Imagine descobrir que existe um dinheiro parado, só esperando você solicitar para cair na sua conta. Pois é, essa é a realidade de mais de 10 milhões de brasileiros que ainda não fizeram o saque dos valores esquecidos do PIS/Pasep, referentes a depósitos realizados entre 1971 e 1988.
De acordo com dados divulgados pelo UOL, cada beneficiário pode receber, em média, R$ 2.800, dependendo do tempo de serviço e do salário da época. Parece pouco? Para muita gente, é um verdadeiro alívio financeiro — e o melhor: esse dinheiro é seu por direito.
De onde veio esse dinheiro e por que está parado
Para quem não viveu essa época, vale explicar: as cotas do PIS/Pasep foram criadas para formar uma espécie de poupança para trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos.
PIS era destinado a empregados do setor privado, com depósitos feitos pela empresa onde trabalhavam.
Pasep ficava com os servidores públicos, com contribuições dos órgãos onde atuavam.
Essa estrutura existiu até outubro de 1988, quando os fundos foram unificados e, posteriormente, extintos. Em 2020, os valores remanescentes foram transferidos para o FGTS e depois para o Tesouro Nacional.
Mas aqui está o pulo do gato: mesmo com todas essas mudanças, o dinheiro continua disponível para saque. Ele só não chega na sua conta se você não solicitar.
Quem tem direito a sacar os valores do PIS/Pasep
Segundo a Caixa Econômica Federal, podem solicitar o saque:
Trabalhadores com carteira assinada na iniciativa privada entre 1971 e 4 de outubro de 1988;
Servidores públicos com depósitos realizados nesse período;
Herdeiros ou sucessores legais, em caso de falecimento do titular.
No caso dos herdeiros, será preciso apresentar documentos como:
Certidão de dependentes habilitados à pensão por morte;
Autorização judicial;
Ou declaração de únicos herdeiros registrada em cartório.
Ou seja: se o titular faleceu, o direito não morre junto. Mas a burocracia existe e é importante se preparar.
Quanto é possível receber: entenda os valores
O Ministério da Fazenda divulgou que o valor médio disponível para cada beneficiário gira em torno de R$ 2.800. Mas isso não significa que todo mundo vai receber exatamente essa quantia.
O cálculo depende de dois fatores principais:
Tempo de serviço: quem trabalhou mais anos nesse período acumulou mais depósitos.
Salário da época: valores mais altos significam cotas maiores.
Existem casos de pessoas que recebem muito mais que a média, enquanto outras acabam encontrando quantias menores.
Calendário de pagamento: fique atento às datas
O governo federal estabeleceu um calendário para organizar os pagamentos. Funciona assim:
Pedidos até 31 de agosto de 2025: pagamento em 25 de setembro;
Pedidos até 30 de setembro de 2025: pagamento em 27 de outubro.
Ou seja, quanto antes você fizer a solicitação, mais rápido o dinheiro entra na sua conta.
Como consultar se você tem valores para receber
A consulta pode ser feita sem sair de casa, de forma rápida e gratuita. Existem três formas oficiais:
Aplicativo FGTS
Disponível para Android e iOS;
Basta acessar com CPF e senha para verificar saldos.
Site REPIS Cidadão
Endereço: repiscidadao.fazenda.gov.br;
É a plataforma oficial do Ministério da Fazenda para informações do PIS/Pasep.
Agências da Caixa Econômica Federal
Atendimento presencial, levando documento oficial com foto.
Para herdeiros, é necessário levar também os documentos que comprovam o vínculo sucessório.
Como o pagamento é feito na prática
Depois da solicitação aprovada, o dinheiro é liberado pela Caixa Econômica Federal. Existem duas formas de receber:
Crédito em conta existente: pode ser corrente, poupança ou conta digital já aberta na Caixa;
Crédito automático em conta Poupança Social Digital: aberta pela Caixa sem custos, movimentada pelo Caixa Tem.
Se optar pela conta digital, você consegue transferir o dinheiro via PIX, pagar boletos ou sacar em caixas eletrônicos.
E os herdeiros? Como sacar os valores
No caso de falecimento do titular, os herdeiros ou dependentes habilitados podem solicitar o saque, mas há documentos obrigatórios:
Certidão de óbito;
Documentos de identificação do titular e dos herdeiros;
Comprovação legal da herança, como inventário, formal de partilha ou declaração de únicos herdeiros.
O processo é um pouco mais burocrático, mas garante que o dinheiro não fique esquecido no Tesouro Nacional.
Por que tanta gente ainda não pediu o saque
Existem alguns motivos para isso:
Falta de informação sobre o direito ao saque;
Confusão com outros benefícios, como o Abono Salarial;
Casos em que os titulares faleceram e os herdeiros não sabiam da existência do valor;
Dificuldades de acesso à internet ou às plataformas digitais.
Por isso, o governo vem reforçando a divulgação e simplificando o processo.
Diferença entre PIS/Pasep e Abono Salarial
Muita gente confunde as coisas, mas são benefícios diferentes.
Cotas do PIS/Pasep: valores acumulados de 1971 a 1988;
Abono Salarial: pago anualmente a trabalhadores com renda de até dois salários mínimos e carteira assinada no ano-base.
As cotas não têm mais depósitos desde 1988, mas permanecem para saque.
O que acontece se você não sacar os valores
Se ninguém solicitar, o dinheiro continua no Tesouro Nacional, sem prazo definido para resgate. Ou seja, não há risco de perder o direito, mas quanto mais o tempo passa, mais gente pode esquecer completamente dessa quantia.
Além disso, existe a possibilidade de mudanças futuras na forma de solicitação — e quanto antes você regularizar, melhor.
Dicas para evitar problemas na hora do saque
Verifique a documentação: principalmente se for herdeiro, para evitar idas e vindas na agência;
Prefira canais digitais: aplicativos e sites agilizam o processo;
Fique de olho no calendário: solicitar cedo significa receber mais rápido;
Guarde os comprovantes: tanto da solicitação quanto do pagamento.
