Se alguém dissesse, há poucos meses, que Elon Musk seria ultrapassado na lista dos homens mais ricos do mundo, muita gente riria. Afinal, o dono da Tesla, da SpaceX e do X (antigo Twitter) sempre aparecia no topo, com uma fortuna que parecia inalcançável. Mas a vida — e principalmente a economia — adoram uma boa reviravolta. E foi exatamente isso que aconteceu: Larry Ellison, cofundador da Oracle, simplesmente deixou Musk comendo poeira.
O bilionário de 81 anos, que muita gente talvez nem conheça tão bem, viu seu patrimônio dar um salto histórico e assumir o primeiro lugar no ranking da Bloomberg. E tudo isso graças a um fator que está dominando o mundo dos negócios: a corrida pela nuvem e pela inteligência artificial.
O salto que mudou tudo
Em apenas um dia — sim, um único dia — a fortuna de Ellison cresceu incríveis US$ 101 bilhões (algo em torno de R$ 546 bilhões). O motivo? A Oracle, empresa que ele cofundou em 1977, apresentou resultados trimestrais muito acima do esperado e deixou claro que está pronta para brigar de frente com gigantes como Amazon, Microsoft e Google no mercado de computação em nuvem.
Esse crescimento foi tão impressionante que o valor de mercado da Oracle chegou a US$ 969 bilhões (R$ 5,2 trilhões). E agora a empresa está a um passo de entrar no “clube” das empresas que valem US$ 1 trilhão — um clube muito exclusivo, diga-se de passagem.
Com isso, a fortuna pessoal de Ellison atingiu US$ 393 bilhões (R$ 2,1 trilhões), superando os US$ 385 bilhões (R$ 2 trilhões) de Elon Musk, segundo a lista da Bloomberg.

E a Forbes?
Aqui entra um detalhe curioso: na lista da Forbes, Musk ainda aparece em primeiro lugar, com uma pequena vantagem sobre Ellison. Isso porque cada ranking usa uma metodologia diferente para calcular as fortunas. Mas a verdade é que, para o mercado e para os investidores, o que importa mesmo é o momento — e, por enquanto, ele é todo de Larry Ellison.
Quem é Larry Ellison, afinal?
Talvez você não saiba muito sobre ele, e isso faz parte da história. Larry Ellison nunca foi do tipo “celebridade bilionária” como Elon Musk ou Jeff Bezos. Mas sua trajetória é digna de filme.
Nascido em Nova York, em 1944, Ellison foi adotado pelos tios ainda bebê, já que a mãe biológica não podia cuidar dele. Cresceu na zona sul de Chicago e, depois de abandonar dois cursos universitários, mudou-se para a Califórnia.
Foi lá que trabalhou em várias empresas de tecnologia e, na Ampex Corporation, teve seu primeiro contato com bancos de dados. Essa experiência seria o ponto de partida para algo muito maior.
A criação da Oracle e o império bilionário
Em 1977, Ellison fundou, junto com dois colegas, a Software Development Laboratories, que depois se tornaria a Oracle. A ideia era desenvolver bancos de dados relacionais — um conceito inovador para a época.
O sucesso foi tão grande que a Oracle virou uma gigante mundial de software e serviços em nuvem, presente em empresas, governos e organizações no mundo inteiro.
Ellison comandou a empresa como CEO por 37 anos, até 2014, quando passou a ser presidente do conselho e diretor de tecnologia.
A vida de luxo e os investimentos
Além da Oracle, Ellison é conhecido pelo estilo de vida bilionário que ostenta sem culpa:
Em 2012, comprou 98% da ilha de Lanai, no Havaí, por US$ 300 milhões. Hoje ele vive lá, em meio a praias paradisíacas e hotéis de luxo.
É apaixonado por iates, aviões e esportes como tênis e golfe.
Sua equipe, a Oracle Team USA, venceu a America’s Cup em 2010 e defendeu o título em 2013.
Ele também investiu pesado em empresas como a Tesla, onde foi membro do conselho até 2022, e até na compra do Twitter, junto com Elon Musk.
E, para quem acha que bilionário só pensa em dinheiro, vale lembrar: em 2010, Ellison aderiu ao Giving Pledge, prometendo doar 95% de sua fortuna para causas filantrópicas.
O papel da inteligência artificial nessa virada
Um dos grandes responsáveis por essa disparada da Oracle — e, consequentemente, da fortuna de Ellison — é o boom da inteligência artificial.
A empresa anunciou recentemente acordos bilionários com grandes clientes, incluindo a OpenAI, criadora do ChatGPT, para fornecer capacidade de computação em nuvem. O contrato prevê 4,5 gigawatts de capacidade em data centers, algo gigantesco para atender à demanda crescente por IA.
Além disso, gigantes como Nvidia e TikTok também são clientes da Oracle nessa área.
Com a explosão do setor, a empresa registrou um aumento de 359% na receita contratada não reconhecida (RPO), que chegou a impressionantes US$ 455 bilhões.
A briga de gigantes
Mesmo com esse crescimento, a Oracle ainda enfrenta uma batalha dura contra os líderes de mercado. Hoje, Microsoft, Amazon e Google dominam cerca de 65% da computação em nuvem no mundo.
Mas, com o avanço da inteligência artificial, a Oracle encontrou uma forma de ganhar terreno rapidamente. Como explicou Safra Catz, CEO da empresa, a expectativa é fechar ainda mais contratos bilionários nos próximos meses.
Elon Musk fora do topo: e agora?
Para Elon Musk, perder o posto de homem mais rico do mundo não muda muita coisa na prática. Ele ainda é dono de empresas inovadoras, como a Tesla, a SpaceX e o X, e segue influente no mundo dos negócios e da tecnologia.
Mas, para Larry Ellison, esse momento representa o reconhecimento de uma trajetória de décadas — e mostra como a corrida pela inteligência artificial está redesenhando o mapa dos bilionários.
Uma história que mistura tecnologia, fortuna e uma boa dose de ousadia
De um garoto adotado em Chicago a fundador de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, Larry Ellison provou que inovação e visão de futuro podem transformar vidas — e fortunas.
Com a Oracle surfando na onda da inteligência artificial, não seria surpresa se ele mantiver o topo da lista por um bom tempo. Afinal, como o próprio mercado mostrou nesta semana, na economia global, um único dia pode mudar tudo.
