fintechs no dia a dia

Se você tem conta em um banco digital e movimenta valores modestos, provavelmente nada vai mudar na sua vida. A regra só atinge quem ultrapassar os R$ 2.000 mensais para pessoas físicas ou R$ 6.000 para empresas.

Mesmo nesses casos, o impacto será mínimo, porque não haverá nenhum tipo de cobrança extra. Os dados serão enviados apenas para fins de fiscalização e segurança.

Ou seja: a menos que você faça parte de uma organização criminosa, não há com o que se preocupar.

Especialistas veem avanço na equiparação com bancos tradicionais

Para analistas do setor financeiro, a medida representa um avanço importante. Luiz Fernando Sampaio, consultor em segurança bancária, explica que essa equiparação entre fintechs e bancos tradicionais traz mais transparência e credibilidade para o sistema financeiro como um todo.

Ele lembra que o crescimento rápido das fintechs no Brasil, impulsionado pelo Pix, acabou deixando alguns pontos sem regulamentação clara. Agora, com as novas regras, o setor tende a ficar mais protegido contra fraudes e golpes.

A era da informação financeira mais transparente

O Brasil tem hoje mais de 150 milhões de usuários de Pix e centenas de fintechs oferecendo serviços digitais. Esse ecossistema movimenta bilhões todos os meses — e onde circula muito dinheiro, a fiscalização precisa ser rígida.

Com as novas normas, tanto a Receita Federal quanto o Banco Central dão um recado claro: a tecnologia é bem-vinda, mas o crime organizado não.

No fim das contas, a ideia é criar um ambiente financeiro digital mais seguro, sem prejudicar os usuários comuns e sem inventar novos impostos.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.